A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, no sábado (10), um funcionário público suspeito de atuar como um dos principais articuladores de uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes. A prisão ocorreu na Gávea, Zona Sul da capital fluminense, durante a segunda fase de uma operação conduzida pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV).
Além do servidor, uma mulher foi presa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo os investigadores, o grupo utilizava aplicativos de mensagens para negociar o acesso a crianças e adolescentes em troca de dinheiro, aparelhos celulares e outras vantagens. Uma terceira suspeita permanecia foragida até a última atualização das informações divulgadas.
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Funcionário público é apontado como articulador do esquema
O servidor público Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, foi localizado pelos policiais na Gávea. De acordo com a investigação, ele teria participado do agenciamento das vítimas e da organização de encontros relacionados aos crimes investigados.
As apurações indicam que integrantes da rede utilizavam conversas por aplicativos de mensagens para oferecer crianças e adolescentes de ambos os sexos em troca de pagamentos e benefícios materiais.
Entre as vantagens mencionadas pelos investigadores estão a compra de aparelhos celulares e o financiamento de eventos. A polícia também apura a realização de festas nas quais teriam ocorrido episódios de violência sexual.
Mulher também é presa durante a operação
Na mesma ação, agentes da DCAV prenderam uma mulher em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ela é investigada por suspeita de participação no recrutamento de vítimas e na organização dos encontros.
As prisões ocorreram mediante ordens judiciais, e os agentes também realizaram buscas para reunir elementos relacionados à atuação dos investigados.
A Polícia Civil continua procurando uma terceira suspeita, apontada como possível integrante da rede.
Investigação começou com prisão de professor universitário
A operação é um desdobramento da investigação contra o advogado e professor universitário Cordovil Antônio Nogueira Martins, preso preventivamente desde março de 2026.
Segundo a Polícia Civil, o aprofundamento das diligências permitiu identificar outras pessoas suspeitas de participar do aliciamento, transporte e exploração sexual das vítimas.
O professor é apontado em outra etapa da investigação como principal responsável pelos abusos apurados. Já o funcionário público preso no sábado é investigado por sua possível atuação na articulação da rede.
A apuração busca esclarecer a função de cada envolvido e identificar outras pessoas que possam ter participado dos crimes.
Polícia apura participação de responsáveis pelas vítimas
Os investigadores também apuram suspeitas de que mães tenham facilitado a exploração sexual das próprias filhas em troca de dinheiro ou benefícios materiais.
As autoridades não divulgaram informações que permitam identificar as vítimas, preservando a identidade das crianças e adolescentes envolvidos.
As suspeitas incluem crimes de estupro de vulnerável, favorecimento à exploração sexual e outras infrações relacionadas à violência sexual contra crianças e adolescentes.
Investigações continuam no Rio de Janeiro
A Polícia Civil segue analisando mensagens, registros financeiros e materiais apreendidos para esclarecer a extensão da rede investigada e identificar possíveis novas vítimas.
Os elementos reunidos também deverão auxiliar na apuração da responsabilidade individual dos suspeitos. As acusações ainda dependem de análise judicial, e as prisões não representam condenação definitiva.
Denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100, serviço gratuito que recebe informações sobre violações de direitos humanos em todo o país.