Segundo turno não perdoa erro: Lula corre para recuperar mulheres, jovens e indecisos. Flávio Bolsonaro chega à reta final na frente, e o PT tenta corrigir em poucas semanas os ruídos de comunicação que carregou do primeiro turno.
O cenário nacional esquentou e a disputa ficou estreita. Para Lula, a conta é de aritmética eleitoral: sem ampliar votos entre jovens, indecisos e mulheres que não o acompanharam no primeiro turno, o caminho se complica.
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Entenda o que aconteceu
Parte expressiva do eleitorado feminino apostou em Flávio Bolsonaro, e não por acaso a maior bancada feminina do Congresso Nacional pertence à direita, não à esquerda. Isso obriga o campo petista a rever a comunicação do primeiro turno.
Temas como as bets e a proposta do cartão de crédito único por família geraram desgaste e expuseram uma regra simples: em campanha, o eleitor não gosta de ouvir de candidato nenhum o que soa como cobrança ou ameaça ao bolso.
A estratégia do PT contra Flávio
Do outro lado, a estratégia do PT é colar em Flávio o desgaste da herança bolsonarista e as investigações do caso Master e de episódios do Rio de Janeiro. Pode surtir efeito, mas associação política não é condenação. A campanha precisa tratar o tema sem atropelar fatos, sob pena de a artilharia virar bumerangue.
A eleição será decidida pelos erros
Com diferença tão curta entre os dois, a eleição passa a ser decidida pela capacidade de evitar gafes e derrapadas. Nos bastidores, avalia-se que a ausência de Lula nos debates do primeiro turno foi um erro, especialmente na reta final. Agora, a decisão é ir aos confrontos.
Nesse cenário complicado, quem errar menos tende a ser o próximo presidente.
O que a história eleitoral mostra
Eleição guarda surpresa, e ninguém deve cravar nada. Mas o dado pesa: desde a redemocratização, quem terminou o primeiro turno na frente nunca perdeu a Presidência no segundo. Flávio ocupa essa posição, e o PT sabe disso.
Internamente, o entendimento é que correções drásticas deixaram de ser opção e viraram necessidade. Até o mercado financeiro já trabalha com a possibilidade concreta de Flávio ser o próximo presidente.
A corrida contra o tempo
O tempo é curto, pouco mais de duas semanas, e o que deveria ter sido feito no primeiro turno precisa ser feito às pressas. Correr atrás do prejuízo é a única saída para manter Lula vivo na disputa e abrir espaço a um eventual quarto mandato.
Difícil, é. Impossível, a urna ainda não disse.