Moraes se reúne com Andrei e chefes da PF em encontro misterioso no Supremo

Encontro sem registro na agenda oficial reúne ministro e cúpula da PF em meio a apurações que envolvem Banco Master, Daniel Vorcaro e suspeitas sobre a atuação de autoridades.
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O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, recebeu na terça-feira, na sede da Corte, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o diretor de Inteligência, Leandro Almada da Costa, e o agente Denis de Carli, em uma reunião sem registro na agenda oficial, em meio a suspeitas de envolvimento de todos com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

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Reunião fora da agenda ocorre com todos sob suspeita

O encontro aconteceu em Brasília e não teve pauta divulgada pelo gabinete de Moraes. O ministro é citado em relatório da PF por troca de 52 mensagens com Vorcaro até a prisão do banqueiro, com respostas em textos e imagens de visualização única. Documentos internos também descrevem contatos de Vorcaro com a mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

Na avaliação de investigadores, o próprio desenho da reunião chama atenção: “O encontro teve a participação de 2 agentes públicos que estão sob suspeita de terem cometido crimes com um ministro do STF igualmente suspeito de ter agido fora da lei”, resume uma fonte que acompanha o caso.

Andrei Rodrigues e Leandro Almada já foram afastados preventivamente de seus cargos por suspeita de espionagem ilegal contra ministros do Supremo. A medida, determinada por André Mendonça depois de relatos de monitoramento sem autorização, durou 1 dia e foi revertida no dia seguinte por decisão de Flávio Dino.

Decisões conflitantes dentro do STF

Quando Mendonça mandou afastar o diretor-geral da PF e o chefe de Inteligência, a acusação era de que eles teriam usado a estrutura da corporação para investigar ministros do STF sem aval da Corte. No dia seguinte, Dino anulou a decisão, em um movimento considerado heterodoxo por ministros, ao receber diretamente uma reclamação dos próprios policiais em vez de um recurso formal ao relator original.

Andrei e Almada sustentaram que conduziam investigações sensíveis, entre elas o inquérito sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que a saída deles dos cargos prejudicaria a apuração. Dino, que havia aberto por conta própria investigação sobre o filme, acolheu o argumento e determinou a reintegração imediata.

O presidente do STF, Edson Fachin, optou por não confrontar a decisão do colega. Deu 48 horas para Andrei responder às acusações levantadas por Mendonça e, após receber a defesa com a negativa de irregularidades, levou dias sem decidir. Acabou pedindo parecer à Procuradoria-Geral da República, que ainda não se manifestou.

Investigações sobre Banco Master avançam pouco

Paralelamente, segue travado o processo que pode abrir investigação formal contra Moraes no caso Banco Master. A PF produziu relatório detalhado sobre as relações do ministro e de sua esposa com Daniel Vorcaro, preso sob suspeita de corrupção, mas o Supremo ainda não autorizou novas diligências.

Em ofício enviado à PF em 2 de outubro, Fachin defendeu que sejam apurados “sem exceção de pessoa” eventual participação de ministros do STF no episódio envolvendo o banco. No mesmo documento, marcou audiência com Andrei Rodrigues para 13 de outubro, quando deve discutir tanto o futuro do diretor-geral à frente da corporação quanto os rumos da investigação.

Apesar dos indícios relatados por Mendonça e da cobrança pública por explicações no caso Vorcaro, Andrei permanece no comando da PF e Leandro Almada segue à frente da Inteligência. A reunião reservada com Moraes, um dos principais alvos da apuração sobre o Banco Master, reforça dúvidas sobre a autonomia das investigações e sobre a separação entre investigados e investigadores.

Entenda o contexto

Andrei Rodrigues ganhou projeção nacional ao atuar na segurança da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva e depois assumir a direção-geral da PF no atual governo. Em abril de 2024, esteve em Londres em um seminário patrocinado pelo Banco Master ao lado de Daniel Vorcaro e de Moraes, seguido de evento social com degustação de uísque e charutos, o que passou a ser escrutinado por investigadores.

Dentro do STF, ministros divergem sobre como lidar com o caso. Parte vê risco de paralisia e desgaste institucional diante da combinação de suspeitas de corrupção, possível espionagem interna e demora em decisões sensíveis às vésperas das eleições presidenciais. Outra ala teme que afastamentos imediatos sem conclusão de apurações aprofundem a crise entre Supremo, PF e governo.

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