Roubos despencam em São Paulo e atingem menor nível em 25 anos

Capital registra 10 mil roubos a menos no acumulado do ano; Avenida Paulista tem redução de 58% com reforço do policiamento e videomonitoramento, mas alguns bairros ainda apresentam alta.
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A cidade de São Paulo registrou uma queda de 21,4% nos roubos em agosto de 2026, atingindo o menor número de ocorrências para o mês desde o início da série histórica, em 2001. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), foram 6.561 registros, contra 8.355 no mesmo período de 2025. A redução representa 1.794 roubos a menos em um ano e ocorre em meio ao reforço das ações de segurança e à expansão do monitoramento por câmeras na capital paulista.

O resultado também aparece no acumulado de janeiro a agosto. Nos oito primeiros meses de 2026, São Paulo contabilizou 58.093 roubos, diante de 68.222 no mesmo intervalo de 2025. São 10.129 ocorrências a menos, uma redução de aproximadamente 14,8%. Os furtos também recuaram 12,8% em agosto, passando de 22.001 para 19.178 casos. Apesar da melhora nos indicadores gerais, algumas regiões da cidade ainda registraram aumento em determinadas modalidades de crimes.

Smart Sampa será usado pelo MP para combater crime organizado e violência doméstica

São Paulo registra menor número de roubos para agosto desde 2001

Os dados divulgados pela Prefeitura de São Paulo mostram uma redução significativa dos crimes patrimoniais na capital. O resultado de agosto é o menor registrado para esse mês nos últimos 25 anos, considerando a série histórica iniciada pela SSP-SP em 2001.

A diferença de mais de 10 mil roubos no acumulado dos oito primeiros meses do ano também indica que a redução não ficou restrita a agosto.

Os furtos seguiram a mesma tendência na comparação mensal. Em agosto de 2026, foram registradas 2.823 ocorrências a menos do que no mesmo período do ano anterior.

Os números representam uma melhora nos indicadores de segurança pública da maior cidade do país. A queda ocorre em um cenário de atuação conjunta das forças policiais estaduais e municipais, reforço do patrulhamento e ampliação do uso de tecnologias de monitoramento.

Avenida Paulista registra queda de 58% nos roubos

Um dos exemplos de redução da criminalidade em São Paulo aparece na Avenida Paulista, uma das regiões mais movimentadas da capital.

Segundo levantamento da Guarda Civil Metropolitana (GCM), com base em estatísticas da SSP-SP, os roubos na avenida caíram 58,33% após a implementação de ações de segurança que combinaram patrulhamento ostensivo e monitoramento por câmeras.

Entre março e dezembro de 2024, foram registrados 396 roubos na região. No mesmo período de 2025, o número caiu para 165 ocorrências, uma diferença de 231 casos.

Os furtos também diminuíram 39,82%, passando de 2.132 para 1.283 registros.

Considerando roubos e furtos em conjunto, a redução foi de 41,54%, com o total de ocorrências passando de 2.528 para 1.478.

Os resultados fazem parte da Operação Paulista Mais Segura, que completou um ano em março de 2026. A iniciativa reúne ações preventivas, presença permanente de agentes e utilização de ferramentas de videomonitoramento.

Patrulhamento e câmeras reforçam segurança na região

A Operação Paulista Mais Segura mobiliza, em média, 320 agentes da Guarda Civil Metropolitana diariamente, com patrulhamento durante o dia e a noite.

A estrutura também conta com 52 câmeras de monitoramento, além de equipes especializadas, incluindo agentes bilíngues e grupamento com cães.

Segundo o balanço municipal divulgado em março, a operação havia resultado em 54 prisões, 20 capturas de pessoas procuradas pela Justiça, 213 conduções às autoridades policiais e cinco apreensões.

Os agentes também realizaram mais de 208 mil orientações à população e 2.036 atendimentos a turistas.

A queda dos indicadores continuou no início de 2026. Em janeiro, a região contabilizou 162 ocorrências de furto e roubo, contra 304 no mesmo mês de 2025, uma redução de 46,71%.

Sistema com mais de 50 mil câmeras amplia monitoramento da capital

Entre as ferramentas utilizadas pela Prefeitura de São Paulo está o Smart Sampa, programa municipal de videomonitoramento que reúne câmeras públicas e privadas integradas a uma central de segurança.

Em abril de 2026, o sistema alcançou 50 mil câmeras conectadas e em operação, superando em 25% a meta de 40 mil equipamentos prevista no Programa de Metas da administração municipal.

Dos dispositivos contabilizados naquele levantamento, 20 mil eram operados diretamente pela Prefeitura, enquanto outros 30 mil estavam integrados por meio de parcerias com a iniciativa privada.

A estrutura permite acompanhar ocorrências em tempo real e utiliza recursos de reconhecimento facial, identificação automatizada de placas de veículos e integração com bancos de dados utilizados pelas autoridades.

Quando o sistema identifica uma possível correspondência com uma pessoa procurada pela Justiça ou um veículo com restrição, um alerta pode ser encaminhado às equipes responsáveis pela verificação e eventual abordagem.

Segundo balanço apresentado pela Prefeitura em outubro, a plataforma contribuiu para a captura de mais de 3.630 foragidos da Justiça, além de mais de 6.900 prisões em flagrante e da identificação de mais de 3.950 ocorrências envolvendo veículos roubados, furtados ou adulterados.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, destacou o crescimento dos investimentos em segurança pública e a importância da tecnologia no combate à criminalidade. Segundo ele, o orçamento municipal destinado à área passou de R$ 700 milhões para R$ 1,8 bilhão em 2026, com previsão de alcançar R$ 2 bilhões em 2027.

Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, durante anúncio da integração do Smart Sampa com o MP
Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, durante anúncio da integração do Smart Sampa com o MP

“Segurança pública é um tema muito complexo. Nós tínhamos R$ 700 milhões de orçamento e, neste ano, são R$ 1,8 bilhão. No ano que vem, serão R$ 2 bilhões. O Smart Sampa é um sucesso. São 58 mil câmeras na cidade de São Paulo, mais de 3.700 foragidos da Justiça presos por reconhecimento facial e 6.500 prisões em flagrante. Estamos investindo em tecnologia atrelada à segurança pública”, afirmou Nunes.

Esses resultados demonstram a utilização prática da tecnologia no trabalho das equipes municipais. Entretanto, não é possível atribuir exclusivamente ao sistema a queda geral dos roubos na cidade, uma vez que os indicadores também são influenciados pelo policiamento, pelas investigações e por outras ações de segurança pública.

Capão Redondo e Campo Limpo também apresentam redução nos roubos

A queda dos registros de roubos também aparece em regiões populosas das zonas Sul e Sudoeste de São Paulo.

No Capão Redondo, foram contabilizadas 2.344 ocorrências entre janeiro e agosto de 2026, contra 2.589 no mesmo período de 2025. A redução foi de aproximadamente 9,5%.

Em Campo Limpo, os registros passaram de 2.449 para 1.947, uma diminuição de aproximadamente 20,5%.

Os números fazem parte de um levantamento regional que considera roubos em geral, de carga e a banco. Os roubos de veículos são contabilizados separadamente nas estatísticas da SSP-SP.

A melhora nessas localidades acompanha a tendência de redução observada no conjunto da capital, embora a intensidade das quedas varie entre as regiões.

Alguns bairros ainda registram aumento nos roubos

Apesar da redução geral, os resultados não foram uniformes em toda a cidade.

Na região de Monções, na Zona Sul, o número de roubos passou de 973, entre janeiro e agosto de 2025, para 1.212 no mesmo período de 2026, uma alta de 24,6%.

Santo Amaro também registrou aumento, com 1.496 ocorrências neste ano, diante de 1.329 no ano anterior, crescimento de 12,6%.

Na Consolação, os roubos subiram de 1.155 para 1.262, uma alta de 9,3%. Já em Pinheiros, os registros passaram de 2.035 para 2.098, crescimento de 3,1%.

Os dados mostram que, mesmo com a redução dos indicadores gerais, determinadas regiões ainda enfrentam desafios específicos de segurança pública.

Pinheiros e Santo Amaro têm alta nos furtos

O levantamento regional também aponta crescimento de furtos em bairros de diferentes áreas da cidade.

Pinheiros registrou 6.923 furtos entre janeiro e agosto de 2026, contra 6.134 no mesmo período de 2025, aumento de aproximadamente 12,9%.

Em Santo Amaro, as ocorrências passaram de 4.024 para 4.801, crescimento de 19,3%. Perdizes também apresentou alta de 4,7%, com 6.714 registros neste ano.

Outras localidades tiveram aumentos proporcionais maiores. No Jardim Miriam, os furtos passaram de 982 para 1.290, alta de 31,4%. Na Vila Sônia, subiram de 2.075 para 2.556, crescimento de 23,2%.

A Vila Clementino registrou aumento de 14,9%, passando de 2.363 para 2.716 casos.

Por outro lado, a região da Sé apresentou uma redução importante nos furtos. Os registros caíram de 6.714 para 5.281, diminuição de aproximadamente 21,3%.

Essas estatísticas regionais não incluem furtos de veículos, que são contabilizados em uma categoria específica.

Queda nos roubos em São Paulo

Monitoramento também será utilizado em investigações criminais

Além das atividades de monitoramento urbano, a Prefeitura de São Paulo anunciou em 27 de outubro a ampliação da cooperação com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) para utilização das ferramentas de segurança em investigações.

Uma das frentes envolve o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que poderá utilizar informações do sistema para auxiliar na identificação de suspeitos e no esclarecimento de ocorrências.

Outra iniciativa prevê o uso da tecnologia para localizar homens que ainda não foram encontrados para receber notificações judiciais relacionadas a medidas protetivas em casos de violência doméstica.

A ampliação dessas ferramentas também exige protocolos de acesso, fiscalização e proteção de dados pessoais.

Próximos passos

Com a redução dos roubos e furtos no conjunto da capital, o principal desafio das autoridades será manter a tendência nos próximos meses e direcionar ações para as regiões que ainda registram crescimento da criminalidade.

Os dados por bairro ajudam a identificar onde o patrulhamento, as investigações e as medidas de prevenção precisam ser reforçados.

A experiência da Avenida Paulista, com redução superior a 58% nos roubos em um período anterior, apresenta um exemplo de atuação que combina presença de agentes de segurança e tecnologia de monitoramento.

Na capital como um todo, os números de agosto de 2026 representam um resultado positivo: o menor total de roubos para o mês desde 2001, acompanhado de queda nos furtos.

A manutenção dessa tendência dependerá da continuidade das ações de segurança pública e do acompanhamento dos indicadores em todas as regiões de São Paulo.

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