Luiz Inácio Lula da Silva (PT) caminha para a reeleição neste domingo (25), em um segundo turno marcado por disputa voto a voto, prorrogação da votação por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e recorde de abstenção. Com cerca de 80% das urnas apuradas, Lula tem 51,27% dos votos válidos, contra 48,89% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo projeção do instituto Datafolha.
Quem ganhou a eleição 2026 para presidente
Lula é projetado vencedor do resultado da eleição para presidente de 2026 ao alcançar 51,27% dos votos válidos com 80% das urnas apuradas, de acordo com o Datafolha. A projeção foi divulgada às 20h49 e aponta que Flávio Bolsonaro, com 48,89%, não teria mais margem matemática para virar.
Ao longo da apuração, a liderança oscilou em vários momentos. Com pouco mais de 5% das urnas apuradas, Lula largou na frente, com 51,13% contra 48,87% de Flávio. Em seguida, o senador do PL chegou a virar o jogo: às 19h45, com 13,6% das urnas apuradas, ele apareceu com 50,03%, contra 49,97% do petista, segundo a apuração oficial.
A disputa seguiu embolada conforme avançava a contagem. Com 30,2% das urnas totalizadas, Flávio tinha 50,4% e Lula 49,5%. Mais tarde, com 40% das urnas, o candidato do PL ainda liderava, por 50,2% a 49,8%. A virada de Lula veio antes da metade das urnas: com 47,6% apuradas, ele retomou a dianteira, chegando a 50%, contra 49% do adversário.
Esse equilíbrio se manteve até a reta final da apuração. Em um recorte com mais de 70% das urnas totalizadas, Lula tinha 50,92% e Flávio, 49,08%. A consolidação da vantagem em torno de 51% dos votos válidos, registrada pelo Datafolha com 80% das seções apuradas, embasou a projeção de reeleição.
No exterior, Lula também abriu frente. Considerando 55 países e territórios com todas as seções disponíveis, ele somava 141.263 votos (59,66%) contra 95.499 (40,34%) de Flávio, em cenário ainda parcial.
Apuração por estado e por região
A apuração das eleições 2026 2º turno é conduzida em tempo real pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com detalhamento por região, estado e município. Mapas interativos mostram a evolução do voto em tempo real, enquanto as campanhas monitoram especialmente colégios eleitorais decisivos como São Paulo e Minas Gerais.
Minas Gerais, que concentra 10,32% do eleitorado nacional, com mais de 16 milhões de eleitores, é tratado como peça-chave pelas duas campanhas. A definição do quadro mineiro pesa na leitura do mapa eleições 2026 e na interpretação de tendências regionais. Até o início da noite, a contagem avançava de forma constante no estado, mas sem divulgação oficial consolidada de vitória para nenhum dos lados.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral trabalha para acelerar a totalização e confirmou a expectativa de encerramento da apuração geral ainda na noite deste domingo. “As eleições estão dentro do esperado e estimamos que o resultado deverá ser conhecido até 21h”, disse.
Ao mesmo tempo em que define quem é o novo presidente do Brasil, a apuração por região também redefine o mapa político estadual, com governadores já matematicamente eleitos em ao menos cinco unidades da federação.
Apuração por estado: quem já foi eleito governador
O resultado das eleições 2026 para presidente ocorre em paralelo à definição dos governadores em disputas locais. No Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD) está matematicamente eleito governador, com 59,96% dos votos válidos. “Ele registra 59,96% dos votos válidos”, informou o sistema do TSE ao cravar a vitória do pessedista sobre a professora Maria do Carmo (PL), que ficou com 40,04%.
No Acre, Mailza Assis (PP) foi reeleita com 66,16% dos votos válidos. Em texto oficial, o TSE lembrou que “Mailza Assis (PP) assumiu o governo estadual em abril, após a saída de Gladson Cameli (PP), que deixou o cargo para se candidatar ao Senado”. A governadora superou o senador Alan Rick (Republicanos), que teve 33,84%.
