Justiça determina investigação de ameaças de morte contra deputada eleita Ana Elisa

Governo pede abertura de inquérito e atuação das plataformas digitais após ataques à deputada eleita pelo PT.
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O Ministério da Justiça pediu à Polícia Federal (PF), nesta sexta-feira (9), a abertura de uma investigação sobre as ameaças de morte e estupro recebidas pela deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos. A medida ocorre após a parlamentar denunciar uma sequência de ataques pela internet, que se intensificaram depois de sua entrada na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O pedido foi encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pela Secretaria Nacional de Acesso à Justiça. Além da identificação dos responsáveis, o governo solicitou que as plataformas X e Meta sejam acionadas para colaborar com as investigações e adotar medidas de moderação dos conteúdos relacionados às ameaças.

A intervenção do Ministério da Justiça representa um novo desdobramento do caso, que já vinha sendo investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais. Ana Elisa relatou ter recebido mensagens com ameaças de violência sexual, exposição de dados pessoais e intimidações contra familiares.

Ana Elisa desativa conta no X após ameaças e acusa Nikolas Ferreira de divulgar publicações falsas

Ministério da Justiça vê indícios de ataques organizados

No documento enviado à Polícia Federal, a Secretaria Nacional de Acesso à Justiça afirma que as ameaças estão relacionadas ao posicionamento político de Ana Elisa e à sua participação na campanha presidencial.

A secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, afirmou que existem indícios de uma possível articulação que ultrapassa os limites de Minas Gerais e defendeu uma resposta das forças de segurança.

“A violência contra as mulheres não pode jamais ser permitida ou tolerada. Temos indícios fortes de uma rede para além das fronteiras de Minas Gerais atuando para silenciar a deputada Ana Elisa.”

A declaração não significa que a existência de uma organização criminosa tenha sido comprovada. A investigação deverá esclarecer se os ataques foram coordenados, quem participou das ameaças e se houve atuação conjunta de diferentes pessoas.

O Ministério da Justiça também argumenta que os fatos podem justificar a atuação federal por envolverem ameaças praticadas pela internet, com conteúdo misógino e possível relação com o exercício de direitos políticos.

Deputada desativou perfil após relatar ameaças constantes

Na manhã desta sexta-feira (9), Ana Elisa afirmou que sua equipe decidiu desativar sua conta no X, antigo Twitter, diante do aumento das mensagens de intimidação.

Segundo a deputada eleita, as ameaças chegavam em intervalos de aproximadamente dois minutos e incluíam referências à sua morte e a episódios de violência sexual.

Os ataques ganharam intensidade após uma disputa pública com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que compartilhou imagens de supostas publicações antigas atribuídas à petista sobre igrejas e líderes religiosos.

Ana Elisa negou a autoria dos conteúdos, afirmou que as imagens são falsas e anunciou a intenção de buscar providências na Justiça Eleitoral. A autenticidade das publicações contestadas ainda não foi estabelecida de forma independente.

A parlamentar responsabilizou politicamente adversários pela disseminação das publicações, mas não há comprovação pública de que os políticos mencionados por ela tenham produzido ou ordenado as ameaças.

Ameaças começaram antes da eleição

O caso não começou nesta semana. Em setembro, quando ainda disputava uma vaga na Câmara dos Deputados, Ana Elisa já havia denunciado mensagens com ameaças de morte, estupro e ataques racistas.

Segundo a equipe jurídica da então candidata, um dos remetentes se apresentou como integrante de um grupo supremacista branco e utilizou informações pessoais da jovem e de seus familiares nas mensagens.

A denúncia foi registrada na Polícia Civil de Minas Gerais. A identificação do responsável e a eventual ligação com organizações extremistas ainda dependem de apuração.

Outras candidatas mineiras, como Bella Gonçalves e Andréia de Jesus, também relataram ameaças durante a campanha eleitoral. A semelhança entre os episódios levantou suspeitas sobre possíveis ações coordenadas, mas não comprova que tenham a mesma autoria.

Quem é Ana Elisa?

Natural de Divinópolis, em Minas Gerais, Ana Elisa tem 21 anos, é estudante de Direito e conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados em sua primeira disputa eleitoral.

A petista recebeu 524.219 votos no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, e terminou como a segunda candidata mais votada para deputada federal em Minas Gerais, atrás de Nikolas Ferreira.

Com forte presença nas redes sociais, Ana Elisa passou a integrar a estratégia digital da campanha de Lula para o segundo turno da eleição presidencial.

Na quarta-feira (7), ela participou de uma reunião em Brasília com o presidente e integrantes da equipe de campanha para discutir ações de comunicação nas plataformas digitais.

Próximos passos

Com o pedido do Ministério da Justiça, caberá à Polícia Federal avaliar as providências solicitadas, incluindo a possível abertura de inquérito e a obtenção de informações das plataformas digitais para identificar os autores das ameaças.

A investigação também poderá analisar se existe conexão entre os ataques recentes e as mensagens denunciadas durante a campanha eleitoral.

Até o momento, o encaminhamento do pedido não significa que a PF tenha concluído a identificação dos responsáveis ou comprovado a existência de uma rede organizada de ameaças.

Ana Elisa deve assumir seu mandato na Câmara dos Deputados em 1º de fevereiro de 2027.

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