Ibovespa cai mais de 13% e dólar fecha a R$ 5,40 após reeleição de Lula

Bolsa brasileira acionou o circuit breaker após queda superior a 10% no início do pregão; investidores reavaliam os efeitos do resultado eleitoral sobre juros, câmbio e contas públicas.
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O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou em queda de 13,43% nesta segunda-feira (26), aos 177.540 pontos. No mesmo dia, o dólar comercial subiu 8,21% e encerrou as negociações cotado a R$ 5,4027, em meio à reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).A intensidade da queda levou a B3 a interromper as negociações por 30 minutos ainda no início do pregão. O mecanismo, conhecido como circuit breaker, é acionado em momentos de forte desvalorização para interromper temporariamente as operações e permitir que os investidores reavaliem suas decisões.

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O resultado eleitoral surpreendeu parte do mercado financeiro. Lula venceu o segundo turno com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo os dados divulgados após a apuração.

Nas semanas anteriores à votação, pesquisas eleitorais apontavam vantagem de Flávio Bolsonaro. Com a vitória do petista, investidores passaram a reavaliar as perspectivas para a política econômica, as contas públicas e a trajetória dos juros no próximo mandato.

Por que a Bolsa caiu e o dólar subiu?

A reação do mercado está relacionada às expectativas dos investidores sobre as decisões econômicas do próximo governo. Entre as principais preocupações estão o controle das despesas públicas, a evolução da dívida do país e o cumprimento das metas fiscais.

Quando aumenta a percepção de risco sobre a economia, investidores podem reduzir a exposição a ativos brasileiros e buscar alternativas consideradas mais seguras. Esse movimento pode pressionar a Bolsa e elevar a cotação do dólar, embora os preços também sejam influenciados por fatores internacionais e pelas expectativas para os juros.

O analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, afirmou que a condução da política fiscal será um dos principais pontos observados pelo mercado durante o quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle dos gastos e a credibilidade das metas fiscais estão entre os fatores que podem influenciar a confiança dos investidores.

O economista-chefe da Lev DTVM, Jason Vieira, também apontou a possibilidade de medidas para recuperar a confiança do mercado, incluindo discussões sobre a revisão de despesas obrigatórias e o cumprimento das metas fiscais.

O que é o circuit breaker?

O circuit breaker é um mecanismo utilizado pela B3 para interromper temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra uma queda muito acentuada. O objetivo é reduzir a pressão durante movimentos extremos e permitir que os participantes do mercado reavaliem suas posições.

Infográfico_ Entenda o Circuit Breaker da B3
Infográfico NC NEWS: Entenda o Circuit Breaker da B3

Pelas regras usuais da Bolsa, uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior provoca a interrupção das operações por 30 minutos. Em uma nova etapa de queda, o mecanismo pode ser acionado novamente conforme os limites previstos nas regras aplicáveis.

Nesta segunda-feira, a B3 anunciou um limite específico de 20% para uma segunda interrupção. A medida foi adotada em meio à forte volatilidade registrada durante o pregão.

Juros futuros disparam e aumentam preocupação

Além da queda das ações e da alta do dólar, os contratos de juros futuros registraram forte avanço. Essas taxas refletem as expectativas dos investidores sobre os juros nos próximos meses e anos e são influenciadas pelas perspectivas para a inflação, a política monetária e as contas públicas.

Por volta das 10h, os contratos com vencimento em janeiro de 2027 subiam de 13,475% para 13,898% ao ano. Para janeiro de 2029, a taxa avançava de 12,595% para 15,03%. Já os contratos para janeiro de 2035 passaram de 12,68% para 15,375% ao ano.

A alta dos juros futuros não representa um aumento imediato da taxa Selic nem das taxas cobradas pelos bancos. Entretanto, se persistir, poderá encarecer empréstimos e financiamentos e elevar o custo de captação das empresas.

Tesouro recompra títulos públicos

Em meio à turbulência, o Tesouro Nacional realizou uma operação de recompra de títulos públicos prefixados que movimentou aproximadamente R$ 7,1 bilhões, segundo as informações divulgadas pelo g1.

A recompra consiste na aquisição, pelo governo, de títulos que estavam nas mãos dos investidores. A operação pode ajudar a reduzir desequilíbrios no mercado, embora seu efeito dependa das condições de negociação e do volume envolvido.

Mercados internacionais também registram perdas

A turbulência atingiu também os ativos brasileiros negociados no exterior. O fundo de índice EWZ, negociado em Nova York e utilizado por investidores para acompanhar ações brasileiras, registrava forte queda antes da abertura dos mercados americanos, de acordo com os dados citados pelo g1.

Na Argentina, o índice de ações MSCI Merval também recuava durante o pregão. O movimento acompanhou a pressão sobre os mercados brasileiros, importantes para a economia argentina.

Além das repercussões eleitorais, investidores monitoravam a evolução dos preços do petróleo e as tensões entre Estados Unidos e Irã, assim como as decisões de política monetária esperadas de bancos centrais, incluindo o Federal Reserve, dos Estados Unidos.

Mercado acompanha desdobramentos políticos

Outro fator de incerteza citado por analistas foi a possibilidade de questionamentos judiciais sobre o processo eleitoral. Após a derrota, Flávio Bolsonaro afirmou que tentaria contestar o resultado da votação.

Eventuais disputas judiciais podem ampliar a incerteza entre investidores, mas a existência de questionamentos não significa que o resultado eleitoral será alterado. Qualquer avaliação sobre o efeito desse cenário depende dos desdobramentos concretos e das decisões das autoridades competentes.

A última vez que a B3 havia acionado o circuit breaker antes do episódio desta segunda-feira foi durante a pandemia de Covid-19, em 2020, quando a Bolsa sofreu fortes quedas em meio à crise global.

O comportamento dos mercados nos próximos dias dependerá da evolução das expectativas para a política econômica, dos indicadores divulgados e das decisões do governo. Investidores também devem acompanhar as projeções reunidas no Boletim Focus e os próximos movimentos dos bancos centrais.

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