A influenciadora brasileira Malévola Alves, de 22 anos, afirmou nesta quinta-feira (22) que foi obrigada a ficar nua diante de autoridades durante sua detenção no Egito. Segundo ela, os agentes exigiram que retirasse as roupas para verificar se era mulher. A influenciadora, que é uma mulher trans, disse ter se sentido humilhada e relatou que o tratamento recebido mudou depois do procedimento.
O desabafo foi publicado nas redes sociais um dia após Malévola e a amiga Bruna Mercatelli serem liberadas da prisão mediante pagamento de fiança. As duas haviam sido detidas na terça-feira (20), em Alexandria, depois que vídeos gravados durante a viagem passaram a ser investigados pelas autoridades egípcias.
Em seu relato, Malévola afirmou que foi levada para uma sala separada e obrigada a mostrar o corpo aos agentes. Ela contou que os responsáveis pela abordagem pediram desculpas posteriormente, mas destacou o impacto emocional da situação.
“Eu tive que ficar pelada. Me levaram para uma sala, eu tive que ficar pelada para eles verem se eu era mulher mesmo. E eles viram que eu era mulher, pediram desculpa depois, mas eu me senti um lixo”, relatou.

Malévola Alves e amiga são soltas após prisão no Egito por vídeos considerados obscenos
Malévola afirma que tratamento mudou após ser obrigada a tirar a roupa
Segundo a influenciadora, os policiais questionaram repetidamente se ela e Bruna eram mulheres trans. Malévola contou que ficou especialmente preocupada com a segurança da amiga, que não havia passado por cirurgia de redesignação sexual.
Por já ter realizado o procedimento, ela afirmou que tentou se apresentar primeiro às autoridades para evitar que Bruna fosse submetida a uma situação semelhante.
Malévola disse que a amiga não precisou retirar as roupas, mas que ela própria foi obrigada a passar pela verificação corporal.
A influenciadora também afirmou que, depois de os agentes constatarem que ela havia passado pela cirurgia, a forma como era tratada mudou.
“Depois que eles viram que eu tinha vagina, o tratamento mudou. Eles começaram a dar comida, eles começaram a dar água, começaram a ser mais educados”, declarou.
O episódio foi descrito pela brasileira como um dos momentos mais difíceis da detenção. Até o momento, não há confirmação independente sobre as circunstâncias do procedimento relatado por ela nem manifestação específica das autoridades egípcias sobre essa acusação.

Influenciadora relata mais de 24 horas sem contato com familiares
Além da denúncia de exposição forçada, Malévola afirmou que passou horas em delegacias sem conseguir se comunicar com familiares ou amigos.
Segundo ela, os celulares foram recolhidos pelas autoridades, o que impediu o contato com pessoas próximas durante mais de 24 horas.
A influenciadora também relatou que precisou dormir em uma cadeira dura enquanto permanecia sob custódia.
O período de detenção foi marcado por incertezas sobre o que poderia acontecer com as brasileiras. Antes de perder o contato com seus seguidores, Malévola já havia publicado mensagens demonstrando preocupação com a abordagem policial e com a retenção de seus passaportes.
O relato sobre as condições de detenção foi divulgado após a soltura das duas mulheres, quando Malévola voltou a utilizar as redes sociais para contar sua versão dos acontecimentos.
Malévola rebate acusações sobre vídeos gravados no Egito
No mesmo pronunciamento, a influenciadora comentou as gravações que motivaram a investigação das autoridades egípcias.
Os vídeos mostram Malévola e Bruna interagindo com homens durante passeios pelo país. Segundo o Ministério do Interior do Egito, as imagens apresentariam gestos de conotação sexual, comportamentos considerados obscenos e possíveis situações de assédio contra pessoas em espaços públicos.
Malévola contestou as críticas e afirmou que as interações registradas nas gravações aconteceram com o consentimento dos participantes.
“Os homens que estavam participando eram homens que queriam aparecer”, afirmou.
A brasileira também relatou que ela e suas acompanhantes teriam sofrido episódios de assédio durante a viagem, inclusive desde a chegada ao Cairo.
Segundo a influenciadora, houve situações em que homens teriam tentado tocá-las sem autorização. Ela afirmou ainda que procurou a polícia para denunciar alguns desses episódios, mas não teria recebido a assistência esperada.
“E a roupa não dá permissão de ninguém me assediar, a roupa não dá permissão de ninguém passar a mão em mim”, declarou.
As afirmações representam a versão apresentada por Malévola. As autoridades egípcias, por outro lado, sustentam que os vídeos publicados pelas brasileiras justificaram a abertura da investigação.
Por que Malévola Alves foi presa no Egito?
Malévola Alves, cujo nome de registro é Mariana Alves Gadelha Pereira, foi detida na terça-feira (20), em Alexandria, durante uma viagem turística ao Egito.
A amiga Bruna Mercatelli também foi conduzida pelas autoridades locais.
De acordo com o Ministério do Interior egípcio, a investigação começou após a identificação de vídeos publicados nas redes sociais que mostrariam as duas brasileiras fazendo insinuações sexuais e abordando pessoas nas ruas.
O governo afirmou que as influenciadoras teriam admitido a produção dos conteúdos para aumentar as visualizações de seus perfis. Não foram divulgados detalhes independentes sobre as circunstâncias em que essas supostas declarações foram obtidas.
A detenção também gerou preocupação pelo fato de ambas serem mulheres trans. Organizações internacionais de direitos humanos já denunciaram episódios de discriminação e perseguição contra pessoas LGBTQIA+ no Egito.
Embora a identidade de gênero trans não seja expressamente criminalizada pela legislação egípcia, normas relacionadas à moralidade pública são utilizadas em investigações envolvendo integrantes dessa população.
No caso das brasileiras, as autoridades atribuíram oficialmente a detenção ao conteúdo dos vídeos, enquanto Malévola afirma ter enfrentado questionamentos e tratamento humilhante relacionados à sua identidade de gênero.
Malévola e amiga foram soltas após pagamento de fiança
As duas influenciadoras foram liberadas na quarta-feira (21), após o pagamento de uma fiança de 110 mil libras egípcias, equivalente a aproximadamente R$ 10,1 mil.
A soltura foi confirmada pela defesa de Malévola, representada pelo advogado Jonatha Carvalho Matos.
Apesar da liberação, a equipe jurídica ainda busca esclarecer se existem restrições legais que possam impedir a saída das brasileiras do território egípcio.
A defesa mantém contato com a Embaixada do Brasil no Cairo para acompanhar os procedimentos necessários e tentar garantir o retorno das duas ao país.
Próximos passos
O novo relato de Malévola acrescenta uma denúncia sobre as condições de sua detenção, mas ainda não há confirmação de que as autoridades egípcias tenham aberto uma apuração específica sobre o procedimento descrito pela influenciadora.
A investigação relacionada aos vídeos também pode continuar, mesmo após o pagamento da fiança. A liberação das brasileiras não representa necessariamente o encerramento do caso.
A defesa segue acompanhando os procedimentos legais e buscando informações sobre possíveis impedimentos à viagem de retorno.
Até a publicação das informações disponíveis nesta quinta-feira (22), não havia confirmação de uma data oficial para o embarque de Malévola Alves e Bruna Mercatelli de volta ao Brasil.