O ex-deputado distrital Carlos Xavier, também conhecido como Adão Xavier, é considerado foragido da Justiça após não ser localizado para cumprir a pena de 14 anos e três meses de prisão pelo homicídio de um adolescente de 16 anos. O mandado de prisão foi expedido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) na terça-feira (6/10).
Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), equipes fizeram diligências em diferentes endereços ligados ao ex-parlamentar, mas não conseguiram encontrá-lo.
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Entenda o que aconteceu
A condenação de Carlos Xavier ocorreu 10 dias antes do primeiro turno das eleições de 2026. Como ele disputava uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal, o cumprimento da prisão foi adiado em razão das regras do Código Eleitoral.
A legislação impede a prisão de candidatos nos 15 dias que antecedem o primeiro turno e nas 48 horas seguintes à votação, salvo situações específicas previstas em lei. O prazo terminou na terça-feira (6/10), quando o mandado de prisão foi expedido.
Mesmo condenado, Xavier participou da disputa eleitoral. No domingo (4/10), recebeu pouco mais de 1,8 mil votos, mas não foi eleito.
Condenação pelo homicídio
Carlos Xavier foi condenado a 14 anos e três meses de prisão, em regime fechado, pelo homicídio qualificado de Ewerton da Rocha Ferreira, de 16 anos, ocorrido em março de 2004.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu a materialidade do crime e a autoria ou participação do réu, além da qualificadora apresentada pela acusação relacionada à idade da vítima.
A sentença destacou a condição de adolescente de Ewerton na avaliação das consequências do crime. O julgamento contou com oito testemunhas, entre elas os pais da vítima, a ex-esposa de Xavier, delegados que atuaram na investigação na época e o ex-diretor da Polícia Civil do DF Laerte Bessa.
Xavier foi o último a ser ouvido durante o julgamento, realizado no Fórum do Recanto das Emas.
Acusação aponta crime motivado por ciúmes
Segundo a acusação, Carlos Xavier suspeitava que o adolescente mantinha um relacionamento com sua então esposa e teria decidido encomendar a morte do jovem. Conforme os autos, o ex-parlamentar teria pago R$ 15 mil pela execução.
Ewerton foi encontrado morto atrás de uma parada de ônibus no Recanto das Emas, com marcas de tiros de revólver.
Na época, Xavier era casado havia 14 anos. De acordo com os autos, ele suspeitava que a esposa mantinha relacionamentos extraconjugais com adolescentes, entre eles, a vítima.
Trajetória política no DF
Carlos Xavier foi uma figura de destaque na política do Distrito Federal durante a década de 1990. Usando o nome de Adão Xavier, exerceu três mandatos como deputado distrital, após ser eleito em 1994, 1998 e 2002, pelos partidos PPB e PSD.
Durante sua passagem pela Câmara Legislativa, foi autor da Lei nº 893, de 1995, que instituiu o Dia do Evangélico no calendário oficial do Distrito Federal, celebrado em 30 de novembro.
A defesa de Carlos Xavier não havia se manifestado até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.