A redução dos crimes envolvendo motocicletas também aparece nos dados mais recentes de 2026. Um levantamento da Ituran, baseado em registros da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), apontou que os roubos e furtos de motos de até 499 cilindradas caíram 19% na capital paulista e na Grande São Paulo entre janeiro e julho, na comparação com o mesmo período de 2025. Foram 12.478 ocorrências, contra 15.411 no ano anterior, uma diferença de 2.933 registros. O resultado reforça o cenário positivo para a segurança dos motociclistas na região, embora o recorte não represente todas as motos nem todo o território paulista.
O resultado mais recente se soma à redução registrada no levantamento anual anterior. A pesquisa do Centro de Estudos em Economia do Crime (CEEC), da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), com base em dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, mostrou que os roubos e furtos de motocicletas e motonetas em todo o estado caíram 11,6% em 2025, passando de 38.048 para 33.621 ocorrências. O estudo também identificou uma redução de 16,8% nos roubos e de 9,6% nos furtos.
Segundo o estudo da FECAP, os roubos de motocicletas e motonetas diminuíram 16,8% na comparação anual, enquanto os furtos recuaram 9,6%. A diferença entre os dois indicadores ajuda a dimensionar o resultado: as duas modalidades tiveram queda, mas o recuo foi mais acentuado justamente nos crimes que envolvem violência ou ameaça à vítima.
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Redução ganhou força a partir de abril
Um dos pontos mais relevantes do levantamento está na evolução dos registros ao longo do ano. Os três primeiros meses de 2025 ainda apresentaram números superiores aos dos mesmos meses de 2024. A mudança ocorreu em abril, quando o total passou de 3.069 para 2.684 ocorrências, uma redução de 12,5%.
A partir daí, o cenário foi favorável em todos os meses até dezembro. Em junho, por exemplo, os registros caíram de 3.024 para 2.386, recuo de 21,1%. Em novembro, a diferença chegou a 21,5%, com 2.969 ocorrências em 2025, contra 3.782 no mesmo mês do ano anterior.
“Dezembro encerrou a série com uma das diferenças mais expressivas: foram 3.156 registros, ante 4.126 em dezembro de 2024. A queda de 23,5% no último mês contribuiu para consolidar o resultado anual e reforçou a sequência de reduções observada desde abril.”, aponta registro.
Essa trajetória é importante porque permite olhar além do percentual acumulado. A queda anual não ficou concentrada em um único mês: depois da virada registrada em abril, os números permaneceram abaixo dos níveis de 2024 até o encerramento do período analisado. Isso não explica, por si só, as causas da redução, mas mostra que o resultado foi sustentado por vários meses consecutivos de melhora.

