A Polícia Federal (PF) investiga se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu ajuda de empresários e políticos para deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos após ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. A suspeita é de que uma rede de apoio tenha participado da organização e da execução da viagem, realizada mesmo após uma decisão judicial que proibia o parlamentar de sair do país.
Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (29), os investigadores procuram identificar os proprietários dos carros e das aeronaves utilizados no deslocamento. A PF também avalia a possibilidade de solicitar a quebra de sigilos telefônicos e telemáticos para esclarecer os contatos e a participação de possíveis envolvidos. Até o momento, não há confirmação pública sobre a identidade dos empresários que teriam prestado auxílio.
Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos após viagem com escala no Equador
PF suspeita de apoio de empresários e aliados políticos
A principal linha de apuração busca esclarecer quem forneceu os meios de transporte utilizados por Flávio Bolsonaro e se houve participação de terceiros no planejamento da saída do Brasil. Os investigadores tentam reconstruir os deslocamentos desde a fronteira com a Argentina até o desembarque em Miami, na Flórida.
De acordo com relatos publicados pela imprensa, o suposto plano teria contado com o conhecimento ou apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e do advogado e empresário Willer Tomaz. Essa possível participação ainda é objeto de apuração e não foi comprovada.
Eduardo Bolsonaro e Willer Tomaz estão nos Estados Unidos. O advogado também é investigado em um dos inquéritos que envolvem o senador.
Como Flávio Bolsonaro deixou o Brasil
Flávio Bolsonaro cruzou a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas. De acordo com as informações divulgadas sobre o trajeto, o parlamentar entrou no território argentino por volta das 22h50 e, cerca de 40 minutos depois, embarcou em uma aeronave particular.
O voo fez uma escala em Guayaquil, no Equador, para reabastecimento, antes de seguir para Miami. O avião pousou no aeroporto executivo de Opa-locka, na Flórida, às 10h25 de quarta-feira (28).
A Polícia Federal informou que não encontrou registros oficiais de passagem do senador por postos de controle migratório brasileiros. A ausência desses registros é um dos pontos analisados para esclarecer as circunstâncias da saída do país.
Decisão de Moraes proibia saída do país
A viagem ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a apreensão dos passaportes pessoal e diplomático de Flávio Bolsonaro e proibiu sua saída do território nacional.
A decisão foi tomada no domingo (25), após a confirmação da derrota do senador na eleição presidencial. A medida atendeu a um pedido da Polícia Federal, que já havia identificado risco de fuga antes mesmo da divulgação do resultado eleitoral.
Na segunda-feira (26), Flávio confirmou publicamente que havia sido comunicado da determinação judicial. Na ocasião, criticou a decisão e afirmou que não pretendia deixar o país.
A Polícia Federal posteriormente informou que investiga as circunstâncias da viagem e o possível descumprimento das restrições impostas pelo STF.
Investigações financeiras também estão em andamento
Além das circunstâncias da viagem, Flávio Bolsonaro é investigado em procedimentos relacionados a suspeitas de movimentações financeiras irregulares.
Uma das apurações envolve recursos associados ao filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Os investigadores analisam operações financeiras e possíveis transferências de valores para o exterior.
Outro inquérito examina negócios relacionados ao advogado Willer Tomaz, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Segundo relatos sobre a investigação, a Polícia Federal considera a hipótese de que transferências para fundos estrangeiros tenham sido utilizadas para garantir recursos financeiros fora do Brasil.
Essas suspeitas ainda dependem de comprovação. A existência dos inquéritos não representa conclusão de culpa dos investigados.
Próximos passos
A Polícia Federal deve continuar o rastreamento dos veículos e das aeronaves utilizados por Flávio Bolsonaro para identificar possíveis responsáveis pelo transporte e pelo financiamento da viagem.
Os investigadores também poderão solicitar novas medidas judiciais, incluindo acesso a informações telefônicas e telemáticas, caso considerem necessário aprofundar a apuração.
O objetivo é esclarecer se a saída do senador foi organizada com auxílio de terceiros, quem teria participado do planejamento e se houve outras irregularidades.
Até a publicação das informações consultadas, não havia confirmação pública de responsabilização de empresários ou políticos por eventual auxílio à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.