A senadora Soraya Thronicke afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria ameaçado divulgar imagens relacionadas à transição de gênero de seu filho durante a campanha presidencial de 2022. A declaração foi feita em entrevista ao podcast 3 Irmãos, divulgada no domingo (18), e repercutiu nesta segunda-feira (19).
Segundo a parlamentar, a informação sobre a suposta ameaça chegou por meio de integrantes da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), então adversário de Bolsonaro na disputa pela Presidência. Soraya afirmou que foi alertada sobre a possibilidade de divulgação de fotografias pessoais de seu filho, um homem trans, com o objetivo de expor sua família durante o período eleitoral.
A senadora disse que o episódio provocou medo e a levou a afastar temporariamente o filho da exposição pública. Ela também apontou a situação como um dos motivos para o rompimento político com Bolsonaro. Até o momento, o relato apresentado pela parlamentar não foi acompanhado, na reportagem consultada, de comprovação independente da participação direta do ex-presidente na suposta ameaça.
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Soraya relata alerta sobre possível exposição do filho
Durante a entrevista, Soraya contou que recebeu, por aproximadamente um ano, arquivos enviados anonimamente com fotografias de seu filho antes e depois da transição de gênero.
De acordo com a senadora, durante a campanha presidencial de 2022, representantes ligados à candidatura de Lula a procuraram para avisar que essas imagens poderiam ser divulgadas à imprensa.
Ao reproduzir o alerta que afirma ter recebido, Soraya atribuiu a Bolsonaro a intenção de explorar politicamente a vida pessoal de seu filho. A parlamentar, porém, não relatou ter recebido a suposta ameaça diretamente do ex-presidente.

Senadora diz que afastou o filho durante campanha
Soraya afirmou que ficou abalada com a possibilidade de exposição de informações privadas de sua família e decidiu afastar o filho do ambiente da campanha eleitoral.
“Eu, dentro dos 45 dias de campanha, tirei meu filho daqui, mudei ele para o interior”, declarou a senadora durante a entrevista.
A parlamentar também relatou ter enfrentado uma crise de pânico após receber o aviso. Segundo ela, o principal receio era o impacto que a divulgação das imagens poderia provocar na vida do filho.
Soraya contou ainda que conversou com o jovem sobre a situação e recebeu apoio dele para continuar enfrentando o episódio publicamente.
Soraya afirma que enviou recado a Bolsonaro
Após receber o alerta, a senadora disse ter enviado uma mensagem direcionada a Bolsonaro e a integrantes de sua equipe de campanha, afirmando que reagiria caso as informações sobre o filho fossem divulgadas.
Segundo Soraya, a exposição anunciada não aconteceu.

“Bolsonaro me ameaçou com o meu filho, então eu não terei limites, dentro da legalidade, para responder”, afirmou a senadora.
A declaração representa a versão apresentada por Soraya sobre acontecimentos de 2022. A reportagem consultada não apresenta registros que permitam confirmar de forma independente a autoria da suposta ameaça.
Episódio teria motivado rompimento político
Soraya Thronicke teve proximidade política com o bolsonarismo antes de se distanciar do então presidente durante a eleição de 2022. Naquele ano, concorreu ao Palácio do Planalto pelo União Brasil e recebeu mais de 600 mil votos, equivalentes a aproximadamente 0,51% dos votos válidos.
Após o primeiro turno, a senadora não declarou apoio a nenhum dos dois candidatos que disputaram a etapa final daquela eleição. Posteriormente, passou a se aproximar politicamente do governo Lula.
Na entrevista divulgada neste domingo, Soraya afirmou que a suposta ameaça envolvendo seu filho foi determinante para o rompimento com Bolsonaro.

Relato ainda depende de confirmação independente
As declarações de Soraya trazem uma nova versão pública sobre os conflitos políticos ocorridos durante a campanha presidencial de 2022. A senadora afirma que tomou conhecimento da suposta ameaça por terceiros e que recebeu arquivos anônimos relacionados à vida pessoal do filho.
É importante distinguir o relato da parlamentar de fatos comprovados: a entrevista registra a acusação, mas não estabelece, por si só, que Bolsonaro tenha determinado ou autorizado a divulgação das imagens.
A reportagem de referência não apresenta uma manifestação específica da defesa de Jair Bolsonaro sobre essa nova declaração. Também não informa a existência de uma investigação formal sobre a suposta ameaça.
O caso reacende o debate sobre o uso de informações privadas de familiares em disputas políticas e os limites da exposição pessoal durante campanhas eleitorais.