No Distrito Federal, Celina Leão (PP) garantiu a reeleição ao atingir 57,22% dos votos válidos. O TSE registrou que “Celina Leão está matematicamente reeleita governadora no Distrito Federal com 57,22% dos votos válidos”. Ela derrotou Leandro Grass (PT), ex-deputado distrital e ex-presidente do Iphan, que somou 42,79%.
No Tocantins, o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) venceu a disputa ao alcançar 63,98% dos votos. O TSE anunciou que “Vicentinho Júnior (PSDB) é eleito no Tocantins, com 63,98% dos votos válidos”. A senadora Dorinha (União Brasil) ficou em segundo lugar, com 36,02%.
No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) também foi confirmado governador eleito, em cenário que reforça o peso dos partidos de centro e direita em parte dos executivos estaduais, enquanto o PT tenta ampliar sua influência pela via das alianças.
Esses resultados consolidam um desenho federativo que mistura siglas do governo e da oposição, o que tende a influenciar a articulação de Lula reeleito com os estados para tocar projetos em áreas como segurança pública, infraestrutura, meio ambiente e programas sociais.
Entenda o contexto
O segundo turno deste domingo foi convocado porque nenhum candidato à Presidência alcançou maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno. Ao todo, 119.300.788 votos válidos foram registrados na primeira rodada. Entre aquele pleito e a nova votação, as campanhas focaram em cerca de 48,7 milhões de eleitores que, no primeiro turno, escolheram nomes de terceira via, votaram em branco ou nulo, ou se abstiveram.
Nesta rodada decisiva, cerca de 33 milhões de brasileiros deixaram de votar, o equivalente a 21% do eleitorado total, o maior índice de abstenção em um segundo turno desde o início da redemocratização. Além disso, foram registrados 2.300.781 votos em branco (1,84%) e 3.674.149 votos nulos (2,93%), o que reforça a fatia de eleitores que preferiu não aderir a nenhuma das duas candidaturas.
Do lado das chapas, Lula manteve a parceria com o vice Geraldo Alckmin (PSB), repetindo a fórmula de governo que mescla PT com setores do centro. Flávio Bolsonaro disputou ao lado do deputado federal Alfredo Gaspar (PL), em uma candidatura que tenta manter o campo bolsonarista como principal polo de oposição.
A manutenção de Lula no Planalto, caso confirmada pelo resultado oficial, tende a preservar programas sociais já em curso, a política ambiental mais restritiva ao desmatamento e a estratégia de investimentos em obras de infraestrutura. Ao mesmo tempo, reforça a polarização com a oposição de direita, que mantém base robusta no Congresso e em governos estaduais.
Horário de votação, STF e debate sobre validade do pleito
O dia de votação foi marcado por uma decisão inédita do STF. Após denúncias de dificuldades de deslocamento de eleitores em grandes cidades, em especial em São Paulo, e pedidos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, o ministro Cristiano Zanin prorrogou o horário de votação em todo o país até as 19h, duas horas além do previsto originalmente.
A decisão saiu quando muitas seções já se preparavam para encerrar os trabalhos, o que gerou filas em parte das cidades e acendeu o debate jurídico sobre a validade do pleito. Especialistas em direito eleitoral divergem sobre os efeitos da prorrogação.
Em participação em uma transmissão ao vivo, o advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral, rejeitou a possibilidade de repetir a votação em outra data por causa da decisão do STF. “A gente não pode mudar a Constituição, [dizer] ‘Não valeu, a gente faz semana que vem, dia 15 de novembro, dia 30 de novembro’. Não pode. A Constituição diz que tem que ser hoje”, afirmou, ao lembrar que o texto constitucional determina que o segundo turno ocorra no último domingo de outubro.
Outros juristas, porém, enxergam brecha no Código Eleitoral para contestar o resultado e até pedir a anulação da votação de hoje, argumentando que a mudança de horário teria afetado de forma desigual o equilíbrio da disputa. Há quem cite artigos que permitem a declaração de nulidade em seções onde se comprove interferência grave no processo de votação, o que reacende a discussão sobre eventual necessidade de novo pleito entre 20 e 40 dias. Essa interpretação, no entanto, está longe de ser consenso.
