O namoro de seis meses entre Soso Careca, a criadora de conteúdo Sophia, e o funkeiro MC Paiva termina em julho, em meio a reconciliação pública com a influenciadora trans Malévola. O rompimento, anunciado nesta sexta-feira (17) nas redes sociais, expõe um racha que nasce de uma briga anterior marcada por acusações de transfobia e agressividade em um shopping de São Paulo.
Reconciliação em live dispara fim do relacionamento
De intercâmbio fora do Brasil, Soso conta aos seguidores que a decisão parte de MC Paiva depois que ela faz uma live para se resolver com Malévola. A influenciadora, que se tornou conhecida em vídeos de humor e lifestyle, narra o fim com frases diretas e em tom de desabafo.
“Ele acabou de terminar comigo porque eu fiz uma live com a Malévola, me resolvendo com ela, e ele ficou muito magoado porque eu me resolvi com alguém que ele teve briga, depois de tudo que fez com ele. Então ele me bloqueou de tudo, não me deu tempo para explicar, apagou todas as fotos, e é isso, acabou meu relacionamento”, diz Sophia nas redes.
O movimento de Paiva é rápido: bloqueio em todas as plataformas, exclusão das imagens do casal e comunicado em tom de despedida. “Família, só peço que Deus abençoe a vida da Sophia, mas já que veio à tona, eu e ela não somos um casal. Desejo tudo de bom para ela. Ela foi uma menina muito boa na minha vida, mas infelizmente chegamos ao nosso fim. Deixando bem claro, não houve traições, nem falta de respeito de ambas as partes. Deus abençoe todos nós, foco no trampo”, afirma o funkeiro em stories.
Briga em shopping e acusação de transfobia acendem o pavio
O rompimento atual se conecta a um conflito que explode em abril, no shopping Anália Franco, zona leste de São Paulo. Naquele dia, MC Paiva e Soso vão ao cinema com amigos, enquanto Malévola e a também influenciadora Ray Pugliese decidem encontrá-los no local. As duas descobrem onde o casal está por vídeos que Soso publica em tempo real no TikTok, prática que alimenta a curiosidade do público e pesquisas como “Soso Careca e Paiva” e “Soso Careca família”.
O encontro vira confronto. Em vídeo divulgado por Malévola, ela e Ray aparecem tirando satisfação com o funkeiro por suposta transfobia em conversa privada. Durante uma troca de mensagens, ao ser questionado se estaria ameaçando uma mulher, Paiva responde: “Que mulher?”. A frase é lida por Malévola como recusa em reconhecê-la como mulher trans.
No shopping, o clima sobe. As influenciadoras relatam que o cantor parte para cima delas, mas não chega a agredi-las fisicamente. A confusão é filmada, repercute nas redes e reforça a percepção de um ambiente cada vez mais inflamado em torno do trio, com reações apaixonadas de fãs e opositores.
Do salão de beleza ao desgaste público
A raiz do conflito está em uma reclamação de consumo que vira caso de internet. Dias antes da briga no Anália Franco, Malévola surge em vídeos denunciando um salão de beleza de São Paulo, onde teria pago R$ 6 mil para descolorir o cabelo, depois de ter recebido, segundo ela, um orçamento de até R$ 2,8 mil. Ela exige estorno, protesta em frente ao estabelecimento e atrai apoio de parte do público.
Soso sai em defesa do cabeleireiro Robson Souza, profissional ligado ao salão. Em meio à polêmica sobre o valor do serviço e a reputação do salão, ela grava vídeos apoiando o hairstylist. A atitude irrita Malévola, que reage atacando a influenciadora e trazendo o relacionamento para o centro da disputa.
Em um dos vídeos, Malévola afirma que Soso seria alvo de diversas traições de MC Paiva. O funkeiro reage em privado, na direct do Instagram, e a conversa termina com a frase que é apontada como transfóbica. É a partir daí que a tensão virtual se transfere para o shopping, e o trio passa a ser visto como protagonista de uma novela pública, com capítulos diários nas redes.
Fim sem volta e batalha por narrativa
Ao decidir fazer as pazes com Malévola em uma live, Soso tenta encerrar o conflito. A transmissão, que reúne seguidores das duas e reabre debates sobre respeito à identidade de gênero, é o gatilho para o fim do namoro. Paiva entende o gesto como traição de lealdade. Ela, como tentativa de pacificação.
Sophia afirma aos fãs que ainda ama o funkeiro, mas descarta reconciliação. Nas interações no TikTok, ela curte comentários que sugerem que ele teria “enjoado” e esperado um motivo para terminar, hipótese que nega verbalmente, ao mesmo tempo em que confirma que não voltaria com ele. A ambiguidade reforça o clima de mágoa e encerramento.
“A gente passa por isso mesmo. Só estou triste de estar passando por isso sozinha em outro país. Mas quando eu chegar ao Brasil tudo vai se resolver. Deus abençoe todo mundo, desejo tudo de bom para ele, ainda amo ele, mas se ele não quer nem me escutar não tem problema, gente, fazer o quê?”, diz. Ela pede ainda que os fãs não ataquem ninguém, nem o ex-namorado, nem Malévola.
Paiva, por sua vez, publica uma indireta que sugere fechamento emocional. “Faço qualquer coisa por quem amo, por isso não posso amar qualquer pessoa”, escreve em story, em mensagem que seus seguidores leem como resposta à reconciliação de Soso com a influenciadora trans.
Impacto na imagem e alerta para o mundo dos influenciadores
O caso ultrapassa o campo do entretenimento e entra na discussão sobre como temas sensíveis, como transfobia e respeito à identidade de gênero, influenciam a carreira de artistas. A sequência de ataques, defesas e reviravoltas atinge diretamente a imagem de todos os envolvidos e interessa a marcas, agências de publicidade e equipes de gestão de crise.
Empresas que buscam associar produtos a influenciadores olham com cautela para episódios assim, que podem impulsionar engajamento, mas também trazer rejeição. O desenrolar da história de Soso Careca e Malévola, do salão à live de reconciliação, e a reação de MC Paiva, viram estudo de caso sobre o limite entre vida pessoal e persona pública em um cenário onde tudo é mediado por tela.
Enquanto Sophia tenta atravessar o fim do namoro longe da família e dos amigos mais próximos, em outro país, o funkeiro reforça o discurso de foco no trabalho. A influenciadora trans, por sua vez, retoma conteúdo próprio, amparada por uma base de seguidores que a vê como vítima de transfobia. As próximas semanas devem ser decisivas para a reconstrução de imagem dos três, com possíveis novos posicionamentos e, talvez, esclarecimentos mais detalhados quando Soso voltar ao Brasil.
Até lá, o rompimento permanece como retrato de um tempo em que desentendimentos de salão de beleza, lives de acerto de contas e conflitos sobre identidade de gênero se cruzam com romances e contratos. A história que começa com uma cobrança de R$ 6 mil por um cabelo loiro termina, por ora, com um casal a menos no universo de influenciadores e um alerta a quem vive da própria imagem.