A Rússia realizou um teste com um míssil balístico intercontinental capaz de transportar ogivas nucleares, lançado de um submarino no Mar de Okhotsk, no extremo leste do país. O disparo ocorreu na quarta-feira (28) e foi divulgado pelo Ministério da Defesa russo, que publicou imagens da operação e afirmou que o projétil atingiu o alvo previsto no noroeste do território russo.
O armamento utilizado foi o RSM-56 Bulava, lançado pelo submarino nuclear Generalíssimo Suvorov, da Frota do Pacífico. Segundo as autoridades militares, o exercício fazia parte do programa de treinamento das forças estratégicas. O teste ocorre em um período de tensões entre Moscou e países europeus, especialmente por causa da guerra na Ucrânia e das preocupações com a segurança do continente.
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Como foi o lançamento do míssil intercontinental russo?
O míssil foi disparado de uma posição submersa no Mar de Okhotsk, próximo à costa oriental da Rússia. O lançamento foi realizado pelo submarino estratégico Generalíssimo Suvorov, pertencente à classe Borei-A, projetada para transportar mísseis balísticos.
O alvo foi o campo de testes de Chizha, na região de Arkhangelsk, no Ártico russo. A área fica próxima ao Mar Branco, a aproximadamente 600 quilômetros das fronteiras da Finlândia e da Noruega.
De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, o projétil percorreu cerca de 8,3 mil quilômetros e atingiu a região determinada dentro do horário previsto.
O governo russo classificou o exercício como bem-sucedido. Entretanto, o resultado divulgado pelas autoridades não havia sido confirmado de maneira independente.
Vídeo mostra lançamento a partir de submarino
O Ministério da Defesa russo divulgou um vídeo do exercício militar. As imagens mostram os procedimentos de preparação e o lançamento do míssil a partir do submarino.
Segundo o comunicado oficial, a operação foi realizada conforme o planejamento de treinamento de combate da tripulação.
A divulgação das imagens também demonstra a capacidade operacional das forças estratégicas russas, responsáveis por uma parte do sistema de dissuasão nuclear do país.
Não há indicação de que o lançamento tenha sido direcionado contra outro país. O alvo informado pelas autoridades foi uma instalação militar de testes em território russo.
O que é o míssil Bulava e qual é seu alcance?
O RSM-56 Bulava é um míssil balístico de longo alcance desenvolvido para ser lançado de submarinos nucleares estratégicos.
O armamento tem alcance estimado em aproximadamente 8,3 mil quilômetros e foi projetado para transportar múltiplas ogivas nucleares, que podem ser direcionadas a diferentes alvos.
Submarinos russos da classe Borei, como o Generalíssimo Suvorov, podem transportar até 16 mísseis desse modelo.
Essas embarcações integram a capacidade de dissuasão nuclear marítima da Rússia, permitindo o lançamento de armamentos estratégicos a partir de diferentes regiões oceânicas.
O Bulava já passou por outros lançamentos de teste nos últimos anos. Portanto, o disparo anunciado nesta semana não representa a estreia do sistema.
O míssil lançado estava equipado com uma ogiva nuclear?
O Ministério da Defesa russo não informou se o míssil utilizado no exercício transportava uma ogiva nuclear real.
Embora o Bulava tenha capacidade para transportar armamento nuclear, testes militares normalmente utilizam cargas de treinamento, sem material nuclear explosivo.
Por isso, é importante diferenciar um míssil com capacidade nuclear de um disparo realizado com uma ogiva nuclear efetiva.
Até o momento, não há confirmação de que uma arma nuclear tenha sido detonada durante a operação.
Teste ocorre após conversas de Putin com líderes europeus
O lançamento aconteceu um dia depois de conversas telefônicas entre o presidente russo, Vladimir Putin, e autoridades da Finlândia e da Noruega.
Os contatos ocorreram em meio às discussões sobre a guerra na Ucrânia e as relações entre Moscou e os países europeus.
Durante as conversas, Putin reiterou a posição russa de que um acordo de paz duradouro deve considerar os interesses de segurança do país.
O presidente russo também criticou a postura de confronto que atribui à União Europeia e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Apesar da proximidade temporal, o governo russo apresentou o lançamento como parte de um treinamento militar planejado. Não foi demonstrada uma relação direta entre o disparo e as conversas diplomáticas.
Rússia e Otan ampliam exercícios militares
O teste ocorre em um momento de reforço das atividades militares de países que possuem armamentos nucleares.
Os Estados Unidos também realizam exercícios relacionados ao comando e controle de suas forças estratégicas. Entre essas atividades está o Global Thunder, destinado a avaliar procedimentos de prontidão e coordenação militar.
No início de outubro, a França realizou um teste com um míssil balístico de capacidade nuclear no Mar do Norte.
Na Europa, governos integrantes da Otan têm anunciado investimentos em equipamentos militares e sistemas de defesa, citando a guerra na Ucrânia e os riscos à segurança regional.
Essas operações são apresentadas pelos respectivos governos como medidas de treinamento e dissuasão, mas também ocorrem em um ambiente de desconfiança entre as potências.
O que o lançamento significa para a segurança internacional?
O teste demonstra a continuidade do programa de treinamento das forças nucleares russas e a capacidade de lançar mísseis estratégicos a partir de submarinos.
O fato de o projétil ter sido disparado do extremo leste da Rússia e direcionado a um alvo no Ártico evidencia o alcance desse tipo de armamento.
Especialistas em segurança internacional observam que exercícios militares podem cumprir diferentes objetivos, como testar equipamentos, treinar tripulações e demonstrar capacidade de dissuasão.
Entretanto, o lançamento não significa, por si só, que a Rússia tenha decidido utilizar armas nucleares em um conflito.
O Ministério da Defesa russo mantém a versão de que o disparo foi uma atividade programada. A repercussão internacional ocorre principalmente pelo contexto de tensões entre Moscou e os países da Otan.