A delegada Maria Corsato afirmou ter sido expulsa de uma loja da WePink, marca de Virginia Fonseca, após questionar a regularização de suplementos alimentares junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em vídeo, ela relatou que foi hostilizada por uma funcionária durante uma visita ao estabelecimento localizado na Praça do Carmo, em Santo André, na Grande São Paulo.
Segundo Corsato, a confusão começou quando ela perguntou à gerente se os suplementos comercializados pela empresa tinham registro na Anvisa. A delegada contou que recebeu uma resposta ríspida e foi orientada a deixar o local. Ela também afirmou não ter encontrado na embalagem a identificação sanitária que procurava.
“Eu perguntei essa pergunta simples para a gerente, ela virou um monstro. Veio para cima, me xingou, mandou para fora”, declarou a delegada.
O relato é a versão apresentada por Corsato no vídeo, e não há confirmação independente sobre a conduta atribuída à funcionária.
Delegada diz que QR Code de suplemento levou a site de vendas
Maria Corsato contou que entrou na unidade para observar os produtos comercializados pela WePink. Depois de passar pelas seções de cosméticos e perfumes, dirigiu-se à área de suplementos alimentares.
Ao questionar a regularização dos produtos, a delegada afirmou que uma funcionária indicou um QR Code presente na embalagem como forma de consultar as informações.
“Ela me mostrou: ‘Olha, tá aqui na embalagem, aqui vai no QR Code’. Eu fui no QR Code porque eu sou teimosa, me mandou para um site de vendas”, relatou.
Corsato afirmou que não encontrou o número de registro que buscava e criticou a falta de uma resposta objetiva por parte da equipe da loja.
“Na embalagem do suplemento alimentar da Virgínia não consta o registro na Anvisa. Deve ter, mas não consta na embalagem”, disse.
Maria Corsato cobra explicações de Virginia Fonseca
Após deixar o estabelecimento, a delegada continuou a gravação do lado de fora e fez um questionamento diretamente à influenciadora.
“Virgínia, seus produtos têm registro na Anvisa? Responde.”
Apesar das críticas, Corsato reconheceu durante o vídeo que os produtos poderiam estar regularizados, mesmo sem a identificação que ela procurava na embalagem.
“Eu acho que tem, né, porque uma coisa desse tamanho não ia brincar com a saúde do brasileiro desse jeito, né?”, afirmou.
A delegada também relatou que uma funcionária teria dito não saber responder à pergunta sobre a situação sanitária dos suplementos.

O que a Anvisa exige dos suplementos alimentares?
Embora Maria Corsato tenha afirmado que suplementos alimentares precisam obrigatoriamente de registro, a regulamentação brasileira estabelece uma distinção importante entre registro e notificação sanitária.
Pelas regras da Anvisa, os suplementos alimentares estão, em geral, sujeitos à notificação, procedimento diferente do registro prévio exigido para determinadas categorias de produtos.
A RDC 843/2024 e a Instrução Normativa 281/2024 estabeleceram novas regras para a regularização de alimentos, incluindo os suplementos. Também existem disposições transitórias para produtos fabricados antes de determinados prazos regulatórios.
Por isso, a ausência de um número de registro na embalagem não comprova, isoladamente, que um suplemento esteja irregular. A avaliação depende da categoria, da situação de regularização e das normas de rotulagem aplicáveis ao produto.
Visita não confirma irregularidade sanitária
O vídeo divulgado por Maria Corsato apresenta seu relato sobre o atendimento recebido e as dúvidas levantadas durante a visita. Não foi demonstrado, apenas com essas imagens e declarações, que os suplementos da WePink estejam irregulares.
Também não há informação confirmada de que a Anvisa tenha realizado uma fiscalização relacionada ao episódio ou determinado a suspensão da comercialização dos produtos.
Para esclarecer a situação, seria necessário identificar o suplemento mencionado pela delegada, consultar sua situação nos sistemas oficiais e verificar se a embalagem atende às exigências aplicáveis.
O episódio também depende de esclarecimentos da WePink sobre o atendimento relatado por Corsato e a regularização dos suplementos comercializados pela marca.