Um homem foi preso após ser acusado de utilizar pedidos de delivery e transferências via Pix de R$ 0,01 para ameaçar uma mulher na região de Santos, no litoral de São Paulo. Segundo reportagem publicada pelo g1 nesta terça-feira (20), o suspeito teria enviado 30 pedidos de entrega como parte das ações direcionadas à vítima.
O caso chama a atenção pela utilização de serviços cotidianos, como aplicativos de entrega e transferências bancárias, para estabelecer contatos indesejados. As circunstâncias da prisão e o histórico de relacionamento entre o suspeito e a mulher ainda precisam ser confirmados.
O episódio também levanta um alerta sobre a perseguição praticada por meios digitais. Mesmo quando não há contato presencial, mensagens insistentes, ameaças e tentativas repetidas de aproximação podem ser investigadas criminalmente.
Pedidos de delivery e Pix de um centavo teriam sido usados para ameaçar vítima
De acordo com o título da reportagem do g1, o homem teria realizado 30 pedidos de delivery e enviado transferências bancárias de apenas um centavo para ameaçar a mulher.
O Pix permite que usuários incluam mensagens em transferências financeiras. Em situações de perseguição, essa funcionalidade pode ser utilizada para tentar estabelecer contato com pessoas que bloquearam o remetente em outros aplicativos.
Já o envio de entregas não solicitadas pode provocar situações de constrangimento e insegurança, especialmente quando os pedidos são repetidos e direcionados ao endereço da vítima.
Ainda não foi possível confirmar o conteúdo das ameaças, o período em que os pedidos foram realizados ou se a mulher havia solicitado medidas de proteção antes da prisão.
Outro caso envolveu transferências de R$ 0,01 no Amapá
Em setembro de 2026, um homem de 20 anos foi preso em Macapá, no Amapá, suspeito de divulgar imagens íntimas da ex-namorada sem autorização.
Segundo a Polícia Civil, o investigado também utilizava transferências via Pix de R$ 0,01 para tentar manter contato com a jovem depois de ter sido bloqueado em outros canais de comunicação.
As transferências eram acompanhadas de mensagens direcionadas à vítima. Durante a investigação, a polícia reuniu elementos sobre as tentativas de contato e a divulgação não autorizada de conteúdo íntimo.
Embora sejam ocorrências distintas, os dois casos mostram como ferramentas digitais podem ser utilizadas em situações de intimidação e perseguição.
Perseguição é crime previsto no Código Penal
Desde 2021, a perseguição reiterada, conhecida como stalking, é considerada crime no Brasil.
O artigo 147-A do Código Penal prevê punição para quem persegue outra pessoa repetidamente, por qualquer meio, ameaçando sua integridade física ou psicológica, restringindo sua capacidade de locomoção ou invadindo sua liberdade e privacidade.
A pena prevista é de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa. A legislação também estabelece situações que podem aumentar a punição, incluindo casos em que o crime é cometido contra mulheres por razões relacionadas à condição do sexo feminino.
Dependendo das circunstâncias, ameaças realizadas durante a perseguição também podem configurar outros crimes.
Como denunciar ameaças e perseguição?
Pessoas que enfrentam situações de perseguição podem procurar a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência e apresentar provas dos episódios.
Mensagens, comprovantes de transferências, registros de entregas, capturas de tela e históricos de ligações podem ajudar as autoridades a identificar a repetição das condutas.
Mulheres em situação de violência também podem buscar orientação pelo Ligue 180, canal nacional de atendimento. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
Próximos passos
O caso divulgado nesta terça-feira deverá ser acompanhado para esclarecer as circunstâncias da prisão, a tipificação dos crimes investigados e a existência de eventuais medidas de proteção à vítima.
Também é necessário confirmar a manifestação da defesa do suspeito e o andamento do procedimento policial.