Mbappé decide El Clásico e tensão cresce no Haiti

Mbappé brilha com dois gols e ajuda Real Madrid a vencer Barcelona, enquanto tensão aumenta no Haiti.
Redação NC News
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Kylian Mbappé transformou o primeiro El Clásico da temporada e o domingo que já era marcado por tensão internacional: com dois gols no Camp Nou, o francês comandou a vitória do Real Madrid por 2 a 1 sobre o Barcelona, enquanto, no Haiti, exames iniciais indicam que restos mortais carbonizados não são dos quatro militares salvadorenhos desaparecidos em missão contra gangues.

Por que o El Clásico não será disputado no horário tradicional?

O clássico entre Barcelona e Real Madrid começou às 17h, no horário de Brasília, uma hora mais tarde do que o público brasileiro está acostumado a ver partidas noturnas da LaLiga, porque o fim do horário de verão europeu reduziu a diferença entre Espanha e Brasil de cinco para quatro horas.

Na madrugada deste domingo, os relógios foram atrasados em uma hora em países europeus que adotam o horário de verão, como a Espanha. Para quem está em Barcelona, o jogo manteve o horário habitual de programação, mas, na conversão para Brasília, a bola passou a rolar uma hora depois do que vinha acontecendo em semanas anteriores.

Na prática, um confronto marcado para 21h na Espanha, que antes começava às 16h no Brasil, agora passa a ser exibido às 17h. Foi o caso do duelo no Camp Nou, transmitido de forma exclusiva para o público brasileiro e que acabou decidido nos minutos finais.

Mbappé decide, Mourinho volta a vencer no Camp Nou

Dentro de campo, o Real Madrid aproveitou o ajuste de rota no relógio para também mexer na tabela. O time de José Mourinho, em seu retorno ao El Clásico após longa ausência, freou a campanha perfeita do Barcelona e reduziu a diferença na liderança para apenas três pontos.

Mbappé abriu o placar ainda no primeiro tempo em uma jogada improvável: Yan Diomande cruzou da esquerda, o zagueiro Gerard Martín cortou mal e a bola explodiu no francês, que chegava em velocidade. O desvio involuntário enganou o goleiro e fez 1 a 0 para os merengues.

O Barcelona reagiu na etapa final. Em cobrança de bola parada trabalhada, Pedri encontrou Raphinha livre na área com um passe de calcanhar, e o brasileiro bateu no canto para empatar aos 16 minutos do segundo tempo, inflamando o Camp Nou e aumentando a pressão sobre o sistema defensivo do Real.

Quando o jogo caminhava para o empate, a estratégia de Mourinho apareceu de novo nos contra-ataques. Em saída rápida após erro de domínio de Gabriel Jesus, Eduardo Camavinga disparou em velocidade, entrou na área e serviu Mbappé, que empurrou para o gol vazio aos 42 minutos da etapa final. Foi o segundo dele na partida, o oitavo em sete El Clásicos e o 11º em dez jogos da LaLiga.

“O 11º gol de Mbappé em dez partidas de LaLiga garantiu a vitória de José Mourinho em seu retorno ao El Clásico, 13 anos após o fim de sua primeira passagem pelo Real Madrid”, resumiu o relato oficial da partida. O Barcelona segue líder, com 27 pontos em dez jogos, mas agora vê o Real, terceiro colocado, colado com 24, em um campeonato embolado também pela presença do Atlético de Madrid na briga.

Entenda o contexto

O resultado derruba o aproveitamento de 100% do Barcelona, que vinha de nove vitórias em nove rodadas, e aumenta a pressão sobre o técnico Hansi Flick, especialmente pela forma como a defesa voltou a sofrer em transições rápidas. Do outro lado, Mourinho conquista seu primeiro triunfo no Camp Nou desde o retorno ao clube merengue e ganha fôlego para consolidar seu estilo em um elenco que tem Mbappé como referência absoluta.

Além do impacto direto na tabela, o desempenho do francês reforça o peso individual do atacante na disputa pelo título espanhol, ao mesmo tempo em que mantém em alta o moral do vestiário madridista após semanas de alternância de lideranças na parte de cima da classificação.

Quem são os soldados de El Salvador encontrados no Haiti?

