O árbitro de luta livre Gerardo Germán Pineda, conhecido como El Búho, morreu depois de receber um golpe proibido do lutador El Hijo de Fishman durante o evento principal do show “Deslealtades”, no Deportivo 11 de Julio, em Mineral de la Reforma, no estado de Hidalgo, no México. O caso, ocorrido na terça-feira (6), já levou à prisão do atleta e acende um alerta sobre a segurança na modalidade.
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Golpe proibido e morte no ringue
A luta entre El Hijo de Fishman e Máscara Sagrada NG transcorria normalmente quando o lutador decidiu envolver o árbitro no espetáculo. Primeiro ele empurrou Pineda, que reagiu de forma breve, e em seguida o ergueu de ponta cabeça para aplicar o martinete — também chamado de piledriver ou bate-estacas — golpe banido na luta livre por causar graves lesões cervicais.
Pineda foi arremessado violentamente ao chão do ringue. O corpo bateu primeiro, com impacto na região da coluna, e depois a cabeça ricocheteou com força. “O árbitro ficou no chão se contorcendo, aparentemente sentindo dor”, relataram testemunhas que acompanharam a apresentação.
Enquanto o juiz se debatia no tatame, o adversário de El Hijo de Fishman seguia caído após um golpe anterior, e o lutador continuou a luta sem perceber de imediato a gravidade da situação. Paramédicos entraram rapidamente no ringue para prestar socorro, mas o árbitro não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada ainda no local.
Lutador é preso e caso vira investigação criminal
Na quarta-feira (7), El Hijo de Fishman foi detido pelas autoridades mexicanas. “O lutador foi colocado à disposição do Ministério Público”, informaram órgãos de segurança de Hidalgo. A investigação aberta é preliminar e deve apurar se houve responsabilidade criminal na aplicação do golpe proibido que terminou em morte.
Além da esfera penal, o episódio coloca pressão sobre promotores de eventos de luta livre, federações e comissões reguladoras do esporte no México. A tendência é que haja cobrança por protocolos mais rígidos de segurança, fiscalização efetiva da lista de golpes proibidos e treinamento específico de árbitros para lidar com riscos em lutas cada vez mais coreografadas e espetaculares.
Entenda o contexto
O martinete é um dos golpes mais perigosos da luta livre: o oponente (ou, neste caso, o árbitro) é erguido de ponta cabeça e projetado ao solo, com grande risco de dano na coluna cervical e no crânio. Por isso, o movimento é proibido em diversas regras profissionais da modalidade, justamente para evitar quadros de paralisia ou morte.
No ringue, árbitros atuam muito próximos dos lutadores, circulando entre os golpes para fiscalizar regras, contar quedas e declarar o vencedor. Em espetáculos de luta livre, eles às vezes são incorporados à encenação, o que aumenta o risco quando faltam limites claros para o que pode ou não ser feito contra esses profissionais.
O caso ganha ainda mais repercussão porque El Hijo de Fishman é filho de José Ángel Nájera Sánchez, ídolo da luta livre mexicana dos anos 1980, que fez fama com o personagem Fishman. O lutador adotou o nome artístico para dar continuidade ao legado do pai, e agora vê sua trajetória marcada por uma investigação envolvendo a morte de um árbitro em plena apresentação.
Especialistas em regulamentação esportiva avaliam que episódios como esse podem acelerar mudanças nas regras e na fiscalização da luta livre, com exigência de seguros específicos, maior presença de equipes médicas em eventos independentes e penas mais duras para quem descumprir proibições de golpes de alto risco.