A primeira-dama Janja da Silva continuará participando da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apesar das críticas de integrantes do próprio partido. A confirmação foi feita pelo gabinete de Janja nesta quarta-feira (7), após a ex-senadora Kátia Abreu (PT) questionar o espaço ocupado pela esposa do presidente nas atividades eleitorais.
Em nota, a equipe da primeira-dama afirmou que sua presença na campanha é legítima e conta com o apoio de Lula. A manifestação ocorre em meio a discussões internas sobre mudanças na estratégia eleitoral do PT para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando o presidente enfrentará Flávio Bolsonaro (PL).
As críticas ganharam força depois de uma reunião de dirigentes e coordenadores da campanha petista, realizada na terça-feira (6), em Brasília. Durante o encontro, Kátia Abreu defendeu maior participação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e questionou a exposição de Janja nos eventos eleitorais.
Kátia Abreu critica “paulistas sem voto” e pede “menos Janja e mais Alckmin” em reunião do PT
Gabinete de Janja rebate críticas e confirma permanência
A resposta do gabinete da primeira-dama foi divulgada após a repercussão das declarações de Kátia Abreu. No comunicado, a equipe reforçou que Janja continuará participando das atividades eleitorais e que sua atuação tem o respaldo do presidente.
“Independente do que falem, Janja seguirá na campanha. Sua participação é legítima e sempre respaldada pelo presidente Lula. O objetivo de todos os envolvidos é um só: reeleger o presidente!”
A manifestação busca afastar a possibilidade de que as críticas internas provoquem o afastamento da primeira-dama dos compromissos de campanha.
Janja participou de atos públicos, comícios e atividades de mobilização durante o primeiro turno. Além de acompanhar Lula, também esteve envolvida em discussões sobre comunicação e organização de eventos eleitorais.
Essa presença mais ativa passou a ser questionada por alguns aliados, que defendem mudanças na distribuição de responsabilidades e na exposição de integrantes da campanha.
Kátia Abreu defende mais espaço para Alckmin
A ex-senadora Kátia Abreu, responsável pela coordenação da campanha de Lula no Tocantins, foi uma das principais vozes a questionar a estratégia adotada no primeiro turno.
Segundo relatos de participantes da reunião, ela defendeu a redução da exposição de Janja e uma presença maior de Geraldo Alckmin nas atividades eleitorais.
A cobrança foi resumida na expressão “menos Janja, mais Alckmin”, utilizada durante as discussões internas.
Kátia também criticou a comunicação do PT e a condução da campanha em diferentes regiões do país. Na avaliação apresentada por ela, o partido precisa ampliar o diálogo com setores políticos e sociais que não fazem parte de sua base tradicional.
Entre os episódios mencionados nas críticas está a participação de Janja em comícios nos quais cantou músicas religiosas. Alguns integrantes da campanha questionaram a eficácia dessa estratégia para aproximar Lula do eleitorado evangélico.
As manifestações representam avaliações políticas de participantes da campanha, e não uma decisão oficial de reduzir o papel da primeira-dama.
Participação de Janja provoca divergências entre aliados
O espaço ocupado por Janja na campanha já vinha sendo discutido antes da reunião desta semana.
Durante o primeiro turno, a primeira-dama acompanhou Lula em compromissos públicos e ganhou visibilidade nos palanques. Também participou de decisões relacionadas à organização de eventos e à comunicação do presidente, segundo relatos publicados pela imprensa.
Parte dos aliados considera que sua presença ajuda na mobilização de apoiadores e na aproximação com determinados segmentos da sociedade.
Outros integrantes defendem uma reorganização da campanha, com maior participação de lideranças partidárias, governadores e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
A discussão ocorre em um momento de revisão das estratégias eleitorais, depois de o resultado do primeiro turno levar a disputa presidencial para uma nova votação.
Apesar das divergências, não há anúncio de que Janja perderá espaço ou deixará de participar das atividades políticas.
Lula também critica organização da campanha
As discussões sobre o papel da primeira-dama fazem parte de uma avaliação mais ampla da campanha petista.
Nesta quarta-feira (7), Lula afirmou, durante um encontro com parlamentares jovens do PT, que a campanha do primeiro turno foi a menos organizada de que participou desde sua primeira disputa presidencial, em 1989.
O presidente disse que a equipe poderia ter feito mais e cobrou mudanças na comunicação, especialmente na atuação nas redes sociais.
A campanha também passou a discutir uma participação maior de aliados na coordenação política, na organização das agendas e na produção de conteúdos digitais.
Entre as mudanças relatadas estão a incorporação de Camilo Santana, Rui Costa e Rafael Fonteles a funções estratégicas da campanha.
A reorganização busca corrigir problemas identificados pela equipe e ampliar a capacidade de mobilização do partido nas semanas anteriores à votação.
Primeira-dama também participa da estratégia digital
Além da presença em comícios, Janja tem defendido uma comunicação mais direta do presidente com os eleitores.
Lula relatou que a primeira-dama já havia sugerido a gravação de vídeos mais espontâneos, em formato de selfie, para publicação nas redes sociais.
A proposta ganhou espaço nas discussões da campanha, que pretende adaptar a linguagem utilizada nas plataformas digitais e ampliar a participação de parlamentares jovens na produção de conteúdos.
A iniciativa integra os esforços para reorganizar a comunicação eleitoral, mas não significa que Janja tenha assumido formalmente a coordenação dessa área.
Próximos passos
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a campanha de Lula deve intensificar compromissos públicos, ampliar a participação de aliados e ajustar sua estratégia de comunicação.
A presença de Geraldo Alckmin poderá ganhar mais destaque nas próximas agendas, conforme defendido por integrantes do PT.
Janja, por sua vez, continuará participando das atividades eleitorais, segundo a manifestação oficial de seu gabinete.
Até o momento, não foi anunciada nenhuma decisão de afastar a primeira-dama ou restringir formalmente sua atuação na campanha.