O Senado deixou de ser a Casa distante do eleitor e virou o centro da eleição de 2026. Das 54 cadeiras em disputa, 34 ficaram com nomes identificados com a direita, e o PL chega a 28 senadores a partir de fevereiro de 2027, a maior bancada da Casa.
O resultado aparece no momento em que o STF atravessa sua maior crise institucional dos últimos anos, e o Senado é o único poder com atribuição constitucional para processar e julgar ministros da Corte.
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Entenda o que aconteceu
Historicamente, o eleitor brasileiro se identifica mais com o Executivo: prefeito, governador, presidente. Deputados e vereadores têm a proximidade do balcão do dia a dia. O Senado sempre foi visto como Casa de revisão, de notáveis. Neste primeiro turno, isso mudou.
No plano presidencial, Flávio Bolsonaro fez 56,1 milhões de votos, 47,03% dos válidos. Lula teve 53,9 milhões, 45,16%, o pior desempenho dele em primeiro turno desde 1998. O presidente perdeu cerca de 3,4 milhões de votos em relação a 2022 e ficou atrás em 25 das 27 unidades da federação.
Por que a derrota em Minas Gerais preocupa o Planalto
Entre os estados perdidos por Lula está Minas Gerais, termômetro antigo das eleições presidenciais. Quando Minas vira, o Planalto sente, e a análise de bastidores é de que o recado das urnas mineiras não pode ser tratado como detalhe.
O tamanho da bancada da direita no Senado
Somando aliados, a direita chega perto de 50 dos 81 senadores. Na prática, esse número garante maioria absoluta para aprovar projetos de lei, quórum qualificado para propostas de emenda à Constituição e margem para pautar o impeachment de ministros do STF. A condenação de um ministro, porém, exige dois terços dos senadores, ou 54 votos.
O caso Master e o vácuo no Supremo
O caso Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, virou o pivô da crise. A investigação apura fraudes que podem chegar a dezenas de bilhões de reais e a tentativa frustrada de venda ao BRB, banco público do Distrito Federal.
O celular de Vorcaro trouxe mensagens atribuídas a contatos com o gabinete do ministro Alexandre de Moraes. Também veio à tona um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório que tem como sócia Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Moraes nega ter atuado para o banco. A Polícia Federal também apura repasse para financiar filme ligado à família Bolsonaro, o que Flávio admitiu em parte.
O processo está nas mãos do presidente do STF, Edson Fachin, depois do racha entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Fachin suspendeu a tramitação até definir a relatoria, e a crise travou a Operação Compliance Zero.
Por que o eleitor olhou para o Senado
Esse vácuo virou combustível na campanha. Se o Supremo está em disputa aberta, o Senado é o único poder que pode, pela Constituição, processar e julgar ministros, sabatinar indicações e mudar as regras de freios e contrapesos por emenda. Avalia-se que o voto para senador em 2026 foi, por isso, um voto institucional.
Para Lula, um eventual quarto mandato começaria com um Congresso mais hostil do que em 2002, 2006 e 2022. Para o STF, começa com uma Casa que promete discutir abertamente os limites da Corte. O Senado deixou de ser coadjuvante e virou protagonista.