MDB declara apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno

17 das 27 direções estaduais apoiam o candidato do PL; dez diretórios do Norte e Nordeste declararam apoio a Lula
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O MDB oficializou nesta terça-feira (13), em São Paulo, o apoio da maioria de seus diretórios estaduais à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Dos 27 diretórios da legenda, 17 declararam apoio ao candidato do PL, enquanto outros dez anunciaram apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O anúncio foi feito pelo presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, em um evento realizado no escritório político do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Também participaram o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o vice-governador Felício Ramuth (MDB), além de parlamentares e outras lideranças políticas.

Apesar da maioria favorável a Flávio, o MDB não adotou uma posição unificada. Os diretórios estaduais mantiveram liberdade para escolher entre os dois candidatos ou optar pela neutralidade, em razão da divisão interna da legenda.

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Baleia Rossi afirmou durante o evento que representava os 17 diretórios estaduais que decidiram apoiar Flávio Bolsonaro na segunda etapa da eleição.

“Sou porta-voz aqui desses 17 diretórios que, unidos a Flávio, definimos ao lado do nosso governador Tarcísio de Freitas, do nosso vice-governador Felício Ramuth e do nosso grande prefeito Ricardo Nunes.”

O apoio reúne principalmente diretórios das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Entre os estados que aderiram à candidatura estão São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Goiás.

A articulação ganhou força nos últimos dias com a participação de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes nas conversas com a direção nacional do MDB. A decisão também ocorre depois de outras siglas que haviam adotado neutralidade no primeiro turno declararem apoio a Flávio.

MDB não fecha questão nacional

Apesar do anúncio da maioria dos diretórios, a decisão não significa que todos os integrantes do MDB estejam apoiando Flávio Bolsonaro.

A própria estrutura interna da legenda permite que os diretórios estaduais adotem posições diferentes. Com isso, parlamentares, governadores, prefeitos e outras lideranças podem manifestar apoio a Lula ou a Flávio de acordo com seus posicionamentos e alianças regionais.

O cenário também impede que o apoio dos 17 diretórios seja interpretado como uma transferência automática dos votos recebidos pelo MDB ou por seus candidatos no primeiro turno.

Dez diretórios anunciam apoio a Lula

Enquanto a maioria dos diretórios se posicionou a favor de Flávio, dez diretórios estaduais do MDB declararam apoio à reeleição de Lula.

O grupo reúne Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia. São estados em que lideranças do MDB mantêm alianças políticas com o governo federal e com o campo político ligado ao presidente.

Em nota conjunta, os dirigentes afirmaram que a decisão representa uma defesa da democracia e da continuidade de políticas sociais do governo Lula.

O movimento evidencia o racha regional do MDB e mostra que a disputa presidencial também atravessa alianças locais construídas pelo partido ao longo dos últimos anos.

Divisão regional influencia posicionamento

A divisão entre os diretórios acompanha, em grande medida, diferenças políticas entre as regiões do país. Enquanto lideranças do Sul, Sudeste e Centro-Oeste se aproximaram da candidatura de Flávio, diretórios do Norte e Nordeste mantiveram alianças com Lula.

Entre os nomes associados ao grupo que apoia o petista estão lideranças como Helder Barbalho, no Pará, e integrantes do MDB de Alagoas, além de outros dirigentes estaduais.

O posicionamento mostra que o MDB chega ao segundo turno dividido, sem uma orientação única capaz de obrigar todos os integrantes da legenda a seguir o mesmo candidato.

Baleia Rossi cita cinco pontos de convergência

Durante o anúncio, Baleia Rossi apresentou cinco temas que, segundo ele, aproximam parte do MDB da candidatura de Flávio Bolsonaro.

Entre os pontos citados estão a responsabilidade e a melhoria da qualidade dos gastos públicos, com ênfase na área social; a valorização do agronegócio; o fortalecimento dos municípios e dos estados; a segurança pública e o combate ao crime organizado com uso de tecnologia; e a pacificação nacional.

O presidente do MDB também destacou a defesa da democracia como um dos princípios considerados importantes pela legenda.

“Nós precisamos pacificar esse país e, claro, a defesa incondicional da nossa democracia. A democracia que está no DNA do MDB.”

Presidente do MDB compara proposta às gestões de SP

Baleia Rossi também afirmou que espera que um eventual governo de Flávio Bolsonaro tenha características semelhantes às administrações de Ricardo Nunes, na Prefeitura de São Paulo, e Tarcísio de Freitas, no governo estadual.

O dirigente citou a execução de políticas públicas, a preocupação com a população e a busca por crescimento econômico como pontos que considera positivos nas duas administrações.

“Nós queremos um governo federal que seja como a gestão do prefeito Ricardo Nunes, que entregue política pública, que se preocupe com as pessoas, que melhore a vida de todos.”

Flávio amplia apoio de partidos no segundo turno

O apoio da maioria dos diretórios do MDB se soma a uma sequência de adesões conquistadas por Flávio Bolsonaro desde o primeiro turno.

O candidato do PL já recebeu apoio formal do Republicanos, do Podemos e da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. Também recebeu manifestações individuais de apoio de candidatos derrotados na primeira etapa, entre eles Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).

O Novo também anunciou apoio ao candidato do PL, enquanto o PSD manteve uma posição nacional de neutralidade, apesar do apoio de Caiado.

Tarcísio e Ricardo Nunes participaram da articulação

O governador reeleito de São Paulo e o prefeito da capital tiveram participação nas articulações para aproximar o MDB da campanha de Flávio.

Ricardo Nunes, que é integrante do partido, já havia defendido publicamente a formação de uma “grande frente ampla” em torno do candidato do PL. Tarcísio, por sua vez, participou das conversas com Baleia Rossi e outras lideranças da legenda.

A presença dos dois no anúncio reforçou o peso político de São Paulo na construção do apoio majoritário do MDB.

Segundo turno tem disputa por alianças

A movimentação do MDB acontece durante uma etapa da eleição marcada pela busca de apoio de partidos, governadores, prefeitos e lideranças regionais.

Flávio terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%, segundo os resultados eleitorais. Os dois avançaram para o segundo turno da eleição presidencial.

Desde então, as campanhas intensificaram as negociações políticas. O objetivo das alianças é ampliar a presença dos candidatos nos estados e fortalecer a mobilização de lideranças locais.

O apoio partidário, no entanto, não determina automaticamente o voto dos eleitores. A decisão final sobre a Presidência da República será tomada nas urnas no segundo turno.

MDB mantém divisão até a votação

Com 17 diretórios apoiando Flávio e dez apoiando Lula, o MDB entra na segunda etapa da eleição sem uma posição nacional uniforme.

A divisão permite que as lideranças regionais atuem de acordo com suas alianças locais, enquanto a direção nacional apresenta a adesão da maioria dos diretórios ao candidato do PL.

O cenário transforma o MDB em mais uma das grandes legendas que chegam ao segundo turno divididas, ao mesmo tempo em que amplia a rede de alianças construída pelas duas campanhas.

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