Incêndios aumentam 271% e colocam 36 cidades do Amazonas em emergência

Governo federal mobiliza aeronaves e brigadistas para combater as chamas; fumaça compromete a qualidade do ar e afeta a rotina da população.
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O Amazonas enfrenta uma grave crise ambiental provocada pelo avanço dos incêndios florestais. Nos dez primeiros dias de outubro, o estado registrou 1.380 focos de incêndio, um aumento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 372 ocorrências. Diante da situação, o governo federal reconheceu estado de emergência em 36 municípios.

O reconhecimento foi oficializado no sábado (10) pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), poucas horas depois da publicação do decreto estadual. A medida permite acelerar a liberação de recursos federais para o combate às queimadas e a assistência às populações atingidas.

Além do avanço das chamas, a fumaça tem comprometido a qualidade do ar em Manaus e em cidades do interior. A capital amazonense registrou índices considerados péssimos de poluição, levando à suspensão de aulas e eventos públicos. Uma força-tarefa nacional foi mobilizada para reforçar as operações de combate aos incêndios.

Manaus e outros cinco municípios têm qualidade do ar péssima por causa da fumaça

Força-tarefa mobiliza aeronaves e brigadistas

O governo federal anunciou o reforço das operações de combate aos incêndios com oito aeronaves, incluindo quatro aviões Air Tractor, dois helicópteros e dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB).

As aeronaves militares tinham chegada prevista para domingo (11), com início das operações programado para esta segunda-feira (12). Até o momento, não há confirmação de que todos os equipamentos já estejam em atividade.

O Amazonas também conta com 290 brigadistas federais que atuam no enfrentamento das chamas. O Ministério do Meio Ambiente anunciou ainda a mobilização de aproximadamente 300 profissionais do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para reforçar os trabalhos.

O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, esteve em Manaus para acompanhar a organização da força-tarefa e discutir as medidas emergenciais com autoridades estaduais.

Focos de incêndio crescem e atingem áreas públicas

Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), mostram que a maior parte dos incêndios registrados nos dez primeiros dias de outubro ocorreu em áreas públicas.

Moradores recebem mensagens de alerta sobre incêndios

Moradores de regiões afetadas pela fumaça também estão recebendo mensagens atribuídas ao governo federal, com alertas sobre os riscos dos incêndios florestais e orientações para proteger a saúde. Os comunicados são personalizados com o nome do destinatário e informam sobre os cuidados necessários durante os períodos de maior concentração de fumaça.

Em uma das mensagens recebidas por moradores, o alerta destaca os riscos respiratórios provocados pela poluição e recomenda medidas de proteção.

“Sua região está sob alerta de incêndios. A fumaça pode causar problemas respiratórios.”

Entre as orientações estão dar preferência ao uso de máscaras ao sair de casa, manter portas e janelas fechadas nos momentos de maior concentração de fumaça, evitar exercícios físicos ao ar livre e beber água regularmente.

O comunicado também recomenda atenção especial a crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, que devem evitar a exposição à fumaça. Em caso de sintomas respiratórios ou necessidade de atendimento, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o serviço de emergência mais próximo.

Além dos cuidados com a saúde, a mensagem reforça medidas para prevenir novos incêndios, como não utilizar fogo em pastagens, não queimar lixo, não acender fogueiras e não soltar balões.

O alerta informa ainda os canais para comunicar ocorrências: Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, e Ibama, pelo número 0800 061 8080.

A mensagem também oferece ao destinatário a possibilidade de deixar de receber comunicados sobre o tema, mediante o envio da palavra “SAIR”.

O envio desses alertas representa mais uma medida de orientação à população durante o período de queimadas, quando a exposição prolongada à fumaça pode agravar doenças respiratórias e provocar outros problemas de saúde.

Das 1.380 ocorrências identificadas, 1.186 foram registradas nessas áreas, enquanto 93 atingiram propriedades privadas e outras 101 ocorreram em locais sem definição territorial.

O levantamento também apontou que 174 focos estavam relacionados ao desmatamento. Para os demais registros, o sistema não indicou uma causa específica.

Até domingo (11), o monitoramento contabilizava 1.521 incêndios ativos registrados desde o início do mês.

A estiagem e as condições climáticas desfavoráveis contribuem para a propagação das chamas, dificultando o trabalho das equipes que atuam nas regiões atingidas.

Fumaça provoca suspensão de atividades em Manaus

A crise ambiental também tem afetado diretamente a saúde e a rotina dos moradores. Em Manaus, a fumaça dos incêndios provocou uma sequência de dias com qualidade do ar classificada como péssima.

Na sexta-feira (9), a prefeitura suspendeu aulas da rede municipal e atividades presenciais em órgãos públicos. Eventos municipais ao ar livre também foram suspensos preventivamente até esta segunda-feira (12).

O problema não ficou restrito à capital. Municípios da Região Metropolitana de Manaus também apresentaram concentrações elevadas de partículas poluentes, aumentando os riscos de problemas respiratórios.

Entre as principais orientações das autoridades estão evitar atividades físicas ao ar livre, manter portas e janelas fechadas durante os períodos de maior concentração de fumaça, utilizar máscaras adequadas e reforçar a hidratação.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias precisam de atenção especial. Em caso de falta de ar ou agravamento dos sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico.

Recursos federais para enfrentar a crise

O reconhecimento da situação de emergência permite que o governo estadual solicite recursos da União para ações de socorro, assistência humanitária e restabelecimento de serviços essenciais.

Segundo o Ministério da Integração, o governo federal disponibilizou R$ 45 milhões ao Amazonas desde 2024, por meio do projeto ProAmazon, destinado ao fortalecimento da estrutura do Corpo de Bombeiros Militar.

Desse valor, R$ 34,7 milhões já foram recebidos pelo estado, enquanto aproximadamente R$ 10 milhões permanecem disponíveis para utilização.

O ministério informou ainda que destinou R$ 372 milhões ao Amazonas entre 2023 e outubro de 2026 para ações relacionadas a desastres. O montante inclui assistência humanitária, reconstrução e recuperação de serviços, não sendo exclusivo para os incêndios atuais.

Próximos passos

As próximas ações devem concentrar esforços na ampliação do combate aéreo, no deslocamento de brigadistas e no monitoramento dos municípios mais afetados.

A expectativa é que o reforço federal aumente a capacidade de resposta das equipes que já trabalham no estado. Entretanto, o controle dos incêndios dependerá também das condições climáticas e da evolução dos focos de fogo.

Enquanto as operações avançam, as autoridades seguem monitorando a qualidade do ar e orientando a população sobre os cuidados necessários para reduzir os riscos à saúde.

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