A expressão “Bolsonaro e Talvane Albuquerque” disparou nas buscas do Google nesta quinta-feira (22), depois que o deputado federal André Janones (Rede-MG) convocou o chamado “Exército do Lula” a pesquisar o caso. A mobilização trouxe de volta um episódio de 1999 na Câmara dos Deputados, ligado ao assassinato da deputada Ceci Cunha, em 1998.
A ação acontece na reta final da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com aliados dos dois lados intensificando ações nas redes para pautar o debate e mobilizar eleitores.
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Entenda o que aconteceu
Janones pediu que apoiadores do presidente pesquisassem o voto de Jair Bolsonaro, então deputado federal, na sessão que analisou a cassação de Talvane Albuquerque. O resultado foi a explosão da busca pelo nome dos dois, o que mostra como a pauta circulou rapidamente nas redes.
Por que Jair Bolsonaro votou contra a cassação
Em 7 de abril de 1999, a Câmara votou a cassação do mandato de Talvane Albuquerque, suplente de Ceci Cunha. Segundo relatos publicados posteriormente, Bolsonaro estava entre os 29 parlamentares que votaram contra a perda do mandato. A cassação foi aprovada por 427 votos.
Naquele momento, a votação tratava de quebra de decoro parlamentar. A condenação criminal de Albuquerque pelo assassinato veio anos depois. Por isso, o voto de Bolsonaro contra a cassação não equivale, por si só, a apoio ao crime.
Quem foi Talvane Albuquerque
Ceci Cunha foi assassinada em 16 de dezembro de 1998, em Maceió, junto com o marido e outros dois familiares. Talvane Albuquerque, que era seu suplente, foi apontado como mandante da chacina, relacionada à disputa pela vaga na Câmara Federal.
Anos depois, ele foi condenado a 103 anos de prisão pelo crime. O caso ficou conhecido como Chacina da Gruta e marcou a história política de Alagoas.
Janones transforma caso antigo em arma eleitoral
Ao convocar o Exército do Lula, Janones recuperou um fato histórico com potencial de repercussão nas redes. A estratégia mostra como campanhas e aliados usam episódios antigos para questionar adversários e disputar a narrativa eleitoral.
A viralização da expressão não significa que os usuários tenham chegado a uma conclusão. O episódio exige distinguir o voto parlamentar de 1999, os motivos formais da cassação e a condenação criminal posterior de Talvane Albuquerque.