O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “vergonhosa” a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil com destino aos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta terça-feira (27), durante um discurso a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, dois dias após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Lula lamentou a decisão do adversário derrotado nas urnas e afirmou que o senador deveria permanecer no país para responder às acusações que são investigadas pela Justiça. O presidente também criticou a relação política da família Bolsonaro com os Estados Unidos, utilizando uma expressão dura para se referir à postura dos integrantes da família.
A manifestação ocorreu após a divulgação de informações de que Flávio Bolsonaro havia viajado para o território norte-americano, mesmo depois de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes à Polícia Federal e não deixasse o Brasil.
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Durante o discurso no Palácio da Alvorada, Lula questionou a decisão do senador de deixar o Brasil e afirmou que ele poderia permanecer no país para contestar as acusações feitas contra ele.
“Eu lamento que ele tenha saído do Brasil, porque ele poderia ficar aqui e provar que as acusações não são verdadeiras. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso”, declarou o presidente.
Na sequência, Lula ampliou as críticas à família Bolsonaro e fez referência à relação política de seus integrantes com os Estados Unidos.
“Lamentavelmente, a família Bolsonaro é isso, é lamber botas dos EUA”, afirmou.
A declaração ocorreu durante uma manifestação em frente à residência oficial da Presidência da República, onde Lula discursou para apoiadores no dia em que completou 81 anos.
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após determinação do STF
A viagem de Flávio Bolsonaro ganhou repercussão nacional depois que pessoas próximas à família confirmaram que o senador havia embarcado com destino aos Estados Unidos.
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes determinou que o parlamentar entregasse seus passaportes comum e diplomático à Polícia Federal no prazo de 24 horas.
A decisão também estabeleceu uma restrição à saída do senador do território brasileiro.
O prazo terminou nesta terça-feira (27), sem que os documentos fossem entregues. Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes.
Apesar da situação, Flávio Bolsonaro não é formalmente considerado foragido da Justiça, pois não há mandado de prisão expedido contra ele.
Senador é investigado por suspeitas financeiras
A determinação judicial está relacionada a uma investigação que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.
O procedimento apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a operações financeiras envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades. A existência de uma investigação não representa condenação ou comprovação de responsabilidade criminal.
As autoridades deverão avaliar as circunstâncias da viagem e o descumprimento da determinação judicial.
Flávio havia afirmado que permaneceria no Brasil
Um dia antes de viajar, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que não pretendia deixar o país.
Na gravação, divulgada na segunda-feira (26), o senador declarou que entregaria os passaportes e se defenderia das acusações.
“Nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”, afirmou.
A confirmação da viagem no dia seguinte provocou questionamentos entre aliados políticos, especialmente porque parte dos integrantes do Partido Liberal não tinha conhecimento prévio da decisão.
Saída do senador provoca movimentação no PL
A notícia levou dirigentes do Partido Liberal a realizar uma reunião de emergência nesta terça-feira (27), em Brasília.
O encontro reuniu integrantes da direção partidária para avaliar os desdobramentos políticos da saída de Flávio Bolsonaro e discutir os próximos passos da legenda.
Entre os participantes das articulações estavam o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio.
A movimentação ocorre em um momento de reorganização do partido após a derrota na disputa presidencial.
Derrota eleitoral antecedeu viagem aos Estados Unidos
Flávio Bolsonaro disputou o segundo turno das eleições presidenciais contra Lula no domingo (25), mas foi derrotado pelo candidato à reeleição.
Após a divulgação do resultado, o senador questionou a votação e anunciou a intenção de contestar o processo eleitoral.
O Partido Liberal, entretanto, reconheceu oficialmente a vitória de Lula na segunda-feira (26).
A viagem aos Estados Unidos acrescentou um novo capítulo ao cenário político após a eleição e passou a provocar reações entre integrantes do governo, aliados do senador e dirigentes partidários.
O que acontece agora?
A Polícia Federal deverá encaminhar ao Supremo Tribunal Federal as informações relacionadas ao descumprimento da determinação de entrega dos passaportes.
Caberá ao STF avaliar eventuais medidas adicionais no âmbito da investigação em andamento.
No campo político, a saída de Flávio Bolsonaro também poderá influenciar a reorganização da oposição ao governo Lula e as articulações do Partido Liberal para os próximos anos.
Até a divulgação das informações disponíveis, não havia manifestação pública de Flávio Bolsonaro em resposta às declarações feitas pelo presidente nesta terça-feira.