A influenciadora digital Malévola Alves, de 22 anos, presa no Egito nesta terça-feira (20), já havia se envolvido em outras polêmicas no Brasil, incluindo uma prisão em flagrante em São Paulo, discussões com famosos e uma confusão durante a apresentação de um musical. Conhecida pelos vídeos de humor e conteúdos sobre sua rotina, a brasileira voltou ao centro das atenções após ser detida com uma amiga na cidade egípcia de Alexandria.
O nome verdadeiro de Malévola é Mariana Alves Gadelha Pereira. A influenciadora é uma mulher trans e ganhou popularidade nas redes sociais ao compartilhar vídeos sobre moda, beleza, viagens e situações do cotidiano. Ela reúne centenas de milhares de seguidores e também ficou conhecida por desentendimentos públicos com outras personalidades da internet.
A prisão no Egito ocorreu após a circulação de vídeos nos quais Malévola e a amiga Bruna Mercatelli aparecem interagindo com pessoas nas ruas. Segundo o Ministério do Interior egípcio, as duas são investigadas por supostas insinuações sexuais e assédio. A defesa acompanha o caso e mantém contato com a Embaixada do Brasil no Cairo.
Governo do Egito confirma detenção de Malévola Alves por suposta “exibição pornográfica”
Quem é Malévola Alves, influenciadora presa no Egito?
Malévola Alves ganhou espaço na internet com conteúdos de humor, estilo de vida e vídeos em que mostra sua preparação para eventos, conhecidos como “arrume-se comigo”.
A influenciadora também costuma compartilhar viagens internacionais e experiências pessoais. Seu jeito espontâneo e as discussões com outras personalidades contribuíram para ampliar sua visibilidade nas plataformas digitais.
Em 2024, Malévola participou do Rancho do Maia, reality show promovido pelo influenciador Carlinhos Maia. Durante a participação, ela se envolveu em uma situação que ganhou repercussão depois de usar um vestido branco em uma cerimônia de casamento realizada no programa.
O episódio foi comentado nas redes sociais e se tornou um dos momentos associados à passagem da influenciadora pela atração.
Malévola já foi presa em São Paulo após confusão em casa noturna
Antes da detenção no Egito, Malévola havia sido presa em flagrante em 30 de agosto de 2026, após uma confusão em uma casa noturna da capital paulista.
Segundo a Corregedoria da Polícia Civil, a influenciadora foi autuada por suspeita de lesão corporal e desacato contra uma policial civil.
Um homem que estava envolvido na ocorrência também foi preso. De acordo com a polícia, ele teria se apresentado como integrante da corporação sem fazer parte da instituição.
Os dois foram liberados após o pagamento de fiança. Na ocasião, Malévola afirmou nas redes sociais que havia desembolsado R$ 1.600 para deixar a delegacia.
A defesa apresentou uma versão diferente sobre o início da confusão. Segundo os advogados, a influenciadora e seus amigos receberam autorização para permanecer em um camarote, mas posteriormente foram abordados por outro funcionário, que exigiu a saída do grupo.
Os representantes de Malévola alegaram que a abordagem foi agressiva e que a influenciadora sofreu ferimentos no rosto durante o tumulto.
A prisão em flagrante não representa condenação, e não há informação confirmada sobre uma sentença relacionada ao episódio.
Briga com MC Paiva e Soso Careca ganhou repercussão
Outro episódio envolvendo Malévola ocorreu em abril de 2026, quando ela protagonizou uma discussão com o cantor MC Paiva e a influenciadora Soso Careca, nome pelo qual Sophia Florence é conhecida nas redes sociais.
O desentendimento começou após Malévola reclamar do preço cobrado por um salão de beleza para pintar seu cabelo. Soso Careca se manifestou em defesa do profissional, dando início a uma troca de críticas pela internet.
A discussão ganhou novos contornos quando Malévola questionou MC Paiva sobre mensagens que teriam sido trocadas entre eles.
Durante o conflito, o cantor fez uma declaração que foi interpretada pela influenciadora como transfóbica.
Posteriormente, Malévola e uma amiga foram até um shopping de São Paulo onde o casal estava. Imagens da discussão circularam nas redes sociais.
Em setembro, os envolvidos voltaram a protagonizar um desentendimento, reacendendo a repercussão do caso.
Confusão durante musical Wicked também envolveu influenciadora
Em março de 2025, Malévola relatou ter sido vítima de transfobia durante uma apresentação do musical Wicked, em São Paulo.
Segundo a influenciadora, uma mulher teria se referido a ela como homem enquanto ambas aguardavam atendimento na fila da pipoca.
O episódio provocou uma discussão no teatro e levou ao acionamento da Polícia Militar, conforme informações divulgadas pela produção do espetáculo.
A atriz Fabi Bang, que interpretava Glinda na montagem brasileira, manifestou apoio à influenciadora e criticou comportamentos discriminatórios.
A situação ganhou repercussão entre fãs do musical e nas redes sociais, especialmente por envolver uma denúncia de transfobia.
Por que Malévola Alves foi presa no Egito?
A detenção mais recente aconteceu nesta terça-feira (20), em Alexandria, no Egito, durante uma viagem da influenciadora com a amiga Bruna Mercatelli.
De acordo com o Ministério do Interior egípcio, vídeos publicados nas redes sociais mostrariam as duas fazendo gestos de conotação sexual e abordando pessoas em espaços públicos.
As autoridades classificaram o comportamento como suposta exibição pornográfica e assédio. Segundo o comunicado oficial, as brasileiras teriam admitido durante o interrogatório que gravaram os conteúdos para aumentar as visualizações de seus perfis.
Essa versão foi apresentada pelas autoridades locais e não representa uma conclusão judicial sobre a responsabilidade das investigadas.
Antes da confirmação oficial da detenção, Malévola publicou mensagens relatando que havia sido abordada por policiais durante um passeio turístico. Segundo ela, os agentes recolheram os passaportes das duas e as encaminharam a uma delegacia.
A influenciadora também afirmou que os policiais fizeram perguntas sobre a identidade de gênero das brasileiras.
Defesa procura autoridades brasileiras e acompanha investigação
O advogado Jonatha Carvalho Matos, responsável pela defesa de Malévola, informou que mantém contato com a Embaixada do Brasil no Cairo e com autoridades locais para acompanhar os procedimentos.
A equipe jurídica busca assegurar a integridade física da influenciadora e o respeito aos seus direitos durante a investigação.
O caso ocorre em um país que enfrenta críticas de organizações internacionais de direitos humanos pelo tratamento dispensado a pessoas LGBTQIA+.
Embora a legislação egípcia não criminalize expressamente a identidade de gênero trans, normas relacionadas à moralidade pública são utilizadas em processos e detenções envolvendo integrantes dessa população.
Próximos passos
O caso de Malévola Alves e Bruna Mercatelli foi encaminhado ao Ministério Público egípcio, responsável pela apuração das acusações apresentadas pelas autoridades locais.
Até as informações disponíveis nesta quarta-feira (21), não havia confirmação de uma decisão judicial definitiva nem de uma data para eventual liberação das brasileiras.
A defesa segue acompanhando a situação e busca esclarecimentos sobre os procedimentos legais. A evolução da investigação deverá determinar se haverá apresentação de acusações formais e quais medidas poderão ser adotadas pelas autoridades egípcias.