Roberta Luchsinger diz que Lulinha se reunia com ministros

Lobista revela encontros frequentes de Lulinha com ministros e critica postura do presidente em entrevista exclusiva.
Redação NC News
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A lobista e empresária Roberta Luchsinger afirmou neste sábado (17), em entrevista exclusiva, que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, participou “inúmeras vezes” de reuniões com ministros do governo do pai, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente em encontros em que eram discutidas políticas públicas sobre medicamentos à base de canabidiol. Ela rebateu ataques de Lula, que a chamara de “pilantra”, e disse ser alvo de inquérito da Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência.

Quem é Roberta Luchsinger e qual sua relação com Lulinha?

Roberta Luchsinger é empresária e lobista, investigada pela Polícia Federal em um inquérito que apura suposto esquema de fraudes bilionárias no INSS e tráfico de influência envolvendo ela e Lulinha. Na entrevista gravada em seu apartamento em São Paulo, ela detalhou que atuava politicamente em Brasília para defender pautas, em especial a regulamentação e venda de medicamentos à base de canabidiol no Brasil.

Segundo a própria Roberta, sua aproximação com o filho do presidente se deu justamente nessa atuação como lobista. Ela relatou convivência intensa com Lulinha, com viagens e encontros em Brasília e em outros estados, e disse que ele a acompanhava em conversas com integrantes do governo federal.

Roberta contou ainda que cumpre medidas cautelares impostas pela Justiça desde dezembro, no âmbito do inquérito da PF, e que decidiu falar publicamente pela primeira vez a uma emissora de TV para se defender das acusações feitas por Lula e explicar seu papel nas apurações em curso.

O que Roberta Luchsinger revelou sobre as reuniões de Lulinha com ministros?

Na entrevista exibida hoje, Roberta afirmou que Lulinha esteve “inúmeras vezes” com ministros do governo e que chegou a viajar para a casa do ministro da Educação, Camilo Santana, no Ceará. “É público, é notório que o Lulinha, inúmeras vezes, esteve com ministros. Inclusive, viajou para a casa do ministro Camilo [Santana] no Ceará”, disse.

Ela acusou o presidente de mentir quando nega que o filho tenha se sentado com integrantes do alto escalão. “O Lula é um grande mentiroso quando fala: ‘Ela é uma pilantra, mas meu filho, não. Meu filho jamais sentou com algum ministro’. O filho dele sentava semanalmente com ministros, seja para trocar figurinha, seja para trocar outro tipo de diálogo. Eu sentava com ministros para discutir pautas relativas a políticas públicas”, afirmou.

Questionada se Lulinha participou de debates sobre políticas de canabidiol, Roberta respondeu que sim, ao menos como ouvinte frequente. “Com certeza ele já participou. Ele ficava junto comigo o tempo inteiro, é de ‘sabença’ geral, com certeza em algum momento ele já ouviu alguma discussão, ouviu alguma troca de ideia, principalmente do tema que eu mais batalhei, que foi a questão do canabidiol no Brasil. Então, provavelmente, com certeza ele já participou, ouviu e esteve ali presente”, relatou.

A assessoria do senador Camilo Santana negou qualquer encontro de teor oficial com Lulinha. “O senador Camilo Santana nunca esteve com o senhor Fabio Luís para tratar de qualquer assunto de governo ou de qualquer tipo de negócio. Absolutamente nada. E não tem relação alguma com a entrevistada”, afirmou em nota.

Quais são as acusações feitas por Roberta Luchsinger contra Lula e seu filho?

Além de dizer que Lulinha se reunia com ministros e acompanhava tratativas sobre políticas públicas, Roberta partiu para o confronto direto com o presidente. Ela reagiu às declarações de Lula, que em entrevistas anteriores a classificou como “pilantra” e a comparou ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

“O meu celular marca todo lugar que estive. Lula é mentiroso, está usando do mau-caratismo e da canalhice contra uma mulher com duas filhas. Ele não pode, não tem o direito de falar que defende as mulheres. Eu não tive, hora nenhuma, apoio de nenhuma mulher ligada a ele. Pelo contrário, eu tive o coro de mulheres ligadas a ele me chamando de pilantra”, afirmou a empresária.

Em uma das declarações que motivaram a reação de Roberta, Lula dissera: “Pelo o que eu sei, ela é uma pilantra muito grande. Ela muito se assemelha ao Vorcaro, porque o Vorcaro conseguiu enganar um monte de gente e ela também parece que enganou um monte de gente. Deve ser o Vorcaro feminino, porque ela conseguiu passar por muita gente, conversar com muita gente”.

Na entrevista deste sábado, Roberta também citou a mudança de Lulinha para a Espanha e disse que, mesmo à distância, ele segue no centro das investigações que a envolvem. Segundo ela, a PF apura se houve tráfico de influência e uso do acesso a integrantes do governo para favorecer interesses privados, inclusive na pauta do canabidiol.

Reação do Planalto e clima eleitoral

A equipe de comunicação do presidente divulgou nota para rebater as declarações da lobista. “O presidente Lula desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger. Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta”, afirmou.

O texto também questiona o momento escolhido para a entrevista, divulgada às vésperas do segundo turno da eleição. Segundo a nota, “causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição” e acusa a iniciativa de repetir o uso de denúncias “sem comprovação” para “manipulação da opinião pública” e tentativa de “tumultuar o processo democrático”.

A entrevista de Roberta, transmitida na TV e em plataformas digitais, expõe uma versão que confronta diretamente a narrativa do Planalto sobre o papel de Lulinha e reacende o debate sobre influência familiar na máquina pública. A PF, que já conduz inquérito sobre supostas fraudes no INSS e tráfico de influência, pode considerar os novos relatos nas próximas etapas da investigação.

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