A Avenida Paulista, em São Paulo, recebeu duas grandes manifestações políticas em domingos consecutivos, reunindo apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversários no segundo turno das eleições de 2026. Imagens aéreas dos eventos mostram diferentes formas de ocupação da avenida, mas não permitem afirmar qual mobilização reuniu mais pessoas.
O ato de Flávio Bolsonaro, realizado neste domingo (18), teve público estimado em 71,9 mil pessoas no momento de maior concentração. O levantamento foi realizado pelo Monitor do Debate Político, ligado ao Cebrap, em parceria com a organização More in Common Brasil, utilizando imagens aéreas e recursos de inteligência artificial.
Já a manifestação de Lula, no domingo anterior (11), ocupou aproximadamente 12 quarteirões da Paulista. Apesar da extensão registrada, não houve estimativa independente de público, porque a campanha petista não autorizou o sobrevoo de drones para a contagem.
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O que mostram as imagens dos dois atos?
As imagens da manifestação de Lula mostram uma ocupação extensa da Avenida Paulista, com apoiadores distribuídos por aproximadamente 12 quarteirões. A concentração ocorreu nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp), com bandeiras, carros de som e participação de movimentos estudantis e organizações sociais.

Durante o evento, a estação Trianon-Masp do Metrô chegou a ser fechada devido à lotação na área externa. O presidente participou da mobilização e discursou para os manifestantes, destacando a importância da participação política e do comparecimento às urnas.
No ato de Flávio Bolsonaro, realizado uma semana depois, as imagens aéreas registraram uma concentração intensa de apoiadores em determinados trechos da avenida, especialmente nas proximidades do restaurante McDonald’s e do Parque Mário Covas.

As diferenças na distribuição do público ajudam a compreender a ocupação dos espaços, mas não são suficientes para estabelecer uma comparação numérica entre os eventos.
Manifestação de Flávio teve 71,9 mil participantes
A estimativa de 71,9 mil pessoas representa o momento de maior público no ato realizado neste domingo (18), segundo o levantamento independente.
O número supera a estimativa de aproximadamente 28 mil participantes registrada em uma manifestação bolsonarista realizada na Paulista em 7 de setembro deste ano.
A comparação indica aumento de público entre os dois eventos ligados ao mesmo campo político. Entretanto, não permite concluir que a manifestação de Flávio tenha sido maior ou menor que a de Lula, já que o ato petista não contou com medição equivalente.

Por que não houve contagem de público no ato de Lula?
O Monitor do Debate Político e a More in Common Brasil informaram que não conseguiram realizar a estimativa de público da manifestação de 11 de outubro porque não houve autorização da campanha de Lula para o sobrevoo de drones.
Segundo as organizações responsáveis pelo levantamento, essa foi a quarta ocasião em 2026 em que a campanha petista impediu a realização desse tipo de medição.
A metodologia utiliza fotografias aéreas e ferramentas computacionais para estimar a quantidade de pessoas presentes em uma área delimitada.
Sem imagens coletadas nas mesmas condições e sem uma contagem independente, a extensão ocupada pelo ato de Lula não pode ser convertida diretamente em número de participantes.

Mobilizações acontecem na reta final do segundo turno
As duas manifestações ocorreram após o primeiro turno presidencial, realizado em 4 de outubro, e fazem parte da mobilização política que antecede a votação decisiva de 25 de outubro.
No ato de 11 de outubro, Lula concentrou parte de seu discurso na necessidade de incentivar o comparecimento às urnas, especialmente entre os eleitores que não participaram da primeira etapa da eleição.
A manifestação de Flávio Bolsonaro, por sua vez, contou com mobilização de lideranças da direita e apoio de aliados políticos, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital, Ricardo Nunes.
A presença de apoiadores nas ruas demonstra a capacidade de mobilização das campanhas, mas não substitui pesquisas de intenção de voto nem permite antecipar o resultado eleitoral.
Próximos passos
Com o segundo turno marcado para o próximo domingo (25), as campanhas entram na última semana de atividades antes da votação.
A comparação das imagens dos dois atos oferece um retrato da mobilização política na capital paulista. Entretanto, como apenas uma das manifestações teve contagem independente, não existe base numérica equivalente para determinar qual reuniu mais participantes.
O resultado da disputa presidencial será definido pelos votos registrados nas urnas, independentemente do tamanho das manifestações realizadas durante a campanha.