A Justiça do Ceará determinou o arquivamento das investigações por feminicídio e indução ao suicídio envolvendo a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta em setembro, em Fortaleza. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (22), após manifestação do Ministério Público estadual.
O arquivamento diz respeito às suspeitas de crimes contra a vida atribuídas a João Munhoz Neto, de 34 anos, namorado da estudante. Ele, porém, continua investigado por violência psicológica contra a mulher e fraude processual, crimes pelos quais foi indiciado pela Polícia Civil do Ceará.
João permanece em liberdade, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.

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A decisão foi proferida pelo Juízo da 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza, que acolheu manifestação do Ministério Público do Ceará.
Com isso, foram arquivadas as apurações relacionadas aos crimes de feminicídio e indução ao suicídio. O processo tramita sob sigilo, e os fundamentos completos da decisão não foram divulgados publicamente.
A Justiça também determinou que os procedimentos relacionados aos demais delitos sejam encaminhados a um dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da capital cearense.
A medida representa uma mudança na tramitação do caso, mas não equivale ao encerramento de todas as investigações envolvendo o relacionamento entre Isabelle e João Munhoz.
Namorado continua investigado por violência psicológica
Apesar do arquivamento das suspeitas de crimes contra a vida, João Munhoz Neto ainda responde a investigações relacionadas à violência psicológica contra a mulher e à fraude processual.
A Polícia Civil do Ceará havia concluído o inquérito e indiciado o investigado pelos dois crimes no início de outubro.
Durante a apuração, depoimentos de testemunhas apontaram indícios de comportamento controlador no relacionamento. Os investigadores também analisaram a conduta de João após a morte da estudante e possíveis interferências na preservação de elementos de prova.
O indiciamento é um ato da investigação policial e não representa condenação judicial. A eventual responsabilização criminal dependerá dos próximos procedimentos e das decisões da Justiça.

João Munhoz está em liberdade e usa tornozeleira eletrônica
João Munhoz foi preso em 22 de setembro, durante as investigações sobre a morte da estudante.
Na ocasião, a Polícia Civil apontou uma postura considerada não colaborativa e levantou suspeitas de interferência na apuração.
A prisão preventiva foi posteriormente revogada pela Justiça, após manifestação do Ministério Público.
A decisão de soltura estabeleceu medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar a comarca sem autorização e a obrigação de manter distância dos familiares da estudante.

O que aconteceu com Isabelle Caracristi?
Isabelle Caracristi morreu em 13 de setembro, após cair do 23º andar do condomínio onde morava com o namorado, no bairro Aldeota, área nobre de Fortaleza.
A estudante tinha 22 anos e cursava Direito.
Imagens de câmeras de segurança analisadas pela polícia mostraram Isabelle entrando sozinha no elevador e seguindo para o andar onde ficava a cobertura do edifício.
A perícia concluiu que a queda foi voluntária, mas a investigação continuou para apurar o contexto que antecedeu a morte e verificar se havia responsabilidade criminal de terceiros.
A Polícia Civil ouviu dezenas de testemunhas, analisou imagens de câmeras de segurança e examinou aparelhos eletrônicos para reconstruir os acontecimentos.
O caso ganhou repercussão depois que a mãe da estudante, Isorlanda Caracristi, passou a cobrar explicações públicas sobre a morte da filha.
Família de Isabelle questionou circunstâncias da morte
Após o falecimento, Isorlanda relatou dificuldades para obter informações sobre o que havia acontecido com a filha.
Segundo a mãe, ela tentou entrar em contato com Isabelle e com João Munhoz, mas não conseguiu respostas.
No dia seguinte, acompanhada de um familiar, foi até o condomínio e afirmou ter sido informada pela síndica de que a estudante havia morrido na noite anterior.
Os relatos da família contribuíram para ampliar a repercussão do caso e motivaram questionamentos sobre a conduta das pessoas próximas à estudante.
Durante as investigações, a polícia reuniu depoimentos sobre o relacionamento do casal, além de registros eletrônicos e imagens de segurança.
O que acontece agora com a investigação?
Com a decisão da 5ª Vara do Júri, a apuração por feminicídio e indução ao suicídio foi arquivada.
Os procedimentos relativos às suspeitas de violência psicológica e fraude processual deverão seguir para a Justiça especializada em violência doméstica e familiar contra a mulher.
Essa distinção é importante porque o arquivamento dos crimes contra a vida não elimina automaticamente a possibilidade de responsabilização por outros delitos.
O caso continuará sob acompanhamento judicial, e João Munhoz mantém o direito à presunção de inocência.
Até a divulgação da decisão, não havia informação pública sobre uma sentença definitiva relacionada aos crimes que permanecem em apuração.