Fazer compras no supermercado sem enfrentar filas, passar produtos pelo leitor de código de barras ou utilizar um caixa tradicional está prestes a se tornar realidade em uma nova unidade do Grupo Muffato. A empresa inaugura nesta quarta-feira (21), em Curitiba, no Paraná, uma loja equipada com inteligência artificial capaz de identificar automaticamente os produtos escolhidos pelos consumidores.
Com investimento de R$ 10 milhões, o estabelecimento terá 587 câmeras de resolução 4K e 817 prateleiras com sensores. O sistema acompanha os produtos retirados das gôndolas e organiza uma cesta virtual, permitindo que o cliente finalize a compra sem precisar registrar cada mercadoria.
A novidade é apresentada pelo grupo como a maior loja de compras totalmente autônomas da América Latina. A iniciativa é liderada por uma das maiores redes supermercadistas do país, que registrou faturamento de R$ 20,3 bilhões em 2025 e ocupa a sexta posição no ranking nacional do setor.
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Como funciona o supermercado sem caixas?
A nova unidade, chamada MGO, será inaugurada no bairro Centro Cívico, em Curitiba. Diferentemente dos supermercados tradicionais, o consumidor poderá entrar, escolher os produtos e seguir diretamente para a etapa de pagamento, sem precisar passar as mercadorias por um leitor.
O funcionamento depende da integração entre câmeras, sensores e algoritmos de inteligência artificial.
Quando um produto é retirado da prateleira, o sistema identifica a mercadoria e a adiciona automaticamente a uma cesta virtual. Se o cliente desistir da compra e devolver o item ao lugar, o registro é atualizado.
A tecnologia utiliza visão computacional para acompanhar a movimentação dos produtos e identificar quais mercadorias foram selecionadas.
Ao todo, são 587 câmeras e 817 prateleiras sensorizadas, conectadas a mais de 70 controladores responsáveis pelo processamento das informações.
Inteligência artificial também reconhece frutas e produtos vendidos por peso
Uma das principais novidades da loja é a capacidade de identificar produtos que normalmente precisam ser pesados, como frutas, legumes, verduras e alimentos de padaria.
Nos supermercados convencionais, esses itens geralmente exigem uma etapa adicional de pesagem ou identificação.
Na nova unidade, o sistema combina as imagens captadas pelas câmeras com informações de peso registradas pelos sensores.
Dessa forma, a inteligência artificial consegue reconhecer o produto e incluí-lo na compra sem que o consumidor precise utilizar uma balança convencional ou imprimir etiquetas.
O recurso amplia a automação para setores que representam um desafio maior aos supermercados autônomos, já que nem todos os alimentos possuem códigos de barras individuais.
Como será feito o pagamento das compras?
Apesar de dispensar os caixas tradicionais, a loja continuará oferecendo diferentes formas de pagamento.
Os consumidores que utilizarem o aplicativo da MGO poderão cadastrar um cartão e ter o valor das compras debitado automaticamente ao deixar o estabelecimento.
Quem preferir não utilizar o aplicativo poderá pagar em totens instalados na saída, com opções de Pix, cartão ou vale-alimentação.
Nesse caso, o sistema recupera a cesta virtual montada durante a compra e apresenta o valor total. O cliente não precisará escanear novamente os produtos.
Outra mudança é que não será necessário fazer cadastro prévio para entrar no supermercado.
Na primeira geração da MGO, lançada há quatro anos, os consumidores precisavam baixar um aplicativo e utilizar um QR Code para acessar o estabelecimento.
Grupo Muffato investe R$ 10 milhões em nova tecnologia
O projeto foi desenvolvido em parceria com a Sensei, empresa portuguesa especializada em automação para o comércio.
A tecnologia não será utilizada apenas para registrar as compras dos clientes. O sistema também poderá auxiliar na administração da loja, identificando produtos com estoque baixo e informando aos funcionários quando for necessário realizar a reposição.
A plataforma ainda permite acompanhar padrões de consumo, organizar mercadorias e reunir informações que podem ajudar a reduzir perdas operacionais.
Segundo o Grupo Muffato, a nova unidade representa uma evolução de experiências anteriores com autoatendimento, compras digitais e pagamentos automatizados.
“Nós temos essa característica de inovar e de ousar para construir um varejo cada vez mais eficiente. E a nova geração da MGO chega para isso – através da tecnologia, elevar a experiência de compras”, afirmou Ederson Muffato, diretor do grupo, em declaração divulgada pela Exame.
Rede faturou mais de R$ 20 bilhões em 2025
O investimento na nova loja faz parte da estratégia de expansão tecnológica do Grupo Muffato, empresa fundada em 1974, na cidade de Cascavel, no oeste do Paraná.
O negócio começou como um armazém de secos e molhados e cresceu ao longo das décadas até se transformar em uma das maiores redes supermercadistas brasileiras.
Segundo o Ranking ABRAS 2026, da Associação Brasileira de Supermercados, o grupo registrou faturamento de R$ 20,3 bilhões em 2025.
Atualmente, a companhia possui aproximadamente 130 lojas distribuídas pelo Paraná e por São Paulo.
A rede também ampliou sua presença no mercado paulista em 2023, quando adquiriu 16 lojas e 11 postos de combustíveis anteriormente operados pelo Makro.
Supermercados sem caixas podem se tornar mais comuns?
A inauguração da nova MGO representa uma tentativa de transformar as lojas autônomas em um modelo comercial que possa ser ampliado.
Até então, parte das iniciativas do setor funcionava como projetos experimentais ou estabelecimentos menores, com limitações na variedade de produtos.
Com a nova unidade, o Grupo Muffato pretende demonstrar que a tecnologia também pode funcionar em uma operação supermercadista mais ampla, incluindo produtos frescos e mercadorias vendidas por peso.
A empresa ainda poderá utilizar os sistemas de inteligência artificial para melhorar a integração entre as lojas físicas e o comércio eletrônico.
Embora o modelo prometa reduzir etapas do atendimento e facilitar as compras, sua expansão dependerá de fatores como custos de implantação, funcionamento dos equipamentos e aceitação dos consumidores.
A unidade de Curitiba será uma oportunidade para avaliar o desempenho da tecnologia em uma operação comercial e verificar como os clientes se adaptam à experiência de comprar sem passar por um caixa tradicional.