Roubos tiveram queda mais expressiva
Quando os registros são separados por modalidade, a diminuição dos roubos ganha destaque. Em 2024, foram contabilizados 10.758 casos. Em 2025, o total caiu para 8.956, ou seja, 1.802 ocorrências a menos. A retração de 16,8% foi superior à observada nos furtos.
Nos furtos, os registros passaram de 27.290 para 24.665. A diferença representa 2.625 casos a menos, com redução de 9,6%. Embora os furtos continuem formando a maior parcela do total, a diminuição também contribuiu de maneira significativa para o resultado estadual.
“No acumulado de 2025, a pesquisa contabilizou 24.665 furtos e 8.956 roubos de motocicletas e motonetas.”
Somados, os dois grupos chegam a 33.621 ocorrências, o mesmo total utilizado no comparativo anual da FECAP.
A distinção entre as modalidades importa para entender o impacto dos dados. O furto acontece sem violência ou grave ameaça contra a vítima; o roubo envolve esse tipo de abordagem. A redução dos dois indicadores é positiva, e a queda maior nos roubos acrescenta um elemento relevante à leitura do cenário de segurança para quem utiliza motocicletas.
Capital paulista também registra melhora
A cidade de São Paulo, que concentra o maior número de registros do estado, terminou 2025 com 13.319 ocorrências de roubos e furtos de motos e motonetas. Apesar de continuar na primeira posição do levantamento por volume absoluto, a capital apresentou redução de 13,7% em relação ao ano anterior.
O resultado da cidade foi melhor do que a média estadual, que registrou queda de 11,6%. A comparação mostra que a redução também alcançou a maior metrópole paulista, onde a circulação intensa de veículos e a dimensão territorial tornam a segurança um desafio permanente.
O número absoluto ainda é elevado, mas a comparação entre os anos oferece uma perspectiva favorável: foram menos registros na capital em um período no qual o total estadual também diminuiu. Para acompanhar a evolução da segurança, essa combinação entre volume e variação percentual ajuda a evitar conclusões baseadas em apenas um indicador.
Os dados municipais também mostram que o comportamento dos crimes não é uniforme. Guarulhos registrou 1.036 ocorrências, com queda de 17,3%, enquanto Santos contabilizou 642 casos, redução de 25,4%. Carapicuíba teve recuo de 31,4%, chegando a 461 registros em 2025.
Esses exemplos ajudam a dimensionar a abrangência da melhora: além da capital, outros municípios importantes apresentaram reduções expressivas. Cada localidade, entretanto, tem características próprias, e os percentuais precisam ser interpretados considerando o volume de registros de cada cidade.

Menos ocorrências em diferentes regiões
O levantamento da FECAP identificou registros de roubos ou furtos de motos em 416 dos 645 municípios paulistas. Isso significa que 229 cidades não tiveram ocorrências desse tipo contabilizadas na base utilizada pelo estudo durante o período analisado.
Outro dado importante é a concentração territorial. Os 30 municípios com maior incidência responderam por 83,1% das ocorrências estaduais. A distribuição mostra que uma parcela expressiva dos registros está concentrada em um grupo relativamente pequeno de cidades, informação que pode ajudar a direcionar políticas de prevenção e investigação.
O coordenador do estudo, professor Erivaldo Vieira, destaca a importância de acompanhar a evolução dos indicadores para identificar tendências, padrões e áreas de maior incidência. Segundo a FECAP, essa análise pode contribuir para a adoção de medidas preventivas e estratégias de segurança mais eficazes.
A pesquisa também identificou municípios nos quais os registros aumentaram, como Taboão da Serra, Limeira e São José do Rio Preto. Esses resultados não anulam a redução estadual, mas mostram por que o acompanhamento local continua necessário: uma tendência positiva no conjunto do estado pode coexistir com desafios específicos em determinadas cidades.
Bairros da capital mostram cenários diferentes
O recorte por bairros também ajuda a compreender como as ocorrências se distribuem dentro da cidade de São Paulo. A pesquisa identificou reduções em locais como Santana, Tatuapé, Mooca, Lapa, Vila Mariana, Ipiranga, Vila Prudente e Bela Vista.
Em Santana, os registros passaram de 422 em 2024 para 289 em 2025, queda de 31,5%. Na Lapa, a redução foi de 32,3%, enquanto a Vila Mariana apresentou recuo de 37,9%. O Ipiranga registrou diminuição de 45,3%, e a Bela Vista, de 42,7%.
Os resultados mostram que algumas regiões da capital tiveram quedas relevantes, embora o comportamento tenha variado de bairro para bairro. Santo Amaro, por exemplo, registrou aumento de 31%, passando de 368 para 482 ocorrências, enquanto o Tatuapé teve redução de 15,2%.
Essa diferença reforça a importância de analisar os dados em escala local. O levantamento não permite afirmar, sozinho, que os crimes tenham simplesmente migrado de um bairro para outro, mas oferece um mapa mais detalhado de onde as ocorrências aumentaram ou diminuíram e de quais regiões merecem atenção das autoridades.

