A possibilidade de Eduardo Bolsonaro (PL) assumir o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo do irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enfrenta forte resistência dentro da campanha presidencial. Segundo informações publicadas nesta sexta-feira (9) pela jornalista Bela Megale, de O Globo, integrantes da cúpula da campanha afirmam que a chance de o ex-deputado comandar o Itamaraty é “zero”.
A avaliação, no entanto, não é compartilhada por aliados próximos de Eduardo, que acreditam que ele terá influência suficiente para conquistar um cargo de destaque caso Flávio vença a eleição presidencial. A divergência revela uma disputa interna sobre os rumos da política externa brasileira e o espaço que integrantes da família Bolsonaro poderão ocupar em uma eventual administração.
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De acordo com a apuração de Bela Megale, auxiliares de Flávio Bolsonaro afirmam que Eduardo está afastado do núcleo responsável pelas decisões estratégicas da campanha presidencial.
O ex-deputado não participaria diretamente das consultas sobre os rumos da candidatura nem das principais definições políticas conduzidas pelo grupo mais próximo do senador.
Outro fator apontado pelos integrantes da campanha é a percepção de que Eduardo adota posições consideradas radicais por parte dos aliados do candidato. Esse perfil é visto como um possível obstáculo para a condução da diplomacia brasileira.
Na avaliação desse grupo, uma eventual nomeação poderia provocar conflitos políticos e diplomáticos logo no início do governo, especialmente nas relações com países que mantêm posições diferentes das defendidas pelo ex-deputado.
Aliados de Eduardo dizem que ele poderá escolher o cargo que quiser
Apesar da resistência dentro da campanha, pessoas próximas de Eduardo Bolsonaro apresentam uma avaliação oposta sobre seu futuro político.
Segundo a coluna de O Globo, aliados do ex-deputado afirmam que a cúpula da campanha está enganada ao descartar sua participação no governo. Um dos argumentos apresentados é que Eduardo terá condições de ocupar o cargo que desejar caso o irmão seja eleito.
Entre as possibilidades discutidas estão o Ministério das Relações Exteriores e a embaixada brasileira nos Estados Unidos, país onde Eduardo reside desde 2025.
A eventual escolha para qualquer uma dessas funções dependeria de uma decisão de Flávio Bolsonaro, que ainda não anunciou oficialmente quem comandaria a política externa de seu governo.
Eduardo Bolsonaro já sinalizou interesse em comandar a diplomacia
A discussão sobre o futuro de Eduardo no Itamaraty ganhou força depois que o ex-deputado passou a comentar publicamente mudanças que gostaria de implementar na política externa brasileira.
Em vídeo divulgado no início de outubro, Eduardo evitou confirmar uma eventual indicação para o ministério, mas destacou sua interlocução com autoridades internacionais e apresentou propostas para a diplomacia brasileira.
Entre as medidas defendidas estão a transferência da embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, o fortalecimento da aproximação com os Estados Unidos e mudanças na estrutura do Ministério das Relações Exteriores.
Eduardo também mencionou contatos com integrantes do governo norte-americano, incluindo o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, como parte de sua experiência em relações internacionais.
Apesar das declarações, o ex-deputado reconheceu que a escolha dos ministros caberia exclusivamente a Flávio Bolsonaro em caso de vitória eleitoral.
Setores da campanha temem crise diplomática
As resistências à indicação de Eduardo também aparecem em relatos publicados pela CNN Brasil. Integrantes de uma ala mais moderada da campanha avaliam que sua escolha poderia gerar uma crise desnecessária no início de um eventual governo.
O receio é que posicionamentos ideológicos mais rígidos dificultem a relação do Brasil com parceiros comerciais e diplomáticos importantes, especialmente países que mantêm relações estratégicas com o governo brasileiro.
Por outro lado, interlocutores de Eduardo afirmam que a intenção seria ampliar a aproximação com os Estados Unidos sem comprometer os vínculos econômicos com parceiros como a China.
O ex-deputado também tem defendido mudanças na condução do Itamaraty, com maior ênfase em negociações comerciais e na atuação internacional alinhada às prioridades de um eventual governo de Flávio.
Tereza Cristina surge como alternativa para o Ministério das Relações Exteriores
Em meio às divergências sobre Eduardo, o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS) passou a ser defendido por integrantes da campanha como alternativa para comandar o Itamaraty.
Segundo informações publicadas pela CNN Brasil na quinta-feira (8), aliados de Flávio consideram que a parlamentar poderia representar uma escolha de maior consenso, reduzindo o risco de conflitos políticos e diplomáticos.
Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, Tereza Cristina possui experiência em negociações internacionais ligadas ao agronegócio e mantém interlocução com setores empresariais e políticos.
A sugestão, contudo, ainda faz parte das conversas de bastidores. Não existe anúncio oficial de que a senadora tenha sido convidada ou escolhido o cargo.
Definição dependerá do resultado da eleição presidencial
A disputa pelo comando do Ministério das Relações Exteriores acontece enquanto Flávio Bolsonaro busca ampliar apoios políticos para o segundo turno da eleição presidencial.
Embora aliados já discutam nomes para diferentes áreas de um eventual governo, as conversas não representam indicações confirmadas. A formação ministerial dependerá do resultado das urnas e das decisões tomadas pelo candidato caso seja eleito.
Até o momento, Flávio Bolsonaro não anunciou oficialmente Eduardo Bolsonaro, Tereza Cristina ou qualquer outro nome para comandar o Itamaraty.
O cenário expõe uma divergência entre o núcleo político da campanha, que busca evitar desgastes diplomáticos, e os aliados de Eduardo, que defendem seu protagonismo na política externa. A decisão final permanece em aberto.