Pizzaria de João Pessoa pede que eleitores de esquerda não frequentem o local e gera reação nas redes

Estabelecimento em João Pessoa gera polêmica ao restringir público com base em posicionamento político.
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Uma publicação da Mangiare Pizzaria & Restaurante, localizada no bairro Jardim Oceania, em João Pessoa, provocou repercussão negativa nas redes sociais nesta terça-feira (27). O estabelecimento divulgou uma mensagem pedindo que pessoas de esquerda e eleitores chamados de “larápios” não comprassem no local. Após a reação de usuários, a postagem original foi apagada, e a empresa publicou um novo comunicado afirmando ter sido notificada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB). A manifestação ocorreu dois dias depois do segundo turno das eleições presidenciais, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e ampliou a discussão sobre a exposição de posicionamentos partidários por empresas e a relação entre preferência política e atendimento ao consumidor. A mensagem da pizzaria associou diretamente a orientação ideológica dos clientes à disposição do estabelecimento em recebê-los.
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Mensagem pediu que eleitores de esquerda não comprassem no estabelecimento

Na arte publicada nas redes sociais, a Mangiare solicitou que pessoas identificadas como esquerdistas e eleitores de “larápios” não frequentassem o local. O texto reconheceu que o estabelecimento não poderia impedir a entrada desses consumidores, mas declarou não ter interesse em recebê-los.
“A Pizzaria Mangiare solicita aos esquerdistas, eleitores de larápios, que não venham aqui comprar. Não podemos impedir, mas não fazemos nenhuma questão de os receber. Pedimos a compreensão e o respeito a esta solicitação”, dizia a publicação.
A mensagem foi compartilhada por usuários e repercutiu em páginas e grupos ligados a João Pessoa. Entre as reações, houve críticas à postura do restaurante e manifestações de consumidores contrários à associação entre posicionamento político e atendimento comercial. Reportagens publicadas nesta terça-feira registraram a repercussão do caso e a retirada do comunicado original. A publicação, entretanto, não demonstra que clientes tenham sido efetivamente impedidos de entrar ou de realizar compras no estabelecimento.
Pizzaria em João Pessoa pede que clientes de esquerda não vão ao local
Pizzaria de João Pessoa pede que clientes de esquerda não frequentem o local | Foto: Redes Sociais

Pizzaria afirma ter sido notificada pelo Ministério Público

Depois da repercussão, a Mangiare publicou uma nova mensagem informando que havia sido notificada pelo Ministério Público da Paraíba para retirar o conteúdo das redes sociais. O estabelecimento declarou que respeitaria a determinação, mas que continuaria defendendo suas convicções.
“Foi notificada pelo Ministério Público para retirada do conteúdo. Respeitará determinação, mas defenderá o que acredita”, informou a pizzaria.
Até a última atualização desta reportagem, não havia confirmação oficial do MPPB sobre a notificação mencionada pelo estabelecimento. Por isso, a informação é atribuída à própria pizzaria, sem que seja possível afirmar, com base nos dados disponíveis, quais providências formais foram adotadas pelo órgão ou qual seria o fundamento jurídico da medida.

Promoções também foram associadas ao período eleitoral

Durante outubro, o restaurante já havia divulgado promoções de rodízio vinculadas aos dias 4 e 25, datas do primeiro e do segundo turnos das eleições presidenciais de 2026. Conforme as informações reunidas sobre as publicações, o valor anunciado era de R$ 22, número que coincide com o utilizado pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) na urna. As peças promocionais foram interpretadas como uma forma de associar a comunicação comercial do estabelecimento à candidatura apoiada por seus responsáveis. A nova postagem, direcionada explicitamente a consumidores de esquerda, reforçou a percepção de que o restaurante vinha levando seu posicionamento político para as redes sociais e para a relação com o público. A divulgação de opiniões políticas por empresas, por si só, não significa automaticamente que houve uma infração. A avaliação jurídica depende do conteúdo divulgado, da conduta efetivamente adotada no atendimento e da existência ou não de tratamento discriminatório contra consumidores.
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