O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira (13), a 12 dias do segundo turno das eleições, a criação do programa Pé-de-Meia Universitário, que promete pagar bolsa mensal de R$ 700 e formar uma poupança anual de R$ 2.500 para estudantes de universidades públicas e beneficiários do Prouni, a partir de um eventual novo mandato.
Gravado em um vídeo-selfie ao lado de jovens, o anúncio mira diretamente estudantes de baixa renda e prevê que, ao fim de um curso de quatro anos, o universitário possa acumular R$ 10 mil para o início da vida profissional. A proposta está desenhada para começar em 2027 e depende da reeleição de Lula.
Como será o funcionamento do Pé-de-Meia universitário com bolsa de R$ 700?
O Pé-de-Meia Universitário prevê o pagamento de R$ 700 por mês durante dez meses do ano letivo, somado a um depósito anual de R$ 2.500 em uma espécie de poupança vinculada ao estudante, que só poderá ser sacada ao fim da graduação.
Na prática, o aluno receberá o valor mensal para custear despesas correntes — como transporte, alimentação e material — e, ao final de cada ano, verá a reserva crescer com os R$ 2.500 adicionais. Em um curso de quatro anos, essa poupança chega a R$ 10 mil.
“Estou aqui com os estudantes universitários brasileiros, garantindo para eles que a gente está criando para o próximo governo o Pé-de-Meia Universitário. Garantindo que todo jovem estudante das escolas universitárias vão receber R$ 700 de poupança por mês durante dez meses e ao fim do ano depositaremos R$ 2.500. Como o curso é de quatro anos, quatro vezes de R$ 2,5 mil dá R$ 10 mil. Quando ele se formar, vai ter R$ 10 mil para começar a sua iniciação profissional”, disse Lula.
Segundo o presidente, a proposta combina apoio imediato, para permitir a permanência na universidade, com a formação de um colchão financeiro para a transição ao mercado de trabalho, após a conclusão do curso.
Quem tem direito ao Pé-de-Meia universitário prometido por Lula?
Pelo desenho apresentado até agora, o Pé-de-Meia Universitário será voltado a estudantes de universidades públicas federais e estaduais e a beneficiários do Prouni matriculados no ensino superior.
O governo ainda não divulgou critérios detalhados de seleção, mas a ideia central é priorizar jovens de baixa renda matriculados em graduação, tanto em cursos de bacharelado quanto em licenciatura. A estimativa é atender cerca de 1 milhão de universitários em 2027, no primeiro ano de execução.
Entenda o contexto
O novo programa expande uma política já em curso. O Pé-de-Meia foi lançado inicialmente para alunos do ensino médio da rede pública, com auxílio mensal de R$ 200 e poupança anual de R$ 1 mil, condicionados a critérios de frequência e desempenho. Segundo a campanha de Lula, essa política ajudou a reduzir em 63% a evasão escolar entre os beneficiados.
Com o anúncio de hoje, o governo tenta levar a mesma lógica para o ensino superior: garantir renda mínima mensal e reservar um valor acumulado para ser usado após a formatura, reduzindo abandonos por falta de dinheiro durante a graduação.
Custo, fonte de recursos e alcance previsto
O senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e integrante da coordenação da campanha, detalhou que o Pé-de-Meia Universitário demandará cerca de R$ 4,6 bilhões por ano, com metade desse montante vinda do Fundo Social do Pré-Sal.
“Agora no video-selfie ele lançou uma proposta para o quarto mandato, que da mesma forma que lançou Pé-de-Meia para ensino médio, que reduziu 63% de evasão escolar, ele agora amplia para aluno da universidade pública. Vai garantir para uma parcela dos alunos permanecerem na universidade. Programa para garantir que nenhum jovem interrompa o sonho de concluir a universidade. Será R$ 700 a bolsa por dez meses ao ano. E a poupança de R$ 2,5 mil ao ano. Tem que passar de ano e ao final de quatro anos, poderá ter R$ 10 mil na poupança pra começar sua vida profissional”, afirmou Camilo.
O senador disse ainda que a meta é alcançar inicialmente 1 milhão de estudantes em 2027, com possibilidade de ampliação nos anos seguintes, conforme a disponibilidade orçamentária e a capacidade de gestão do programa.
Impacto eleitoral e próximos passos
Anunciado a menos de duas semanas do segundo turno, o Pé-de-Meia Universitário reforça o discurso de Lula de que a educação é prioridade em um eventual novo mandato e mira especialmente o eleitorado jovem e famílias de baixa renda.
A medida, porém, ainda é uma promessa de campanha. Para sair do papel, dependerá da vitória de Lula, da inclusão dos R$ 4,6 bilhões no Orçamento e da regulamentação dos critérios para concessão das bolsas e da poupança. O uso do Fundo Social do Pré-Sal como fonte de parte dos recursos tende a alimentar o debate sobre prioridades de gasto e sustentabilidade fiscal do programa no médio e longo prazo.