Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), em que monitora o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) aponta um recuo de 1,3 ponto em setembro quando comparado ao resultado de agosto. No oitavo mês do ano, a pontuação chegou a 95,7 pontos, permanecendo abaixo do nível de 100 pontos, que indica a divisão entre pessimismo e otimismo.
O resultado acompanha a piora na percepção dos lojistas sobre as condições atuais da economia. Entre os entrevistados, 79% afirmaram que a situação econômica do país piorou, enquanto 68,1% avaliaram negativamente o desempenho do comércio. Outros 52,6% disseram que as condições dos próprios estabelecimentos também se deterioraram.
O Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec), que reúne essas avaliações, caiu dois pontos e chegou a 69,7 em setembro.
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Juros altos e endividamento das famílias preocupam comerciantes
A economista da Fecomércio-MG, Gabriela Martins, atribui parte da avaliação negativa ao custo do crédito e ao comprometimento da renda das famílias. Segundo ela, os juros elevados dificultam tanto o consumo quanto os investimentos das empresas, enquanto o endividamento limita a capacidade de compra dos consumidores.
“O crédito, como podemos observar, tem encarecido e impactado no poder de compra do consumidor. Logo, isso interfere na possibilidade de realizar um eventual investimento”, aponta.
Ela também ressalta que o enfraquecimento do poder de compra contribui para o aumento das dívidas do consumidor comprometendo a renda do lar. “Compromete a renda da família, assim como também reflete no desempenho do comércio da capital”, avalia.
Ainda segundo o levantamento, a taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano, após cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual promovidas pelo Banco Central. O corte mais recente ocorreu em setembro, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa de 14% para 13,75%. Apesar da sequência de quedas, o patamar continua elevado e influencia as condições de financiamento e parcelamento no comércio.
Cautela do consumidor ‘respinga’ em comerciantes
A percepção de cautela também aparece no Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iiec), que diminuiu de 100,5 pontos em agosto para 99,7 em setembro. O resultado indica que os comerciantes estão menos dispostos a ampliar investimentos, mesmo diante da expectativa de melhora nas vendas nos próximos meses.
Segundo Gabriela Martins, o período eleitoral também contribui para a cautela de empresários e consumidores, diante das incertezas sobre as políticas econômicas que serão adotadas nos próximos anos.
Quais as perspectivas para o fim de ano?
Apesar da avaliação negativa sobre o presente, os comerciantes de Belo Horizonte mantêm expectativas favoráveis para os próximos meses. O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec) ficou em 117,6 pontos em setembro, acima da marca de 100 pontos, embora tenha recuado 1,3 ponto na comparação com agosto.
A expectativa está relacionada ao calendário comercial do último trimestre, marcado pelo Dia das Crianças, pela Black Friday e pelo Natal. O período costuma concentrar parte importante das vendas do varejo, impulsionado também pelo pagamento do 13º salário.
Para a economista da Fecomércio-MG, a perspectiva de aumento das vendas ajuda a sustentar o otimismo dos empresários, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo setor.
“Há um certo otimismo, uma boa confiança, mas ainda é tímida. Tudo vai depender do resultado das eleições que implicam na conjuntura e no momento político do país”, diz a especialista.