Belo Horizonte chega ao início do período chuvoso com seis contratos de obras de prevenção de deslizamentos e contenção de encostas paralisados. Os investimentos somam aproximadamente R$ 19,8 milhões e abrangem pelo menos 14 pontos da capital mineira, distribuídos por seis regionais. Os dados constam no portal de transparência da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smobi).
As intervenções incluem estabilização de encostas, recuperação de sistemas de drenagem, contenção de áreas de risco e recuperação de espaços degradados. Parte dos locais contemplados está em regiões classificadas pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) como de risco alto ou muito alto.
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As paralisações têm diferentes motivos, segundo a administração municipal. Entre eles estão descumprimento de obrigações por empresas contratadas, necessidade de revisão de projetos e interferências de outras obras.
Contrato de R$ 9,4 milhões é o maior entre os paralisados
O contrato de maior valor é o AJ-003/18, de R$ 9,46 milhões, que prevê projetos executivos, obras de contenção e construção de moradias para famílias afetadas em áreas de risco.
As intervenções abrangem as vilas Alvorada, Nova Cachoeirinha II, Cabana do Pai Tomás e Nossa Senhora Aparecida, além dos conjuntos Minas Caixa e Felicidade.
Segundo a prefeitura, o contrato precisa ser reprogramado porque mudanças na topografia e na geometria de algumas encostas alteraram as condições previstas inicialmente. Os locais terão de passar por novas avaliações técnicas e estudos complementares.
Outro contrato paralisado é o UB-089/22, de R$ 5,03 milhões, que contempla intervenções no Jardim Alvorada, Padre Eustáquio e Vila Beira Linha.
No Jardim Alvorada, uma das obras previstas é a estabilização de uma encosta entre as ruas Flor de Ameixa e Flor de Caqui.
A PBH informou que está encerrando o contrato com a empresa responsável, por meio de distrato, após descumprimentos contínuos das obrigações contratuais.
Obras paradas atingem vilas e ocupações de BH
Na Região Centro-Sul, o contrato UB-035/25, de R$ 823,7 mil, prevê obras na Vila Nossa Senhora de Fátima, incluindo contenção no Beco Mangueiras, construção de escada, instalação de guarda-corpo e melhorias na drenagem.
A prefeitura informou que um escorregamento ocorrido na área exigiu a revisão do projeto, impedindo temporariamente a continuidade dos serviços.
No Aglomerado Santa Lúcia, o contrato UB-040/23, de R$ 1,38 milhão, contempla demolições e retirada de entulho. A execução depende da conclusão das remoções previstas.
Nas vilas Mariquinhas e Boa União, o contrato UB-049/22, de R$ 1,41 milhão, também está interrompido. Segundo a PBH, os projetos executivos de estabilização das encostas estão na fase final de análise.
Já na Ocupação Vitória, na Região Izidora, o contrato UB-064/24, de R$ 1,71 milhão, prevê intervenções para reduzir riscos geológicos, recuperar áreas degradadas e melhorar a drenagem e o sistema viário.
Nesse caso, a prefeitura atribui a paralisação às interferências provocadas pela implantação de redes de abastecimento de água da Copasa.
Reservatórios de R$ 263 milhões também aguardam retomada
Além das obras de contenção de encostas, Belo Horizonte enfrenta pendências em projetos de macrodrenagem destinados a reduzir alagamentos durante os temporais.
Entre eles estão os reservatórios Vilarinho 2 e Nado 1, na Região de Venda Nova, que representam um investimento conjunto previsto de R$ 263 milhões.
Cada estrutura terá capacidade para armazenar aproximadamente 105 milhões de litros de água.
Segundo a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), o reservatório Vilarinho 2 apresenta atualmente cerca de 50% de funcionalidade. A licitação para a retomada das obras está em andamento, e já existe contrato para instalação e operação das bombas.
O Nado 1 ainda passa por revisão de projeto. A previsão da prefeitura é que as obras sejam retomadas em 2027.
Defesa Civil monitora 48 áreas de risco em Belo Horizonte
A chegada do período chuvoso também mobiliza a Defesa Civil municipal, que monitora atualmente 48 áreas de risco na capital.
O acompanhamento é realizado 24 horas por dia pelo Centro de Operações de Belo Horizonte (COP-BH), que reúne representantes de 20 órgãos públicos e utiliza mais de 4,5 mil câmeras para acompanhar ocorrências como alagamentos, transbordamentos de córregos e quedas de árvores.
O subsecretário de Proteção e Defesa Civil, Elcione Menezes, afirmou que o município precisa se preparar para condições climáticas cada vez mais extremas.
“Hoje, não cabe mais discutir se haverá mudança climática, porque ela já é uma realidade. Precisamos nos adaptar”, afirmou.
Saiba como agir em situações de risco durante as chuvas
A Defesa Civil orienta a população a evitar ruas alagadas, não atravessar áreas com correnteza e manter distância de árvores durante ventanias.
Moradores de imóveis próximos a encostas devem observar sinais como rachaduras no solo e nas paredes, inclinação de árvores e postes e surgimento de água em locais onde antes não havia infiltração.
Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.