Daniel Trindade (PL) foi eleito deputado federal por Roraima nas eleições de 2026 com 16.673 votos. O candidato conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados dias depois de ter sido preso em flagrante durante uma operação da Polícia Federal que investiga a suspeita de formação de uma milícia privada e crimes ambientais no estado.
A prisão ocorreu em 25 de setembro, durante a Operação Cunhambebe. Segundo a investigação, durante buscas em endereços ligados ao então candidato, em Boa Vista e Cantá, os agentes encontraram indícios de possíveis crimes eleitorais relacionados à suspeita de compra de votos. Trindade foi solto no dia seguinte.
Investigação começou após ação contra garimpo ilegal
As apurações que envolvem Daniel Trindade começaram depois que agentes federais foram atacados durante uma operação contra o garimpo ilegal na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em maio.
Segundo a investigação, Trindade é suspeito de participar da formação de um grupo armado paralelo, incentivar a prática de crimes e dificultar ações de fiscalização ambiental. Ele também é investigado por suspeita de receptação qualificada.

Justiça impôs restrições
Como parte das medidas determinadas no decorrer da investigação, a Justiça proibiu Trindade de entrar em terras indígenas de Roraima e de manter contato com integrantes da Comunidade Napoleão e com o presidente da Associação dos Arqueiros de Roraima.
Um curso de segurança privada ministrado por Trindade também foi suspenso por 180 dias. De acordo com a Polícia Federal, os treinamentos eram realizados sem autorização e incluíam táticas operacionais de segurança.
Trindade recebeu mais de 16 mil votos
Mesmo sob investigação, Daniel Trindade disputou normalmente a eleição e recebeu 16.673 votos, correspondentes a 5,23% dos votos válidos para deputado federal em Roraima.
A eleição para a Câmara não encerra as investigações em andamento. As suspeitas apuradas pela Polícia Federal ainda dependem da conclusão dos procedimentos e de eventuais decisões da Justiça.