Uma pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira (8) mostra que 40% dos eleitores entrevistados que se abstiveram no primeiro turno das eleições de 2026 afirmam que, com certeza, não pretendem votar no segundo turno, marcado para 25 de outubro. O levantamento também aponta que outros 38% consideram provável faltar novamente às urnas.
Somados, os dois grupos representam 78% dos entrevistados que não participaram da primeira votação e indicaram alguma disposição de continuar ausentes. O dado chama a atenção em meio à disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que buscam ampliar o eleitorado na etapa decisiva.
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O levantamento dividiu os eleitores ausentes no primeiro turno em cinco grupos, conforme a intenção de comparecimento à próxima votação.
- 40%: com certeza não vão votar;
- 38%: provavelmente não vão votar;
- 8%: talvez compareçam às urnas;
- 7%: provavelmente vão votar;
- 7%: com certeza vão votar.
Os números mostram uma diferença expressiva entre aqueles que pretendem continuar ausentes e os que manifestam disposição de participar do segundo turno.
Apesar disso, a pesquisa mede intenções declaradas pelos entrevistados, e não o comparecimento efetivo. O comportamento dos eleitores ainda pode mudar até a votação.
Abstenção ultrapassou 33 milhões de eleitores no primeiro turno
O primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro, registrou aproximadamente 33,5 milhões de eleitores ausentes, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto a votar.
O volume de abstenções ganhou importância no debate eleitoral porque Lula e Flávio Bolsonaro chegaram ao segundo turno sem alcançar a maioria absoluta dos votos válidos.
Flávio terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Com esse cenário, o comparecimento dos eleitores que não votaram no primeiro turno passou a ser um dos fatores observados pelas campanhas.
Pesquisa também ouviu eleitores de candidatos eliminados
Além de investigar a disposição dos eleitores ausentes, o Real Time Big Data avaliou o comportamento de pessoas que votaram em candidatos que ficaram fora do segundo turno.
O levantamento incluiu eleitores de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), além de pessoas que estavam indecisas no primeiro turno.
Entre os eleitores de Renan Santos, 77% declararam já ter definido sua escolha para a nova votação. No grupo que votou em Augusto Cury, 52% indicaram que sua posição ainda poderia mudar, segundo os resultados divulgados.
Esses dados ajudam a identificar diferentes níveis de definição do voto entre segmentos do eleitorado, mas não permitem concluir, isoladamente, qual candidato será beneficiado pela transferência dessas preferências.
Comparecimento será decisivo para dimensionar participação eleitoral
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, os candidatos terão a oportunidade de apresentar propostas, participar de debates e ampliar suas atividades de campanha.
A abstenção representa um desafio para a participação eleitoral, especialmente porque o voto é obrigatório no Brasil para cidadãos alfabetizados entre 18 e 70 anos, salvo as exceções previstas na legislação.
Quem deixou de votar no primeiro turno continua autorizado a participar do segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regular e cumpra os requisitos para votar.
As duas etapas são consideradas eleições independentes para fins de comparecimento e justificativa. Portanto, a ausência na primeira votação não impede automaticamente o eleitor de comparecer à segunda.
Pesquisa ouviu 1.600 pessoas entre 6 e 7 de outubro
O levantamento Real Time Big Data foi realizado entre os dias 6 e 7 de outubro de 2026, com 1.600 entrevistados, distribuídos entre grupos de eleitores de candidatos eliminados, indecisos e pessoas que não votaram no primeiro turno.
A margem de erro informada é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Os percentuais sobre abstenção se referem especificamente ao grupo de entrevistados que declarou não ter votado no primeiro turno, e não ao conjunto de todos os eleitores brasileiros.
O resultado indica uma elevada intenção de ausência nesse segmento, mas a taxa efetiva de abstenção do segundo turno só poderá ser conhecida após a votação de 25 de outubro.