Morte de Maradona: advogado pede até 16 anos de prisão para integrantes da equipe médica

Representante do filho mais novo do ex-jogador solicita penas superiores às da Promotoria; julgamento entra na fase final na Argentina.
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O advogado Mario Baudry, representante de Diego Fernando Maradona, filho mais novo do ex-jogador argentino Diego Armando Maradona, pediu penas de até 16 anos de prisão para integrantes da equipe médica responsável pelos cuidados do ídolo do futebol antes de sua morte, em novembro de 2020. O pedido foi apresentado nesta terça-feira (13), durante as alegações finais do julgamento realizado em San Isidro, na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina.

Baudry solicitou 16 anos de prisão para o neurocirurgião Leopoldo Luque, médico pessoal de Maradona, e para Nancy Forlini, coordenadora da empresa responsável pela assistência domiciliar. Para a psiquiatra Agustina Cosachov, o advogado pediu 14 anos de reclusão. As penas propostas são superiores às solicitadas anteriormente pelo Ministério Público argentino.

O julgamento busca esclarecer se a atuação dos profissionais de saúde contribuiu para a morte de Maradona, ocorrida em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos. O ex-jogador sofreu uma parada cardiorrespiratória e apresentava edema pulmonar enquanto se recuperava de uma cirurgia cerebral. Os acusados negam responsabilidade criminal pela morte.

Advogado pede penas maiores que as solicitadas pela Promotoria

Durante sua manifestação ao Tribunal Oral Criminal nº 7 de San Isidro, Mario Baudry afirmou que os profissionais responsáveis pelo tratamento tinham conhecimento dos riscos enfrentados pelo ex-jogador e não adotaram as medidas necessárias para evitar sua morte.

O advogado pediu 16 anos de prisão para Leopoldo Luque e Nancy Forlini, enquanto a Promotoria havia solicitado, respectivamente, 12 e 10 anos.

Para Agustina Cosachov, responsável pelo acompanhamento psiquiátrico, Baudry pediu 14 anos, contra os oito anos solicitados pelo Ministério Público.

O representante da família também solicitou 12 anos de prisão para o psicólogo Carlos Díaz. Nesse caso, a Promotoria havia pedido cinco anos.

Segundo a acusação particular, os quatro profissionais devem responder por homicídio com dolo eventual, modalidade em que o acusado, embora não tenha necessariamente a intenção direta de matar, assume o risco de produzir o resultado.

Baudry também solicitou a prisão imediata dos quatro profissionais caso sejam condenados.

Advogado acusa médico de conhecer riscos enfrentados por Maradona

Em sua argumentação, o representante de Diego Fernando Maradona concentrou parte das críticas na atuação de Leopoldo Luque, responsável pelo acompanhamento médico do ex-jogador.

“Desde o primeiro momento, Luque sabia exatamente o que estava por vir e tentou se eximir de culpa (…) ele sabia que Diego morreria com o tratamento que estava recebendo”.

A declaração foi apresentada pelo advogado como parte de sua interpretação das provas reunidas durante o julgamento.

A acusação sustenta que o estado de saúde de Maradona exigia acompanhamento mais rigoroso e que a estrutura de internação domiciliar não oferecia as condições necessárias para atender às suas necessidades clínicas.

Os profissionais investigados contestam as acusações e defendem que suas condutas não configuraram os crimes apontados.

Outros profissionais também podem ser condenados

Além dos pedidos contra os quatro principais acusados, Baudry solicitou quatro anos de prisão para o enfermeiro Ricardo Almirón e para Mariano Perroni, coordenador de enfermagem.

Os dois são acusados de homicídio culposo, quando não existe intenção de provocar a morte.

Em relação ao médico clínico Pedro Di Spagna, o advogado concordou com a Promotoria e não pediu condenação.

O representante do filho mais novo de Maradona também solicitou a abertura de investigações contra pessoas que integravam o círculo profissional do ex-jogador.

Entre os citados estão o ex-representante Matías Morla, Vanesa Morla e Maximiliano Pomargo, que atuou como secretário particular de Maradona.

Baudry defende que seja investigada a possibilidade de abandono de pessoa seguido de morte. O pedido, entretanto, não representa uma condenação nem significa que os citados tenham sido considerados culpados.

Como morreu Diego Maradona?

Diego Armando Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, em uma residência localizada em Tigre, na província de Buenos Aires.

Na ocasião, o ex-jogador estava em regime de internação domiciliar após passar por uma cirurgia para tratar um hematoma subdural, condição caracterizada pelo acúmulo de sangue entre o cérebro e uma de suas membranas protetoras.

A operação havia sido realizada em 3 de novembro daquele ano.

Depois de receber alta hospitalar, Maradona passou a ser acompanhado por uma equipe de profissionais de saúde em casa.

A morte foi atribuída a uma parada cardiorrespiratória associada a um quadro de edema pulmonar.

Investigações posteriores levantaram suspeitas sobre as condições do atendimento domiciliar, a supervisão médica e a capacidade da equipe de identificar e responder ao agravamento do estado de saúde do ex-jogador.

Para os promotores, a morte poderia ter sido evitada com assistência adequada. As defesas, por sua vez, contestam essa interpretação e negam que os profissionais tenham cometido os crimes atribuídos a eles.

Primeiro julgamento foi anulado em 2025

O processo judicial sobre a morte de Maradona enfrentou um importante obstáculo antes da atual fase de julgamento.

Em 2025, o primeiro julgamento foi anulado após a descoberta de que uma das magistradas envolvidas no caso participava de um documentário sobre o processo.

A situação provocou questionamentos sobre a imparcialidade da condução judicial e levou à necessidade de reiniciar o julgamento.

O novo processo começou em abril de 2026, com a apresentação de depoimentos, documentos e provas relacionadas ao tratamento recebido pelo ex-jogador.

Ao longo das audiências, o tribunal ouviu profissionais de saúde, especialistas e pessoas próximas a Maradona.

A investigação busca determinar a responsabilidade individual de cada acusado, considerando as funções exercidas durante o período de internação domiciliar.

Julgamento entra na reta final na Argentina

A Promotoria argentina apresentou suas alegações finais em 8 de outubro, quando solicitou penas entre quatro e 12 anos de prisão para os profissionais que considera responsáveis pela morte.

Na terça-feira (13), foi a vez dos advogados que representam familiares de Maradona apresentarem seus pedidos.

Nesta quarta-feira (14), o julgamento prossegue com as manifestações de outros representantes da família, incluindo advogados das filhas do ex-jogador.

As alegações finais das defesas estão previstas para os dias 20, 21 e 22 de outubro.

Depois dessa etapa, caberá aos magistrados analisar as provas e decidir se os acusados devem ser condenados ou absolvidos.

Até o momento, não existe condenação definitiva dos profissionais julgados neste processo. Os pedidos de prisão apresentados pela acusação ainda dependem de decisão judicial.

Próximos passos

Com a conclusão das manifestações da acusação, o tribunal deverá ouvir os argumentos finais dos advogados de defesa.

A sentença será definida após a análise das provas, dos depoimentos e das responsabilidades atribuídas individualmente aos profissionais.

O julgamento poderá estabelecer se houve condutas criminosas durante o atendimento domiciliar de Diego Maradona e quais penas deverão ser aplicadas em caso de condenação.

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