Lula (PT) aparecia à frente de Flávio Bolsonaro (PL) nos primeiros números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 17h06 de domingo (25), quando apenas 0,25% das urnas haviam sido apuradas. Naquele momento, o petista tinha 57,66% dos votos válidos, contra 42,34% do adversário.
A votação deveria ter terminado às 17h, mas foi prorrogada até as 19h por decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedidos das campanhas dos dois candidatos. A medida provocou uma interrupção temporária na divulgação dos resultados.
Embora os números iniciais mostrem que Lula começou a apuração na frente, não é possível concluir que Flávio perderia caso o horário original fosse mantido. A amostra de urnas contabilizadas ainda era muito pequena para indicar o resultado final da disputa.
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Por que as campanhas pediram a prorrogação?
A campanha de Lula apresentou inicialmente um pedido relacionado a dificuldades no transporte público em municípios da Bahia. Depois, ampliou a solicitação para todo o país.
Já a equipe de Flávio Bolsonaro pediu mais tempo para votar em municípios afetados por chuvas, alagamentos, interdições e falta de energia elétrica. O pedido mencionava cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
As duas campanhas, portanto, recorreram à Justiça Eleitoral por motivos relacionados às condições de acesso dos eleitores às seções de votação.
Decisão saiu depois das 17h
A cronologia dos acontecimentos ajuda a entender a controvérsia. Às 17h, grande parte das urnas já havia sido fechada e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começava a divulgar os resultados parciais.
Três minutos depois, foi divulgada a decisão de Zanin para estender a votação até as 19h. Às 17h06, o TSE interrompeu temporariamente a contagem e a divulgação dos votos, quando 0,25% das urnas estavam apuradas.
A prorrogação não permitiu reabrir seções que já haviam sido fechadas ou cujos procedimentos de encerramento tinham sido concluídos. A comunicação às seções que ainda permaneciam abertas ocorreu posteriormente.
A votação terminou às 19h, quando a apuração foi retomada.
TSE aponta dificuldades operacionais
Em balanço divulgado após o pleito, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a decisão tomada poucas horas antes do encerramento trouxe desafios técnicos e operacionais.
Segundo o tribunal, milhares de urnas já tinham sido encerradas quando a determinação foi anunciada, sem possibilidade de reabertura. Por isso, foi necessário suspender temporariamente o recebimento dos Boletins de Urna, documentos que registram os resultados de cada seção eleitoral.
O TSE informou que o acúmulo de arquivos exigiu adaptações nos sistemas e nas rotinas de apuração. Apesar das dificuldades, a contagem foi concluída.
Lula foi reeleito presidente
Com 100% das urnas apuradas, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, o equivalente a 64.256.232 votos. Flávio Bolsonaro terminou a disputa com 48,21%, ou 59.826.041 votos, segundo os dados divulgados pelo TSE.
Após o resultado, Flávio afirmou que não reconhecia a vitória do adversário e declarou que pediria a anulação do pleito. A iniciativa anunciada pelo senador não altera, por si só, o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.
Entenda o contexto
A ampliação do horário de votação foi determinada em meio a questionamentos sobre as condições de deslocamento de eleitores e provocou uma interrupção temporária na divulgação dos resultados.
O episódio também abriu uma discussão sobre a necessidade de planejamento e de regras operacionais claras para eventuais mudanças no horário de votação. O presidente do TSE defendeu o aperfeiçoamento dos procedimentos para os próximos pleitos.