Incêndios colocam 36 cidades do Amazonas em emergência e fumaça provoca suspensão de aulas

Mais da metade dos municípios do estado está em situação de emergência; Manaus enfrenta seis dias consecutivos de qualidade do ar péssima, enquanto autoridades investigam queimadas criminosas
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Os incêndios florestais no Amazonas já colocaram 36 dos 62 municípios do estado em situação de emergência. A crise ambiental, agravada pela fumaça intensa, provocou a suspensão de aulas nesta terça-feira (13), interrompeu atividades ao ar livre e levou autoridades a reforçar as operações de combate às queimadas. Mais da metade das cidades amazonenses está abrangida pelo decreto reconhecido pelo governo federal.

Em Manaus, a qualidade do ar chegou ao sexto dia consecutivo na classificação péssima. A prefeitura manteve as atividades escolares da rede municipal suspensas, enquanto a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) também interrompeu as aulas da rede estadual na capital e em outras localidades afetadas. A medida busca reduzir a exposição de estudantes e profissionais à poluição.

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Fumaça suspende aulas em Manaus e no interior

A suspensão das aulas atinge escolas estaduais de Manaus, Autazes e do distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba. A determinação abrange os turnos da manhã, tarde e noite.

Na capital, a rede municipal também permaneceu sem atividades escolares presenciais nesta terça-feira, diante da persistência da fumaça e dos riscos à saúde.

Segundo a Seduc, as medidas são preventivas e seguem orientações técnicas das autoridades de saúde. A secretaria informou que acompanha diariamente as condições atmosféricas e poderá adotar novas restrições conforme a evolução da crise.

A Nota Técnica Conjunta nº 22/2026, elaborada pela Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), recomenda reduzir a exposição à fumaça, evitar atividades físicas e pedagógicas ao ar livre e manter os ambientes internos protegidos da poluição sempre que possível.

As escolas também podem reduzir a duração das aulas ou suspender atividades presenciais, de acordo com a intensidade da fumaça em cada localidade.

 

Qualidade do ar é considerada péssima em diferentes municípios

O problema não está restrito a Manaus. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontam qualidade do ar classificada como péssima em outras cinco cidades.

Entre os municípios afetados estão Autazes e Itacoatiara, na Região Metropolitana de Manaus, além de Urucurituba, Maués e Itapiranga, no interior.

A fumaça contém partículas finas que podem penetrar no sistema respiratório e provocar irritação nos olhos, tosse, dificuldade para respirar e agravamento de doenças preexistentes.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos que exigem maior atenção.

As autoridades recomendam evitar exercícios ao ar livre, reduzir a exposição à fumaça, manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de poluentes e procurar atendimento médico em caso de falta de ar ou agravamento dos sintomas.

 

Incêndios aumentaram 271% nos primeiros dez dias de outubro

Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), mostram que o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio entre 1º e 10 de outubro.

No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizados 372 registros. A comparação representa um aumento de aproximadamente 271%.

O crescimento dos focos de incêndio, associado às condições de estiagem e à propagação da fumaça, ampliou os impactos ambientais e as dificuldades enfrentadas pela população.

O monitoramento também identificou ocorrências em áreas públicas e regiões de floresta, aumentando a complexidade das operações de combate.

 

Oito suspeitos de provocar queimadas são identificados em Itacoatiara

Além da resposta emergencial, autoridades investigam a possível participação de pessoas na origem de parte dos incêndios.

Em Itacoatiara, no interior do Amazonas, oito suspeitos de provocar queimadas na zona rural foram identificados durante apurações realizadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).

Os casos foram encaminhados à Polícia Civil e ao Ministério Público do Amazonas (MPAM), responsáveis pelas providências cabíveis.

A identificação dos suspeitos não significa que a responsabilidade criminal tenha sido comprovada. As circunstâncias das ocorrências ainda dependem das investigações.

O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, também apontou indícios de incêndios criminosos após sobrevoar regiões afetadas.

Segundo ele, foram encontrados focos de fogo em áreas de floresta preservada, situação que levanta suspeitas de queimadas provocadas para degradar a vegetação e facilitar uma eventual derrubada posterior.

 

Quais cidades estão em situação de emergência?

O reconhecimento federal abrange 36 municípios do Amazonas, incluindo cidades da Região Metropolitana de Manaus, do sul do estado e de outras regiões atingidas pelos incêndios.

A lista inclui Autazes, Careiro, Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manacapuru, Manaquiri, Manaus, Novo Airão, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva e Silves.

Também estão em situação de emergência Apuí, Boca do Acre, Borba, Canutama, Humaitá, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Pauini e Tapauá.

Completam a relação Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Caapiranga, Coari, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Maués, Nova Olinda do Norte, Parintins, Tefé e Urucurituba.

O reconhecimento foi oficializado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) no sábado (10), depois da publicação do decreto estadual.

A medida permite acelerar solicitações de recursos federais para ações de socorro, assistência à população e combate aos incêndios.

 

Governo federal mobiliza aeronaves e brigadistas

Diante do avanço das queimadas, o governo federal mobilizou aeronaves e equipes especializadas para reforçar o trabalho de combate ao fogo.

A operação envolve aviões de combate a incêndios, helicópteros e aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), além da atuação de brigadistas federais.

Entre os recursos anunciados estão aeronaves KC-390, utilizadas no apoio às operações, e aviões especializados no lançamento de água sobre áreas atingidas.

O estado também conta com aproximadamente 290 brigadistas federais mobilizados para enfrentar os incêndios.

O governo do Amazonas informou que mantém ações de prevenção, fiscalização, monitoramento e combate às queimadas, com atuação de equipes estaduais e apoio federal.

Desde setembro, o estado mantém uma proibição temporária do uso do fogo em seu território, estabelecida por 120 dias, como parte das medidas para reduzir novos focos.

 

O que acontece agora?

As próximas medidas dependerão da evolução dos incêndios e das condições de qualidade do ar nos municípios atingidos.

As autoridades estaduais e municipais continuam monitorando a fumaça para decidir sobre a retomada das aulas e de outras atividades presenciais suspensas preventivamente.

As operações de combate seguem concentradas nas regiões mais afetadas, enquanto órgãos ambientais e de segurança investigam possíveis incêndios criminosos.

A população deve acompanhar os comunicados oficiais das secretarias de Educação, Saúde e Defesa Civil, especialmente em relação ao funcionamento das escolas e às recomendações de proteção contra a fumaça.

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