Carcereiro de Milton Leite diz que R$ 200 mil apreendidos são economias de uma vida

Agente afastado após suspeitas de regalias ao ex-vereador afirma que dinheiro encontrado em sua residência também veio da venda de um imóvel da sogra.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O carcereiro Jaércio da Cunha Braga, afastado após uma investigação sobre supostas regalias concedidas ao ex-vereador Milton Leite (União Brasil), afirmou que os quase R$ 200 mil encontrados em sua residência são resultado de economias acumuladas ao longo da vida. A quantia foi apreendida durante uma operação realizada em 16 de outubro, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

Em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Braga explicou que parte do dinheiro teria origem na venda de uma casa pertencente à sogra. Segundo ele, outra parcela seria de seu filho, que trabalha em um banco.

O funcionário tem 37 anos de carreira e recebe salário mensal de R$ 9.831,94. Ele nega ter concedido tratamento privilegiado a Milton Leite, preso desde setembro em uma investigação sobre a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público paulistano.

LEIA TAMBÉM

Escritório ligado a Milton Leite é furtado em SP; criminosos levam HD com imagens e deixam R$ 19 mil

Carcereiro explica origem do dinheiro encontrado em sua casa

Durante as buscas, os investigadores encontraram R$ 147 mil e US$ 10 mil na residência de Braga. Somados, os valores se aproximavam de R$ 200 mil na cotação da época.

Além disso, os agentes localizaram outros R$ 4 mil em espécie com o funcionário, durante uma fiscalização na unidade prisional.

Ao ser questionado sobre a quantia que carregava, o carcereiro afirmou que se tratava de dinheiro para despesas habituais. Ele declarou que não costuma manter suas reservas em instituições bancárias.

O depoimento foi prestado em 17 de outubro, um dia após a operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Corregedoria da Polícia Civil.

A origem dos recursos e a eventual relação com as suspeitas investigadas ainda dependem da apuração das autoridades. A apreensão de dinheiro em espécie, isoladamente, não comprova a prática de crime.

Investigação apura visitas irregulares a Milton Leite

A operação foi desencadeada após suspeitas de que Milton Leite recebia tratamento diferenciado na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes.

Segundo o Ministério Público, havia uma movimentação frequente de visitantes, incluindo políticos, amigos e pessoas sem vínculo familiar com o ex-vereador.

Parte dessas visitas teria ocorrido fora dos dias e horários permitidos, inclusive durante a noite e nos fins de semana.

Para verificar as denúncias, os investigadores instalaram uma câmera nas proximidades da unidade e realizaram diligências com policiais disfarçados nos dias 8 e 9 de outubro.

Os registros reunidos embasaram a abertura de um procedimento investigatório criminal.

Braga é suspeito de ter facilitado os acessos, mas nega ter oferecido benefícios ao ex-parlamentar.

Celular apreendido pode ajudar a esclarecer suspeitas

Durante a operação, os investigadores também apreenderam o telefone celular do carcereiro.

O Ministério Público pretende analisar as mensagens armazenadas no aparelho para verificar se outros funcionários participaram de possíveis irregularidades e identificar pessoas que teriam visitado a unidade fora das regras.

A Corregedoria da Polícia Civil abriu um inquérito e uma apuração administrativa preliminar.

De acordo com os investigadores, os fatos podem configurar crimes como corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação, caso as suspeitas sejam comprovadas.

As investigações seguem em andamento, sem que a responsabilidade criminal do agente tenha sido estabelecida.

Por que Milton Leite está preso?

Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, foi preso temporariamente em 18 de setembro, no âmbito da Operação Vectura Corrupta.

A investigação apura suspeitas de participação de integrantes do PCC em empresas responsáveis pelo transporte coletivo da capital paulista.

Os investigadores procuram esclarecer possíveis vínculos entre a organização criminosa, empresários e agentes políticos.

Milton Leite nega qualquer envolvimento com a facção e afirma que nunca financiou ou apoiou o PCC.

A defesa do ex-vereador também nega que ele tenha recebido regalias durante o período em que esteve preso em Mogi das Cruzes.

Na terça-feira (20), o ex-parlamentar foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.

O que acontece agora?

A investigação sobre o carcereiro continua sob responsabilidade do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil.

Entre os pontos a serem esclarecidos estão a origem do dinheiro apreendido, as condições das visitas realizadas à unidade prisional e a possível participação de outros servidores.

Os depoimentos e o material eletrônico recolhido serão analisados para determinar se houve favorecimento indevido.

Até o momento, as explicações apresentadas por Braga são parte de sua versão dos fatos e não representam uma conclusão da investigação.

Carregar Comentários