O governo federal reconheceu a situação de emergência em 36 municípios do Amazonas atingidos por incêndios florestais. A medida, oficializada no sábado (10), permite acelerar a liberação de recursos da União para combater as queimadas e prestar assistência às populações afetadas. O reconhecimento ocorreu poucas horas depois de o governo estadual publicar o decreto de emergência.
A decisão acontece em meio ao agravamento da crise ambiental no estado, que registra aumento expressivo dos focos de calor e enfrenta uma sequência de dias com fumaça intensa. Em Manaus, a qualidade do ar foi classificada como péssima pelo quarto dia consecutivo neste domingo (11), levando à suspensão de atividades e à emissão de alertas à população.
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Reconhecimento federal permite acelerar ajuda ao Amazonas
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) informou que reconheceu a emergência em caráter sumário, procedimento utilizado para acelerar a resposta federal diante da gravidade da situação.
O reconhecimento é uma etapa necessária para que o estado possa solicitar recursos destinados a ações de socorro, assistência humanitária e enfrentamento dos incêndios.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, esteve em Manaus no sábado para acompanhar a organização da força-tarefa.
“Não vai faltar nada: equipamentos, veículos, homens, recursos, tudo o que for preciso será disponibilizado. É assim que o Governo Federal vem fazendo desde 2023”, afirmou o ministro.
O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, declarou que o governo federal vinha discutindo a necessidade do decreto com as autoridades estaduais.
“Estávamos tratando com o Estado do Amazonas há semanas. Tivemos que insistir na celeridade para que o Estado decretasse a emergência e fizesse o pedido de reconhecimento nacional urgentemente”, disse.
Força-tarefa mobiliza aeronaves e brigadistas
O governo federal anunciou o reforço das operações de combate aos incêndios com aeronaves, brigadistas e equipes de diferentes órgãos.
Entre os equipamentos mobilizados estão quatro aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água, e dois helicópteros para apoiar operações em áreas de difícil acesso.
Também foi anunciado o deslocamento de dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), com chegada prevista para este domingo (11) e início das operações de combate na segunda-feira (12).
O estado conta ainda com 290 brigadistas federais mobilizados para enfrentar os focos de incêndio.
Em balanço divulgado neste domingo, o Ministério da Integração informou que a operação conjunta envolve 11 aeronaves, considerando os diferentes equipamentos e missões de apoio.
Estado e União divergem sobre pedidos anteriores de ajuda
A crise também provocou divergências entre autoridades estaduais e federais sobre solicitações anteriores de reforço para o combate ao fogo.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o governo do Amazonas pediu apoio federal em 23 de setembro, mas comunicou em 30 de setembro que a ajuda de uma equipe de brigadistas já não seria necessária, após as chuvas contribuírem para reduzir os focos de incêndio.
Por outro lado, o comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, afirmou que outro pedido, relacionado ao envio de quatro aeronaves, não foi atendido pela União.
As manifestações se referem a solicitações diferentes, encaminhadas a órgãos distintos. A divergência ocorre enquanto os governos ampliam as operações de enfrentamento à crise.
Focos de calor quase quadruplicam em setembro
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o Amazonas registrou 3.726 focos de calor em setembro de 2026, contra 942 no mesmo mês de 2025.
O número representa um aumento de aproximadamente 296% em um ano, ou quase quatro vezes o total registrado anteriormente.
Em outubro, o estado já contabilizava 1.326 focos de calor até o levantamento divulgado neste domingo, superando os 874 registrados no mesmo período de referência informado para o ano passado.
A combinação de estiagem, vegetação seca e condições meteorológicas favoráveis à propagação das chamas dificulta o controle dos incêndios em diferentes regiões do estado.
Fumaça provoca suspensão de atividades em Manaus
Além dos danos ambientais, as queimadas têm afetado diretamente a saúde e a rotina da população.
Manaus amanheceu neste domingo com a qualidade do ar classificada como péssima pelo quarto dia consecutivo. Outros municípios da Região Metropolitana também apresentaram níveis elevados de poluição.
Na sexta-feira (9), a prefeitura suspendeu aulas da rede municipal e atividades presenciais em órgãos públicos. Eventos municipais ao ar livre também foram suspensos preventivamente até segunda-feira (12).
A fumaça contém partículas finas que podem provocar irritação nos olhos, tosse, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com problemas pulmonares.
As autoridades recomendam reduzir a exposição ao ar livre durante os períodos de maior concentração de fumaça e acompanhar os alertas dos órgãos de saúde e defesa civil.
Quais são as 36 cidades em situação de emergência?
O decreto estadual, reconhecido pelo governo federal, abrange municípios da Região Metropolitana de Manaus, do sul do Amazonas e de outras áreas atingidas pelos incêndios.
As cidades incluídas são:
- Autazes, Careiro, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manacapuru, Manaquiri, Manaus, Novo Airão, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Silves;
- Apuí, Boca do Acre, Borba, Canutama, Humaitá, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Pauini e Tapauá;
- Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Caapiranga, Coari, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Maués, Nova Olinda do Norte, Parintins, Tefé e Urucurituba.
Recursos federais serão destinados ao combate aos incêndios
Segundo o Ministério da Integração, o Amazonas já recebeu R$ 34,7 milhões dos R$ 45 milhões previstos no projeto ProAmazon, destinado ao fortalecimento da estrutura do Corpo de Bombeiros Militar para prevenção e combate a incêndios.
O estado ainda dispõe de aproximadamente R$ 10 milhões vinculados ao projeto.
O governo federal informou também que repassou R$ 372 milhões ao Amazonas desde 2023 para ações relacionadas a desastres, incluindo assistência humanitária, reconstrução e restabelecimento de serviços essenciais. Esse valor não corresponde exclusivamente ao combate aos incêndios atuais.
Com o reconhecimento da situação de emergência, o governo estadual poderá formalizar novas solicitações de recursos para ampliar a resposta à crise.
As próximas ações incluem o reforço das equipes em campo, a ampliação das operações aéreas e o monitoramento da qualidade do ar nas cidades afetadas.