Apesar das primeiras suspeitas, os restos mortais carbonizados achados no sábado, na região de Croix-des-Bouquets, perto de Porto Príncipe, não são dos quatro militares de El Salvador desaparecidos no Haiti; segundo o presidente Nayib Bukele, os corpos recuperados incluem uma criança, um homem bem mais alto que os técnicos salvadorenhos e uma pessoa com parte do uniforme de outro exército.

Os quatro desaparecidos são técnicos de aviação da Força Aérea salvadorenha destacados para a Força de Repressão às Gangues, missão internacional apoiada pelo Conselho de Segurança da ONU para tentar retomar áreas dominadas por facções criminosas no país caribenho. Eles atuavam em helicópteros responsáveis por transporte e evacuações médicas de militares feridos.

Os militares sumiram após uma emboscada no último domingo, quando voltavam de carro de um supermercado e atravessavam a perigosa região de Croix-des-Bouquets, dominada por grupos como Chen Mechan e 400 Mawozo. O veículo blindado em que estavam foi encontrado queimado; desde então, não houve contato, nem pedido de resgate.

Na tarde de sábado, o grupo humanitário Hero Client Rescue, liderado pelo ex-funcionário de segurança do Departamento de Estado dos EUA Scott Reece, foi acionado para recolher restos mortais encontrados em área controlada por gangues. “O grupo humanitário local de Reece, o Hero Client Rescue, foi chamado para recolher os restos mortais na tarde de sábado”, relatou o próprio Reece.

Os corpos estavam severamente carbonizados e passaram por análise médica preliminar. À noite, Bukele usou redes sociais para rebater a versão de que seriam dos salvadorenhos. “No entanto, os restos mortais correspondem a uma criança, a um homem de altura consideravelmente superior à de nossos técnicos da Força Aérea e a uma pessoa que vestia parte do uniforme de um exército que não é o nosso. Entre os restos, também foram encontrados documentos de identidade e uniformes militares de outros países”, afirmou o presidente.

Ele divulgou o documento de um soldado do Chade localizado entre os vestígios. Uma pessoa que acompanha a missão identificou o dono como integrante do contingente chadiano da Força de Repressão às Gangues, que já havia sido ferido em campo e perdido a carteira de identidade militar. As autoridades ainda investigam a origem exata dos corpos, mas o governo salvadorenho descarta, por ora, que sejam de seus quatro militares.

Missão internacional sob pressão no Haiti

A emboscada que atingiu o comboio salvadorenho é tratada como a primeira baixa fatal da força multinacional desde o início da operação, embora o paradeiro dos quatro técnicos siga oficialmente desconhecido. O ataque aumenta o risco de escalada de confrontos entre tropas estrangeiras e grupos armados locais, em um cenário que já é considerado extremo por organizações humanitárias.

A Força de Repressão às Gangues foi concebida para reunir 5.500 militares, mas até agora conseguiu levar pouco mais de 2.000 ao Haiti, vindos de países como Jamaica, Chade, Mongólia, El Salvador, Sri Lanka e Guatemala. A dificuldade em atingir o efetivo previsto limita a capacidade de ocupação de territórios dominados por facções e deixa contingentes mais expostos em deslocamentos, como o dos técnicos salvadorenhos.

Gangues como Chen Mechan e 400 Mawozo controlam corredores estratégicos de Porto Príncipe e arredores, impondo bloqueios, sequestros e ataques recorrentes. Anos de violência já forçaram mais de 1,5 milhão de haitianos a deixar suas casas, pressionando abrigos improvisados, o sistema de saúde e as redes de ajuda internacional.

A recusa de Bukele em aceitar a identificação preliminar dos corpos adia qualquer conclusão sobre a situação dos quatro militares de El Salvador e mantém a tensão alta dentro da missão. O governo salvadorenho enviou recentemente centenas de integrantes de forças especiais ao Haiti com o objetivo declarado de localizar os técnicos de aviação e, nas palavras do próprio presidente, “acabar de vez com as gangues” se eles não forem devolvidos com vida.

A combinação de um clássico tenso na Espanha com um domingo de angústia no Caribe expõe, em campos bem diferentes, como o futebol e a segurança internacional seguem atravessados por ajustes de rota — seja no relógio, seja nas estratégias contra adversários que não costumam dar muito espaço para erro.

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