O diretor cearense Allan Deberton afirmou acreditar que o filme Feito Pipa tem chance de vencer o Oscar. Em entrevista, o cineasta comentou a escolha do longa para representar o Brasil na disputa por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional e falou sobre os desafios do cinema nacional.
Deberton disse que a possibilidade de chegar à premiação de Hollywood não fazia parte de seus planos iniciais. A trajetória do filme, que passou por festivais internacionais e recebeu prêmios, ampliou as perspectivas da produção. A estreia comercial brasileira está prevista para 5 de novembro.
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Filme ainda precisa avançar na disputa
Feito Pipa foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país na corrida por uma indicação ao Oscar 2027 na categoria de Melhor Filme Internacional. A escolha brasileira, porém, não garante uma indicação oficial à premiação: o longa ainda precisa avançar pelas etapas de seleção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar.
Na entrevista à VEJA, Deberton afirmou estar otimista e disse que já participa de eventos relacionados à fase de pré-indicação. O diretor também comentou a expectativa dos brasileiros em torno da premiação, após a visibilidade recente conquistada pelo cinema nacional.
O cineasta, no entanto, adotou um tom cauteloso ao falar sobre a possibilidade de vitória. Segundo ele, chegar a Hollywood representa uma oportunidade importante, mas a prioridade é manter os pés no chão diante da dimensão da disputa.
História acompanha um menino e sua relação com a família
Um dos elementos destacados por Deberton é a narrativa construída a partir do ponto de vista de um menino. Para o diretor, a complexidade do personagem e as diferentes camadas de sua personalidade ajudam o público a se envolver com a história.
O filme acompanha Gugu, um garoto de 12 anos que vive com a avó, que tem Alzheimer. A relação entre os dois permite abordar vínculos familiares, memória e mudanças na vida cotidiana, temas que integram o núcleo emocional da produção.
Na conversa com a revista, o diretor afirmou que o esquecimento e as transformações provocadas pelo Alzheimer levantam questões sobre as relações entre as pessoas e as histórias que compartilham. Ele também disse não ter experiência pessoal direta com a doença, mas que o tema passou a provocar reflexões com o avanço da idade.
Ceará influencia a identidade visual do longa
Nascido em Russas, no Ceará, Deberton relacionou sua formação como cineasta às experiências que teve com o cinema durante a infância. As paisagens do Nordeste continuam sendo uma referência para seu trabalho, segundo declarou na entrevista.
O diretor também comentou os desafios enfrentados por produções brasileiras para conquistar espaço diante da presença de grandes lançamentos estrangeiros. Para ele, filmes nacionais podem alcançar públicos amplos quando as histórias conseguem estabelecer uma conexão com os espectadores.
Estreia nos cinemas está prevista para novembro
Feito Pipa teve passagem pelo Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde recebeu dois prêmios, e também foi reconhecido no Festival de Gramado. A trajetória em festivais contribuiu para ampliar a projeção do longa antes do lançamento comercial.
A estreia nos cinemas brasileiros está prevista para 5 de novembro de 2026. Até lá, a produção segue a preparação para a etapa internacional da disputa pelo Oscar, na qual precisará ser selecionada pela Academia de Hollywood para se tornar uma das indicadas oficiais.
A declaração de Deberton expressa a confiança do diretor no filme, mas o resultado da campanha ainda depende das etapas de votação e seleção da premiação. A escolha como representante brasileiro é um passo importante, não uma garantia de indicação ou vitória.