Governo envia reforço militar e mais cinco aeronaves para combater incêndios no Amazonas

Comitiva federal se reúne em Manaus para coordenar ações contra as queimadas; operação terá 16 aeronaves, reforço policial e atendimento de saúde diante da fumaça que atinge a população
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O governo federal ampliou a operação de combate aos incêndios florestais no Amazonas e anunciou o envio de mais cinco aeronaves, além do reforço das Forças Armadas e de equipes de segurança. Neste domingo (18), uma comitiva de ministros esteve em Manaus para coordenar as medidas emergenciais diante do avanço das queimadas e da fumaça que compromete a qualidade do ar na capital e em municípios do interior.

Com o reforço anunciado, a estrutura aérea disponibilizada para as operações passa de 11 para 16 aeronaves. A mobilização também prevê a participação da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e de militares, que deverão atuar no enfrentamento das chamas e no apoio às equipes já mobilizadas.

A ampliação da força-tarefa ocorre após dias de agravamento da crise ambiental. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas registrou 7.815 focos de calor entre janeiro e 12 de outubro, aumento de 116% em comparação com o mesmo período de 2025. A fumaça provocada pelos incêndios também levou à suspensão de aulas e atividades ao ar livre em Manaus.

Incêndios colocam 36 cidades do Amazonas em emergência e fumaça provoca suspensão de aulas

Forças Armadas e novas aeronaves reforçam combate aos incêndios

A comitiva federal reúne os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; José Múcio Monteiro, da Defesa; e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional.

O objetivo da missão é acompanhar as operações, avaliar as necessidades das equipes e coordenar a atuação conjunta entre União, estado e municípios.

Entre as medidas anunciadas está o reforço da estrutura aérea utilizada no lançamento de água sobre áreas atingidas e no transporte de equipamentos e profissionais. A atuação militar também deverá ampliar a capacidade logística das operações, especialmente em regiões de difícil acesso.

Desde 9 de outubro, as equipes federais lançaram aproximadamente 600 mil litros de água durante 260 horas de voo. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 317 incêndios já haviam sido extintos desde o início da temporada de combate.

Apesar dos resultados, a fumaça intensa continua dificultando as operações. A baixa visibilidade compromete a segurança dos voos e pode impedir temporariamente a atuação das aeronaves em determinadas áreas.

Aeronave KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira participa das operações de combate aos incêndios florestais no Amazonas, com capacidade para lançar milhares de litros de água sobre áreas atingidas.

Manaus enfrenta crise na qualidade do ar

Os impactos dos incêndios vão além das áreas de floresta. Em Manaus, a fumaça tem encoberto diferentes regiões da cidade, provocando episódios de poluição atmosférica classificados como muito ruins e péssimos pelos sistemas de monitoramento.

No sábado (17), o prefeito Renato Junior fez um apelo por ajuda diante da situação enfrentada pela população.

“Manaus precisa de socorro.”

O prefeito afirmou que a capital sofre os efeitos de incêndios registrados principalmente em outras regiões do Amazonas. Segundo ele, Manaus concentra apenas uma pequena parcela das queimadas do estado, mas enfrenta consequências significativas na qualidade do ar.

A exposição prolongada à fumaça pode provocar irritação nos olhos, tosse, dificuldade para respirar e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com problemas de saúde preexistentes estão entre os grupos que exigem maior atenção durante os períodos de poluição intensa.

 

Força Nacional do SUS terá base em Manaus

Além das ações ambientais, o governo federal anunciou a instalação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) em Manaus, prevista para terça-feira (20).

A estrutura deverá apoiar a resposta à emergência de saúde pública, oferecendo suporte às autoridades locais e auxiliando na organização dos atendimentos relacionados aos efeitos da fumaça.

A medida busca fortalecer a capacidade de resposta dos serviços de saúde caso aumente a procura por atendimento médico.

Durante os episódios de maior concentração de poluentes, a orientação é evitar atividades físicas ao ar livre, reduzir a exposição à fumaça e procurar atendimento médico em caso de sintomas respiratórios persistentes.

 

Suspeita de incêndios criminosos será investigada

Outra frente da operação envolve o reforço da fiscalização ambiental e das investigações sobre a origem das queimadas.

O ministro João Paulo Capobianco já havia alertado para a presença de focos de incêndio em áreas de floresta preservada, distantes de regiões onde o fogo costuma ser utilizado em atividades agropecuárias.

Segundo o ministro, a localização de parte das chamas levanta suspeitas de incêndios provocados intencionalmente para degradar a vegetação e facilitar o desmatamento posterior.

A hipótese, no entanto, depende de investigação para identificar as causas de cada ocorrência e eventuais responsáveis.

O reforço da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal deverá contribuir para as ações de fiscalização e repressão a possíveis crimes ambientais.

Representantes do governo federal e de órgãos ambientais participam de reunião em Manaus para coordenar medidas emergenciais de enfrentamento aos incêndios florestais no Amazonas.

Incêndios avançam mesmo com queda no desmatamento

A crise ocorre em um momento em que os indicadores de desmatamento apresentam redução na Amazônia. Dados do Inpe divulgados na sexta-feira (16) apontaram queda de 41,8% na área desmatada entre agosto de 2025 e julho de 2026.

Os indicadores, entretanto, medem fenômenos diferentes. Enquanto o desmatamento corresponde à retirada da cobertura vegetal, os focos de calor identificam ocorrências de fogo, inclusive em áreas que não passaram por derrubada recente.

A estiagem, as altas temperaturas e a vegetação ressecada contribuem para a propagação dos incêndios, ampliando os desafios enfrentados pelas equipes de combate.

 

Próximos passos

O governo federal deverá concentrar os próximos esforços na ampliação das operações aéreas e terrestres, na investigação de possíveis incêndios criminosos e no atendimento à população afetada pela fumaça.

A mobilização também prevê recursos emergenciais e integração entre órgãos ambientais, forças de segurança, Defesa Civil e serviços de saúde.

Com 36 municípios amazonenses em situação de emergência reconhecida pelo governo federal, a prioridade é impedir o avanço das chamas, reduzir os riscos à população e restabelecer condições mais seguras de qualidade do ar.

A continuidade das operações dependerá das condições meteorológicas, do acesso às áreas atingidas e da evolução dos focos de incêndio monitorados pelas autoridades.

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