Para a ex-ministra do TSE Luciana Lossio, o cenário é de forte insegurança jurídica. Ela avaliou que tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro devem judicializar o resultado. “Pelo que nos estamos acompanhando, a situação é dramática e não tenho dúvida de que ambas as campanhas levarão esse questionamento à Justiça Eleitoral e ao STF. A campanha que se sentir mais prejudicada, o candidato que perder nas urnas, terá um prato cheio para questionar a legitimidade do processo eleitoral diante dessa insegurança jurídica que foi criada no dia de hoje”, disse.
Caberá ao TSE, presidido por Kassio Nunes Marques, e ao próprio STF, onde Zanin atua, arbitrar eventuais recursos e ações que tentem suspender, anular ou modular os efeitos do resultado. Até o fim da noite, a orientação oficial do tribunal é de que a votação transcorreu “dentro do esperado”, apesar das polêmicas.
Transporte em São Paulo entra no centro da disputa
O transporte público em São Paulo se tornou um dos principais focos de crítica ao longo do dia. Um levantamento do pesquisador Igor Novaes Lins, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), apontou que “São Paulo teve cerca de um terço menos ônibus nas linhas no fim da manhã e início da tarde deste domingo” em comparação com dois dias úteis anteriores.
Segundo o estudo, houve uma média de 6.924 ônibus em circulação, contra 10.099 na quarta e na sexta-feira anteriores, uma redução de 31,4%, ou cerca de 3,2 mil veículos. Os dados foram extraídos minuto a minuto do sistema Olho Vivo, da SPTrans.
A discrepância ocorreu apesar de decisão da Justiça Eleitoral, ainda na véspera, determinando que a capital paulista colocasse nas ruas 100% da frota usual de dias úteis. A Prefeitura negou ter reduzido a oferta e alegou que havia mais ônibus do que a demanda exigia. A SPTrans citou dificuldades para reorganizar as escalas após receber a ordem judicial em cima da hora.
O relatório de Lins mostra que a queda na presença de ônibus foi mais intensa em bairros mais pobres e em redutos de Lula. A presença de veículos diminuiu em 87 dos 96 distritos da capital. Em 27 deles, a redução foi de pelo menos 20%. Nos bairros de Vila Curuçá, São Miguel e Jardim Ângela, por exemplo, as quedas foram de 35,7%, 33,8% e 30,8%, respectivamente.
Ao cruzar os dados com o desempenho dos candidatos no primeiro turno, o pesquisador concluiu que 42,8% dos eleitores cadastrados em locais onde Lula teve ao menos 60% dos votos estavam em áreas que perderam mais de 20% da presença de ônibus. Em regiões de maior votação de Flávio Bolsonaro, esse percentual foi de 29,7%.
Foi esse quadro de relatos de dificuldades de locomoção, sobretudo entre eleitores de baixa renda, que motivou parte dos pedidos para estender o horário de votação. A decisão de Zanin, tomada já à tarde, passou a ser usada por ambas as campanhas, porém, como potencial argumento para questionar o equilíbrio do processo.
Mapa político e próximos passos
Com a projeção de Lula reeleito e a eleição de novos governadores, o mapa eleições 2026 redesenha o equilíbrio de forças entre o Palácio do Planalto, os estados e o Congresso. A continuidade de Lula, apoiado por Geraldo Alckmin na vice, tende a manter a estratégia de buscar maioria por meio de uma ampla frente partidária.
Governadores como Omar Aziz, Mailza Assis, Celina Leão, Vicentinho Júnior e Lorenzo Pazolini se tornam peças importantes nas negociações por recursos, obras e apoio político em votações sensíveis. Em paralelo, a oposição alinhada a Flávio Bolsonaro, mesmo derrotada na disputa presidencial, sai das urnas com base expressiva de votos e influência em estados estratégicos, o que garante voz ativa na agenda legislativa.
No curto prazo, o foco se desloca para a proclamação oficial do resultado pelo TSE, prevista para depois da conclusão da apuração, estimada para até as 21h deste domingo. Em seguida, o tribunal terá de analisar eventuais ações de contestação, enquanto o governo reeleito começa a desenhar a transição para o novo mandato, definir prioridades do Orçamento e calibrar o diálogo com um Congresso fragmentado e um país ainda fortemente polarizado.