Embalado por cinco jogos sem derrota e com o jogo de volta judicialmente garantido no Maracanã, o Vasco enfrenta o Boca Juniors nesta terça-feira, às 21h30 (de Brasília), na Bombonera, em Buenos Aires, pela ida das semifinais da Copa Sul-Americana. A partida abre um confronto cercado por decisões na Justiça, desfalques dos dois lados e uma mobilização incomum da torcida vascaína na Argentina.
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Justiça garante Maracanã lotado na volta
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou que a partida de volta, marcada para o dia 20 de outubro, será no Maracanã, atendendo a novo pedido do Vasco e a manifestação do Ministério Público do Rio de Janeiro. Com a decisão, o clube retomou a venda de ingressos e já ultrapassa a marca de 45 mil entradas vendidas, com o setor Sul esgotado e cerca de quatro mil bilhetes reservados para torcedores argentinos.
No pedido, o procurador-geral de Justiça, José Campos Moreira, reforçou que a mudança do jogo para outro estádio representaria risco à segurança pública e citou parecer da Polícia Militar e recomendação de órgão especializado de defesa do torcedor. Ele destacou ainda que o Ministério Público do Rio de Janeiro classificou questões como gramado ou jogo da NBB entre Flamengo e Botafogo como temas “manifestamente secundários e vinculados a interesses estritamente privados”.
Na prática, o Vasco ganha segurança jurídica para mandar a decisão em um estádio com maior estrutura, o que favorece a logística de operação de jogo e amplia a capacidade de público em um duelo tratado como um dos mais importantes da temporada em São Januário.
Escalações, desfalques e dúvidas para a Bombonera
Em campo, o técnico Pedro Emanuel chega à semifinal com uma base mantida, mas algumas baixas importantes. A principal mudança é na ponta direita do ataque: Nuno Moreira e Adson disputam a vaga de Colidio, que não pode atuar na Sul-Americana por não estar inscrito na competição. O treinador testou as duas opções no único treino em solo argentino.
O Vasco deve ir a campo com Léo Jardim; Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan e Cuiabano; Sosa, Thiago Mendes e Lescano; Adson (Nuno Moreira), Bruno Duarte e Andrés Gómez. Ficam fora, além de Colidio, o zagueiro Cuesta, o atacante Spinelli e o volante Barros, todos lesionados, e Mateus Carvalho, em fase de transição física.
Do lado argentino, Rodolfo Arruabarrena lida com uma lista extensa de desfalques e um problema central no meio-campo. O volante Leandro Paredes, referência técnica do setor, está fora por lesão na coxa direita. Também não jogam Marchesín, Tomás Aranda, Tomás Belmonte, Bareiro e Velasco, todos com problemas físicos.
A formação provável do Boca tem Montero; Lozano, Di Lollo, Herrera e Blanco; Ascacíbar, Delgado e Palacios (Alarcón); Villa, Merentiel e Flores. Mesmo desfalcado, o time chega empurrado por uma série de 17 jogos de invencibilidade, com oito vitórias e nove empates, e carrega o peso histórico de decidir em casa diante de um estádio conhecido pela pressão.
Torcida do Vasco ocupa Buenos Aires
A Bombonera, porém, não será apenas azul e amarela. A torcida do Vasco fez longa romaria até a Argentina e formou filas de até três horas para retirar ingressos em Buenos Aires, com vascaínos dobrando quarteirões na capital portenha. A recepção ao elenco no hotel também foi ruidosa.
O volante Sosa valorizou o movimento dos torcedores que cruzaram a fronteira para acompanhar o time. “Mostra que não estamos sozinhos”, disse o meio-campista, ao comentar o clima antes do jogo.
O apoio fora de casa é visto internamente como um fator para tentar quebrar um tabu pesado: o Vasco ainda busca sua primeira vitória na Bombonera. Um resultado positivo na ida abriria caminho para decidir a vaga em um Maracanã lotado e, na avaliação da comissão técnica, mudaria o patamar do clube nas competições internacionais.
Clima de semifinal e arbitragem chilena
A expectativa é de um jogo travado e físico, típico de semifinal continental. Simulações por ferramentas de inteligência artificial projetam o Boca Juniors com leve favoritismo para vencer por 1 a 0 ou empatar por 1 a 1, sustentado pela série invicta e pelo mando de campo. O Vasco, por sua vez, aposta na solidez defensiva recente — são cinco partidas sem derrota — e na possibilidade de explorar os espaços deixados por um meio-campo xeneize remontado às pressas.
A arbitragem será toda chilena. O responsável pelo apito é Piero Maza, auxiliado por José Retamal e Carlos Poblete nas bandeiras. No vídeo, atuam José Cabero, como árbitro de vídeo principal, e os assistentes Juan Serrano e Juan Sepúlveda, todos também do Chile. A presença de um quadro completamente estrangeiro é vista como forma de reduzir a temperatura em um confronto de alto risco emocional.
O duelo desta noite define o tom da decisão no Rio. Se o Vasco conseguir voltar da Argentina com uma vantagem ou ao menos um empate com gols, leva para o Maracanã um cenário em que o fator casa, a estrutura assegurada pela Justiça e a força da arquibancada podem pesar ainda mais na disputa pela vaga na final da Copa Sul-Americana.