Vírus do Nilo Ocidental bate recorde na Europa e já deixa 141 mortos em 2026

Foram registrados 1.855 casos em 18 países; Itália concentra o maior número de infecções, enquanto Grécia e França atingiram recordes históricos
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O vírus do  atingiu níveis recordes na Europa em 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (15) pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). Até 7 de outubro, 18 países haviam registrado 1.855 casos de infecção em humanos e 141 mortes.

O número representa um aumento de 769 casos em relação ao levantamento anterior, divulgado em setembro. Somente nos países da União Europeia e do Espaço Econômico Europeu, foram contabilizados 1.715 casos, número muito superior à média de 693 casos registrada na última década.

A Itália concentra o maior número de infecções, com 748 casos. Grécia e França também registraram números recordes de casos humanos, com 445 e 144, respectivamente. A expansão da circulação do vírus também alcançou novas áreas do norte europeu, incluindo regiões da Bélgica e dos Países Baixos.

LEIA TAMBÉM

Febre do Nilo Ocidental: o que se sabe sobre vírus que matou uma pessoa no Brasil

Europa registra temporada recorde do vírus

O ECDC classificou 2026 como a temporada mais intensa de transmissão do vírus do Nilo Ocidental já registrada na União Europeia. Além do aumento no número de casos humanos, autoridades identificaram uma expansão geográfica da circulação do vírus e mais surtos entre animais.

Até 7 de outubro, foram identificadas 208 áreas afetadas em 18 países europeus. A Itália registrou 67 dessas áreas, seguida por França, com 26, e Grécia, com 25. Países como Romênia, Países Baixos, Sérvia, Bélgica e Espanha também registraram transmissão local.

O ECDC destacou que a expansão para novas regiões reforça a necessidade de vigilância, controle de mosquitos e identificação precoce dos casos.

Itália lidera número de infecções

A Itália é o país europeu mais afetado pela doença em 2026, com 748 casos registrados até 7 de outubro. O país também concentra o maior número de áreas com circulação identificada.

Na sequência aparecem Grécia, com 445 casos, França, com 144, Espanha, com 139, e Romênia, com 117.

Grécia e França atingiram seus maiores números históricos de infecções humanas pelo vírus do Nilo Ocidental.

O que é o vírus do Nilo Ocidental?

O vírus do Nilo Ocidental é um flavivírus transmitido principalmente por mosquitos do gênero Culex. O ciclo natural envolve principalmente mosquitos e aves: os insetos podem se infectar ao picar aves contaminadas e depois transmitir o vírus para outros animais e seres humanos.

Pessoas, cavalos, jumentos e outros mamíferos são considerados hospedeiros terminais, porque a quantidade de vírus presente no sangue não costuma ser suficiente para infectar novos mosquitos.

A infecção humana pode não provocar sintomas. Segundo a EFSA, cerca de 80% das pessoas infectadas não apresentam sintomas, enquanto aproximadamente 20% podem desenvolver febre do Nilo Ocidental. Menos de 1% dos infectados desenvolvem a forma neuroinvasiva da doença, que pode afetar o sistema nervoso.

Casos graves podem afetar o sistema nervoso

Quando ocorre a forma neuroinvasiva, a infecção pode provocar manifestações neurológicas. A gravidade varia de acordo com o quadro clínico e as condições individuais do paciente.

A maioria das infecções, porém, não apresenta sintomas ou provoca manifestações leves. Por isso, a vigilância epidemiológica é importante para identificar a circulação do vírus mesmo quando a maioria dos casos não chega a ser reconhecida clinicamente.

Vírus também circula entre aves e cavalos

A preocupação das autoridades europeias não está restrita aos casos humanos. Até 7 de outubro, 15 países haviam relatado 511 surtos entre animais da família dos equídeos e 595 surtos entre aves.

A circulação entre aves e mosquitos é fundamental para a manutenção do vírus no ambiente. Por isso, o monitoramento de animais também funciona como uma ferramenta para identificar regiões onde existe risco de transmissão para seres humanos.

A Itália apresenta novamente o maior número de notificações entre os países europeus, segundo o levantamento conjunto da EFSA e do ECDC.

Expansão chegou ao norte da Europa

Uma das características que chamaram a atenção das autoridades em 2026 foi a ampliação da área geográfica de circulação do vírus.

Casos humanos e surtos em animais foram registrados em diferentes regiões da Bélgica e dos Países Baixos. A Bélgica, inclusive, registrou neste ano seus primeiros casos humanos de infecção pelo vírus do Nilo Ocidental.

A expansão geográfica é acompanhada pelas autoridades porque pode indicar mudanças nas áreas onde as condições ambientais permitem a manutenção do ciclo de transmissão.

Temporada de transmissão começa a perder força

Apesar dos números recordes, os dados mais recentes indicam que a atividade do vírus diminuiu desde o pico registrado entre agosto e setembro. Ainda assim, novas infecções podem ser notificadas nas próximas semanas.

O período de transmissão está relacionado principalmente à atividade dos mosquitos, que é influenciada por fatores ambientais e climáticos.

O ECDC recomenda a manutenção das medidas de prevenção, vigilância e controle de mosquitos, mesmo com a redução gradual da transmissão.

Não há indicação de aumento da gravidade

Apesar do recorde de casos, o relatório conjunto da EFSA e do ECDC afirma que não há indicação de aumento da gravidade da doença em humanos na Europa.

O principal alerta está relacionado à expansão da circulação do vírus e ao aumento do número de infecções, e não a uma mudança comprovada no comportamento clínico da doença.

Brasil também registrou casos em 2026

O avanço observado na Europa ocorre enquanto o Brasil também ampliou a vigilância sobre o vírus do Nilo Ocidental. Em agosto, São Paulo confirmou os primeiros casos humanos registrados no estado.

Segundo informações divulgadas na época, duas pacientes foram diagnosticadas: uma mulher de 34 anos, de Ribeirão Preto, que se recuperou, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permanecia internada.

Outro caso suspeito foi investigado no Piauí após um exame reagente, embora o resultado ainda dependesse de teste confirmatório.

A situação brasileira é diferente da observada na Europa em escala e número de casos. Ainda assim, a presença da doença no país reforça a importância do monitoramento de mosquitos e da identificação de possíveis áreas de circulação.

Prevenção depende do controle de mosquitos

Como o vírus é transmitido principalmente pela picada de mosquitos infectados, as autoridades europeias reforçam a importância do controle dos vetores e da vigilância epidemiológica.

A ECDC destaca que a detecção precoce da circulação do vírus, a conscientização da população e medidas eficazes de controle de mosquitos podem ajudar a reduzir o impacto da doença.

A temporada de transmissão de 2026 já apresenta sinais de desaceleração, mas o recorde registrado neste ano mantém o vírus do Nilo Ocidental no radar das autoridades de saúde europeias.

Carregar Comentários