Tecnologia amplia ferramentas de combate aos crimes com veículos
Além dos indicadores estatísticos, iniciativas de monitoramento e identificação veicular oferecem um exemplo de como a tecnologia pode apoiar o trabalho das forças de segurança. Na capital paulista, o programa Smart Sampa utiliza câmeras inteligentes e sistemas de leitura automática de placas para identificar veículos com restrições e encaminhar alertas às equipes responsáveis.
Em junho de 2026, a Prefeitura de São Paulo lançou o Smart Sampa Cidadão, aplicativo gratuito que permite à população consultar placas por meio da câmera do celular. De acordo com a administração municipal, quando o sistema identifica uma possível restrição, a informação passa por análise da central antes de ser encaminhada às forças de segurança.
Segundo dados divulgados pela Prefeitura, entre 3 de setembro de 2025 e 31 de maio de 2026, a atuação integrada apoiada pela tecnologia permitiu a apreensão de 2.308 motocicletas com irregularidades. Desse total, 701 estavam relacionadas a furto e 659 a roubo; outras 864 tinham problemas de adulteração de identificação. As ocorrências resultaram ainda na prisão de 279 pessoas.
Os números demonstram a dimensão das ações de identificação e fiscalização, mas é importante fazer uma distinção: eles se referem à atuação do programa na capital e a motocicletas com diferentes tipos de irregularidade. Não comprovam, isoladamente, que a tecnologia tenha provocado a queda estadual registrada pela FECAP.
A integração entre bases de dados, monitoramento e equipes operacionais pode ampliar a capacidade de identificar veículos suspeitos e apoiar investigações. A participação da população, por meio de ferramentas oficiais, também pode contribuir para o encaminhamento de informações, desde que sejam respeitados os procedimentos de validação e segurança previstos pelo serviço.

Por que a queda faz diferença na rotina de quem usa moto
A motocicleta ocupa um espaço importante na mobilidade urbana. Para muitas pessoas, ela representa uma alternativa para reduzir o tempo de deslocamento; para outras, é instrumento de trabalho em atividades como entregas, transporte de passageiros, assistência técnica e prestação de serviços.
Nesses casos, perder o veículo significa mais do que enfrentar um prejuízo patrimonial. A ocorrência pode interromper jornadas de trabalho, comprometer a renda e gerar despesas com transporte alternativo, documentação e substituição da motocicleta. Por isso, a diminuição dos registros tem relevância que vai além da estatística criminal.
Uma redução nos roubos e furtos não significa que o risco tenha desaparecido ou que todos os motociclistas estejam igualmente protegidos. Ainda assim, a queda dos registros oficiais é um indicador favorável para quem depende do veículo e acompanha a evolução da segurança pública.
O resultado também destaca a importância de medidas preventivas, investigação dos crimes e combate à receptação de veículos e peças. Quanto mais eficaz for a identificação de motocicletas subtraídas e de irregularidades na cadeia de comercialização, maior poderá ser a capacidade de interromper práticas criminosas relacionadas a esse mercado.

O que os números dizem sobre o próximo passo
O balanço de 2025 deixa uma mensagem clara: o estado de São Paulo encerrou o ano com menos roubos e furtos de motocicletas e motonetas do que em 2024. Foram 4.427 ocorrências a menos, redução de 11,6%, com uma queda de 16,8% nos roubos e de 9,6% nos furtos.
A sequência de reduções mensais a partir de abril, o desempenho da capital e os resultados registrados em diferentes municípios reforçam a importância de acompanhar a evolução dos indicadores. Ao mesmo tempo, as diferenças entre cidades e bairros mostram que as estratégias de segurança precisam considerar as características de cada região.
O desafio agora é preservar a tendência e ampliar os resultados positivos. A continuidade da queda depende de acompanhamento dos dados, prevenção, investigação e avaliação constante das medidas adotadas. Para quem circula de moto todos os dias, cada redução representa um avanço importante na busca por deslocamentos mais seguros.