O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, acusou Flávio Bolsonaro (PL) de fazer “jogo de cena” ao anunciar apoio ao fim da escala de trabalho 6×1. A crítica foi feita nesta quarta-feira (14), durante uma plenária de mobilização eleitoral no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
Haddad afirmou que o senador, candidato à Presidência, mudou de posição às vésperas do segundo turno para conquistar votos. Segundo o petista, Flávio estaria sinalizando apoio à proposta agora, mas poderia defender alterações na medida caso seja eleito presidente.
“Como nós estamos às vésperas da eleição, ele está fazendo um gesto que ele próprio está dizendo que vai desfazer se for eleito”, declarou Haddad.
Após anunciar apoio ao fim da escala 6×1, Flávio promete a aliados rever PEC se for eleito
Haddad acusa Flávio de mudar discurso para conquistar votos
Durante o encontro com apoiadores, Haddad criticou a mudança de posicionamento do adversário político e afirmou que candidatos devem apresentar suas propostas com clareza, mesmo quando elas contrariam parte do eleitorado.
“Defende o que você pensa. […] Agora, fazer uma coisa antes da eleição e fazer outra ao contrário, depois da eleição, é que não dá”, afirmou.
O ex-ministro da Fazenda também disse que o PT mantém posições históricas sobre direitos trabalhistas e rejeitou a ideia de alterar propostas conforme a conveniência eleitoral.
“Faz 30 anos que a gente defende, 40 anos que a gente defende a mesma coisa. As pessoas sabem o que a gente defende”, declarou.
Flávio anunciou apoio à proposta após críticas anteriores
A declaração de Haddad ocorre um dia depois de Flávio Bolsonaro anunciar que votaria a favor da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1.
Anteriormente, o senador havia criticado a medida, apontando possíveis impactos sobre o emprego e os custos das empresas. A mudança de posicionamento ocorreu em meio à pressão pela votação da proposta no Senado.
Apesar do apoio anunciado, Flávio também defende maior flexibilidade nas relações de trabalho e compensações para empresas que possam ser afetadas pela redução da jornada.
Segundo informações divulgadas sobre conversas com aliados e empresários, o candidato do PL sinalizou que pretende discutir mudanças na proposta caso seja eleito. Isso não significa, necessariamente, que tenha anunciado a revogação integral do fim da escala 6×1.
Fim da escala 6×1 entra na disputa presidencial
A discussão ganhou destaque na reta final do segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando Lula (PT) e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência.
A proposta em análise no Senado prevê a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem diminuição salarial.
O governo Lula defende a mudança como uma ampliação dos direitos dos trabalhadores. Já setores empresariais manifestam preocupação com o aumento dos custos operacionais e cobram medidas de compensação.
A votação da proposta está na pauta do Senado nesta quarta-feira (14). Para ser aprovada, a PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação.
O que acontece após a votação?
Se o Senado aprovar a proposta em dois turnos, sem alterações de mérito em relação ao texto aprovado pela Câmara, a PEC poderá seguir para promulgação pelo Congresso Nacional.
Caso sejam feitas mudanças substanciais, o texto poderá precisar de nova análise dos deputados.
Enquanto a tramitação avança, o fim da escala 6×1 permanece no centro da disputa política, com divergências entre os candidatos sobre a implementação da redução da jornada e a flexibilidade das regras trabalhistas.