O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que Moscou poderá recorrer a “todas as armas” à disposição do país caso Kaliningrado ou outro território russo seja alvo de um ataque direto. A declaração foi feita nesta quinta-feira (1º), durante o encontro anual do Clube de Discussão Valdai, em meio ao aumento das tensões entre a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região do Mar Báltico.
Putin não afirmou diretamente, durante a fala, que armas nucleares seriam utilizadas. No entanto, o governo russo havia enviado anteriormente à Otan um documento no qual dizia estar preparado para empregar todo o arsenal disponível, “incluindo armas nucleares”, caso países da aliança tentassem atacar ou isolar Kaliningrado.
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Putin fala em resposta a eventual ataque
Questionado sobre o risco de um confronto direto entre Rússia e Otan, Putin afirmou que as declarações de Moscou representam uma resposta ao que o Kremlin considera tentativas de intimidação por parte dos países ocidentais.
“Não é intimidação, é uma resposta a uma tentativa de nos intimidar”, declarou.
O presidente russo também afirmou que, diante de um ataque direto ao território do país, a discussão sobre quais armamentos poderiam ser empregados mudaria imediatamente.
“Se chegarmos a um ataque direto contra a Federação Russa, neste caso contra Kaliningrado e possivelmente outros territórios, é claro que a questão do uso de todas as armas do arsenal do nosso país inevitavelmente surgirá na agenda”, disse Putin.
Apesar da declaração, o presidente russo voltou a dizer que Moscou não pretende atacar países europeus.
Moscou já havia citado armas nucleares
A manifestação de Putin ocorreu depois de a Rússia enviar um alerta à Otan sobre Kaliningrado. Segundo documento visto pela Reuters, Moscou afirmou que estaria preparada para usar todo o conjunto de forças e capacidades disponíveis, inclusive armas nucleares, caso integrantes da aliança militar tentassem isolar o território russo.
O documento também acusou a Otan de seguir um caminho “perigoso e imprudente” e alertou para o risco de um conflito armado direto.
Embaixadas russas em diferentes países europeus fizeram declarações semelhantes nos últimos dias. Moscou afirma ter informações de que a Otan estaria preparando cenários envolvendo um bloqueio aéreo e naval de Kaliningrado.
A Otan, por sua vez, afirma que não pretende atacar ou bloquear o território russo e sustenta que suas operações na região têm caráter defensivo.
Por que Kaliningrado é estratégico
Kaliningrado é um território russo separado geograficamente do restante do país e localizado entre Polônia e Lituânia, dois integrantes da Otan, além de ter acesso ao Mar Báltico.
A região é fortemente militarizada e abriga estruturas aéreas, navais e sistemas de mísseis russos. A localização permite a Moscou projetar poder militar sobre áreas do norte e do centro da Europa, mas também torna o território vulnerável em um eventual conflito devido à distância em relação ao restante da Rússia.
As tensões em torno do enclave aumentaram desde a invasão russa em larga escala da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. A entrada de Finlândia e Suécia na Otan também ampliou a presença da aliança militar na região do Báltico.
Otan rejeita ameaça e cita caráter defensivo
A Otan rejeitou as acusações de Moscou e condenou a retórica envolvendo a possibilidade de emprego de armas nucleares.
A porta-voz da aliança, Allison Hart, afirmou que a organização “repudia veementemente a ameaça de uso da força, incluindo qualquer retórica nuclear irresponsável”.
Segundo a Otan, nenhum dos exercícios ou das atividades militares realizados pelos países integrantes representa ameaça ao território russo.
O episódio ocorre enquanto Rússia e países da aliança ampliam atividades militares e medidas de vigilância na região do Báltico. As declarações de Moscou representam uma advertência sobre um cenário hipotético de ataque ou isolamento de Kaliningrado, e não o anúncio de que armamentos nucleares serão empregados.