A propaganda eleitoral gratuita voltou ao rádio e à televisão nesta sexta-feira (9), marcando uma nova etapa da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto a campanha de Flávio pretende concentrar sua comunicação em problemas do cotidiano e propostas de mudança, a equipe de Lula decidiu reforçar alertas sobre possíveis consequências de uma vitória do adversário.
As estratégias refletem a tentativa dos dois candidatos de ampliar o apoio eleitoral antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Flávio busca apresentar soluções para questões como segurança pública, impostos e custo de vida. Já Lula pretende destacar programas sociais, políticas de valorização do salário mínimo e benefícios que, segundo sua campanha, poderiam sofrer alterações em um eventual governo do PL.
A retomada do horário eleitoral ocorre cinco dias após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Flávio terminou a votação com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos, resultado que levou as duas campanhas a reorganizarem suas estratégias para a etapa decisiva.
PT aposta no medo contra Flávio para tentar conquistar votos no 2º turno
Flávio Bolsonaro aposta em problemas do cotidiano e discurso de mudança
A campanha de Flávio Bolsonaro pretende reforçar a imagem do senador como representante de uma mudança política e administrativa. A estratégia inclui aproximar suas propostas de situações enfrentadas diariamente pela população, como o preço dos alimentos, a carga tributária e a violência.
No primeiro programa de rádio do segundo turno, Flávio destacou o apoio de lideranças políticas que participaram da disputa presidencial ou conquistaram mandatos estaduais.
Entre os nomes apresentados estão Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O candidato também voltou a defender o fim da possibilidade de reeleição presidencial, a redução de impostos e gastos públicos e o endurecimento do combate ao crime organizado.
Na área de segurança pública, Flávio apresentou a proposta de construir cinco unidades prisionais de grande porte no país.
Outro ponto da comunicação é a tentativa de afastar preocupações sobre a continuidade de programas sociais. O senador afirmou que pretende manter iniciativas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular.
As declarações representam compromissos de campanha, cuja implementação dependeria de decisões administrativas, disponibilidade orçamentária e, em determinados casos, aprovação do Congresso Nacional.
Lula reforça alertas sobre programas sociais e direitos trabalhistas
A campanha de Lula adotou uma linha diferente para o segundo turno. A orientação é destacar possíveis riscos associados à eleição de Flávio Bolsonaro, principalmente em áreas que afetam diretamente a renda e os serviços utilizados pela população.
A estratégia tem sido descrita por integrantes da campanha como uma tentativa de alertar os eleitores sobre eventuais perdas de benefícios sociais.
Na propaganda eleitoral desta sexta-feira, Lula mencionou o histórico de políticas públicas de governos anteriores e afirmou que uma vitória do adversário poderia representar retrocessos em áreas como educação e assistência social.
O presidente também destacou a defesa do fim da escala de trabalho 6×1, proposta que prevê mudanças na jornada semanal dos trabalhadores.
A campanha petista pretende ampliar as comparações entre os projetos políticos dos dois candidatos e relacionar a disputa presidencial às condições de vida da população.
As advertências feitas por Lula, no entanto, representam argumentos eleitorais sobre possíveis consequências de um futuro governo. Não significam que os cortes mencionados estejam confirmados ou que tenham sido anunciados por Flávio Bolsonaro.
O candidato do PL, por sua vez, nega que pretenda extinguir os principais programas sociais existentes.
Primeiros programas mostram estratégias diferentes
A retomada da propaganda gratuita permitiu que os candidatos apresentassem suas mensagens diretamente aos eleitores, sem a necessidade de depender exclusivamente de entrevistas, debates e publicações nas redes sociais.
Flávio utilizou parte do programa para agradecer os apoios políticos recebidos após o primeiro turno e apresentar o segundo turno como uma oportunidade de mudança.
Lula concentrou sua comunicação na defesa de políticas sociais e na necessidade de conquistar votos de eleitores que não escolheram sua candidatura na primeira etapa.
As diferenças também aparecem na construção das mensagens. Enquanto Flávio procura associar sua candidatura à renovação e à solução de problemas cotidianos, Lula busca estabelecer um contraste entre as políticas de seu governo e as propostas atribuídas ao adversário.
Os dois candidatos ainda deverão ajustar o conteúdo das propagandas conforme a evolução da campanha e a reação dos eleitores.
Como funciona o horário eleitoral no segundo turno?
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão começou nesta sexta-feira (9) e seguirá até 23 de outubro, dois dias antes da votação.
Na disputa presidencial, Lula e Flávio Bolsonaro terão cinco minutos cada um por bloco de propaganda, garantindo divisão igualitária do tempo.
No rádio, os programas são exibidos às 7h e ao meio-dia. Na televisão, os horários são às 13h e às 20h30, considerando o horário de Brasília.
Nos estados em que haverá segundo turno para governador, a propaganda dos candidatos estaduais será exibida após os programas presidenciais. Cada concorrente ao governo também terá cinco minutos por bloco.
Além dos programas em horários fixos, os candidatos poderão utilizar inserções de propaganda ao longo da programação das emissoras, conforme as regras eleitorais.
Pesquisas mostram disputa no segundo turno
A reorganização das campanhas ocorre em meio à divulgação dos primeiros levantamentos de intenção de voto após o primeiro turno.
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (8) mostrou Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto totais, contra 45% de Lula. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o que coloca os candidatos no limite do empate técnico.
Considerando apenas os votos válidos, Flávio registrou 52%, enquanto Lula apareceu com 48%.
O levantamento ouviu 2.520 eleitores entre os dias 6 e 7 de outubro e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02949/2026.
Já a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta sexta-feira (9) apontou Flávio com 52,8% dos votos válidos e Lula com 47,2%.
O levantamento da AtlasIntel ouviu 5.026 pessoas entre os dias 3 e 8 de outubro, com margem de erro de um ponto percentual e registro BR-03663/2026.
Os resultados representam as intenções de voto declaradas pelos entrevistados e não constituem uma previsão do resultado das urnas.
Próximos passos
Com o horário eleitoral novamente em funcionamento, as campanhas terão duas semanas para apresentar propostas, responder às críticas dos adversários e tentar conquistar eleitores que votaram em outras candidaturas no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro deverá continuar destacando propostas relacionadas à economia, segurança pública e mudanças na administração federal. Lula pretende intensificar a defesa dos programas sociais e os alertas sobre possíveis consequências da eleição do adversário.
A propaganda seguirá até 23 de outubro. Dois dias depois, em 25 de outubro, os brasileiros voltarão às urnas para escolher o presidente da República para o mandato de 2027 a 2030.