Flávio Bolsonaro (PL) associou criminosos ao eleitorado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apresentou propostas para a segurança pública durante um evento de apoio à sua candidatura, realizado nesta terça-feira (13), em São Paulo. Diante de lideranças do MDB, o senador afirmou que integrantes de facções criminosas teriam preferência pela reeleição do petista e prometeu ampliar o uso de tecnologia para combater a criminalidade.
O candidato questionou em quem integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e autores de roubos votariam no segundo turno. Em seguida, afirmou que essas pessoas se sentiriam protegidas pelo atual governo.
As declarações ocorreram durante o encontro que formalizou o apoio da maioria dos diretórios estaduais do MDB à candidatura do senador. Flávio também elogiou o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), criticou medidas econômicas anunciadas por Lula e detalhou propostas para um eventual governo.
Ricardo Nunes diz que apoio do MDB a Flávio Bolsonaro representa “grande frente ampla”
Flávio associa criminosos a Lula e promete ampliar combate às facções
Durante o discurso, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende classificar como terroristas organizações criminosas que dominam territórios, intimidam moradores e tentam substituir a atuação do Estado em determinadas regiões.
O senador também relacionou a criminalidade à disputa presidencial e orientou apoiadores a utilizarem o tema em conversas com eleitores.
“Em quem vocês acham que os integrantes do PCC vão votar? Em Flávio Bolsonaro ou em Lula?”
Na sequência, o candidato afirmou que pessoas envolvidas em roubos de celulares votariam em Lula por se sentirem protegidas.
“Vai votar no Lula, porque ele representa o sentimento desses criminosos. Eles se sentem protegidos. E estão morrendo de medo de Flávio Bolsonaro ser presidente da República.”
Entre as propostas apresentadas, Flávio prometeu implantar dois milhões de câmeras com tecnologia de reconhecimento facial e integrar equipamentos de monitoramento de municípios e estados a bancos de dados nacionais.
Segundo o candidato, o sistema permitiria cruzar informações sobre mandados de prisão em aberto e registros de veículos roubados, facilitando o trabalho das forças policiais.
A proposta ainda dependeria de regulamentação, recursos e mecanismos de proteção de dados pessoais. Flávio não detalhou o custo da implantação nem o prazo necessário para colocar o sistema em funcionamento.
Candidato elogia Ricardo Nunes e agradece apoio do MDB
Flávio também dedicou parte do discurso ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, um dos principais articuladores do apoio de integrantes do MDB à candidatura presidencial do PL.
O senador afirmou que passou a admirar a atuação do prefeito, apesar das críticas feitas anteriormente por setores bolsonaristas à sua administração.
“Você é um cara que, além de uma pessoa muito inteligente, muito preparada, você é um agregador, e mais, você cala a boca de todo mundo com trabalho.”
Flávio agradeceu ainda ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e destacou a importância da participação de prefeitos, parlamentares e dirigentes partidários em sua campanha.
O apoio do MDB, entretanto, não representa uma adesão unânime da legenda. Enquanto 17 diretórios estaduais manifestaram apoio ao senador, outros dez declararam preferência pela reeleição de Lula.
A divisão ocorre depois de o partido ter adotado uma posição de neutralidade no primeiro turno das eleições.
Ministério da Prosperidade e propostas para endividados
Na área econômica, Flávio voltou a defender a criação de um Ministério da Prosperidade, que teria como objetivo reunir iniciativas de assistência social, incentivo ao empreendedorismo e redução do endividamento.
O candidato afirmou que pretende manter o Bolsa Família, mas defendeu políticas que permitam aos beneficiários ampliar a renda e reduzir gradualmente a dependência de programas sociais.
Entre as propostas mencionadas, está a concessão de seis meses de carência para pessoas físicas endividadas e de até um ano para microempreendedores individuais que contratarem financiamentos.
Segundo Flávio, a intenção é permitir que pequenos empresários retomem os pagamentos depois de conseguirem organizar suas atividades financeiras.
O senador não detalhou quais instituições participariam do programa, as taxas de juros previstas ou o impacto fiscal das medidas.
Flávio critica anúncios de Lula para microempreendedores
O candidato também criticou o pacote de medidas anunciado pelo governo federal para microempreendedores individuais, conhecido como Prospera MEI.
Entre as iniciativas apresentadas pelo governo estão propostas de renegociação e perdão de determinadas dívidas tributárias, ampliação do limite de faturamento da categoria e incentivo financeiro para pequenos negócios.
Flávio questionou o momento escolhido para os anúncios, feitos a menos de duas semanas do segundo turno presidencial, e acusou Lula de tentar conquistar votos com benefícios econômicos.
“Por que não fez em quatro anos?”
O senador afirmou que os microempreendedores enfrentaram dificuldades durante o atual mandato, especialmente por causa do custo do crédito e da carga tributária.
As críticas fazem parte do discurso eleitoral do candidato. O anúncio de medidas econômicas durante a campanha não comprova, por si só, a acusação de compra de votos.
Educação e atendimento a crianças autistas
Outro tema abordado foi a inclusão de crianças com transtorno do espectro autista na rede pública de ensino.
Flávio defendeu a criação de salas sensoriais em escolas, com iluminação reduzida e ambientes preparados para acolher estudantes durante momentos de crise ou sobrecarga sensorial.
O candidato afirmou que pretende trabalhar com prefeitos e governadores para financiar a estrutura e ampliar a capacitação de professores.
Segundo ele, a proposta busca melhorar o atendimento aos estudantes e evitar que familiares precisem interromper suas atividades profissionais sempre que a criança necessitar de acolhimento especializado.
Críticas ao STF e defesa do fim da reeleição
Flávio também criticou a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que pretende defender as instituições democráticas caso seja eleito presidente.
O senador acusou integrantes da Corte de interferência política e questionou decisões judiciais relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As acusações foram apresentadas sem demonstração de irregularidades específicas durante o discurso.
Em outro momento, Flávio afirmou que é autor de uma proposta de emenda à Constituição para acabar com a possibilidade de reeleição presidencial.
Ele defendeu que um presidente deve concentrar sua gestão na execução de políticas públicas, sem a necessidade de disputar um segundo mandato consecutivo.
Campanha mira mobilização para o segundo turno
Na reta final do discurso, Flávio pediu que seus apoiadores intensifiquem a campanha nas ruas e conversem com eleitores indecisos ou que não participaram da primeira votação.
O candidato afirmou que a eleição ainda está em disputa e que o resultado dependerá da mobilização até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Flávio também convocou apoiadores para um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, previsto para domingo (18), às 11h.
O evento deverá reunir integrantes de sua campanha e lideranças políticas que apoiam sua candidatura.
A disputa presidencial segue entre Flávio Bolsonaro e Lula, com os dois candidatos buscando ampliar alianças partidárias e conquistar votos na etapa decisiva da eleição.