O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece identificado como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa offshore sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. A companhia tinha participação em um jato executivo utilizado pelo parlamentar e ligado a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo o relatório policial, o cadastro poderia conferir a Flávio um nível elevado de acesso e gerenciamento da conta. Os investigadores consideram a possibilidade de uma participação econômica ou societária do senador na empresa, mas não há comprovação desse vínculo. Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, responsável pela offshore, negam qualquer relação financeira ou societária entre eles.
A informação foi revelada nesta quarta-feira (14) pela coluna de Malu Gaspar, de O Globo, com base em documentos analisados pela Polícia Federal (PF).
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O que a Polícia Federal encontrou?
Os documentos foram obtidos pela PF durante investigações sobre desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os registros está uma troca de e-mails entre o banco Santander e Fayla Menezes, secretária do advogado Willer Tomaz.
Em 22 de maio de 2025, a funcionária solicitou a inclusão de um novo usuário no perfil master da conta da Alcazar Holdings. Na mesma mensagem, pediu a desvinculação de duas contas, uma delas identificada com o nome de Flávio Bolsonaro.
O Santander respondeu que as contas haviam sido excluídas do contrato, conforme solicitado.
Para os investigadores, a documentação indica que o senador poderia ter tido acesso operacional relevante à conta bancária. A hipótese de participação econômica na empresa, entretanto, ainda depende de comprovação.
Qual é a ligação da offshore com o jato de Vorcaro?
A Alcazar Holdings detinha 33,33% da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., empresa proprietária de um jato Embraer Legacy 650. Entre os demais participantes da estrutura societária estavam o empresário Laerte Cosentino, fundador da Totvs, e a Prime You, companhia que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios.
Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro utilizou a aeronave em uma viagem entre Brasília e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, acompanhado de Willer Tomaz.
Na ocasião, o senador afirmou que havia sido convidado pelo advogado, com quem mantém uma relação de amizade. A participação da Prime You na estrutura de propriedade do avião não comprova, por si só, uma relação financeira direta entre Flávio e Vorcaro.
Flávio Bolsonaro nega vínculo com a conta
Procurada pela reportagem de O Globo, a assessoria de Flávio Bolsonaro negou que o senador tenha mantido uma conta bancária compartilhada com Willer Tomaz ou suas empresas.
Segundo a defesa, a própria troca de e-mails demonstra que havia uma vinculação indevida, posteriormente corrigida por meio da solicitação enviada ao banco.
Willer Tomaz também negou qualquer sociedade ou relação financeira com o parlamentar. “O e-mail enviado ao Santander não demonstra o contrário. Extrair desse documento uma ‘eventual participação econômica ou societária’ é ilação”, afirmou o advogado.
Flávio Bolsonaro também questionou a divulgação das informações durante a campanha presidencial e rejeitou as suspeitas levantadas a partir dos documentos.
Investigação também analisou viagens e mensagens
Além dos registros bancários, a Polícia Federal examinou informações sobre viagens realizadas por Flávio Bolsonaro, familiares e Willer Tomaz.
Entre os episódios analisados está um safári na África do Sul, realizado em março de 2025, que contou com a participação de outras pessoas mencionadas nas investigações sobre o INSS.
Os investigadores também encontraram registros de comunicação entre Flávio e Tomaz pelo aplicativo Confide, que oferece recursos de privacidade e mensagens temporárias.
O uso do aplicativo e a participação em viagens particulares não constituem, isoladamente, prova de irregularidade.
Até o momento, os documentos divulgados não comprovam que Flávio Bolsonaro fosse proprietário da conta bancária ou sócio oculto da Alcazar Holdings. As suspeitas apontadas pela Polícia Federal ainda dependem de aprofundamento das investigações.